Mostrar mensagens com a etiqueta de mim. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta de mim. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, janeiro 12, 2009

tempo de novo.















acordar cada dia sem o medo de partir.


viver.
em humildade de mar,
teimosia de vento,
força de florir.


ser paz e abraço ao sentir dos outros,
amor e entrega ao que dentro,
em mim.






cambia lo superficial
cambia también lo profundo
cambia el modo de pensar
cambia todo en este mundo


cambia el clima con los años
cambia el pastor su rebaño
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño





ser humilde.

humilde
humilde
humilde



ser humilde.



enfrentar vícios
aceitar braços
arriscar entregas.



abrir portas de fechar.



deixar que olhos sejam mãos
que olhos sejam toque
que olhos sejam mar.






cambia el mas fino brillante
de mano en mano su brillo
cambia el nido el pajarillo
cambia el sentir un amante


cambia el rumbo el caminante
aunque esto le cause daño
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño


cambia
todo cambia

cambia
todo cambia


cambia
todo cambia

cambia
todo cambia





saber que é mudança cada dia.
que é mudança
o tempo escuro

as mãos frias

o amor.









chorar de sentir à pureza dos outros.



dar como quem ama

sempre.



escrever a vida.
escrever-nos.


ser na vida a poesia
que a vida marulha em mim.






cambia el sol en su carrera
cuando la noche subsiste
cambia la planta y se viste
de verde en la primavera


cambia el pelaje la fiera
cambia el cabello el anciano
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño





ser voz de liberdade.

encher o vento de canto
e a cada fase de lua
a cada mar de maré
ser parte do mundo todo
e a mudança do mundo em mim.


caminhar de cabeça erguida
cabelo de mar
e veias de ondas
e sentir.

sentir
sentir
sentir
sentir...



para além de qualquer pe(n)sar.






pero no cambia mi amor
por mas lejo que me encuentre
ni el recuerdo ni el dolor
de mi pueblo y de mi gente


lo que cambió ayer
tendrá que cambiar mañana
así como cambio yo
en esta tierra lejana


cambia
todo cambia

cambia
todo cambia


cambia
todo cambia

cambia
todo cambia




pero no cambia mi amor
por mas lejo que me encuentre
ni el recuerdo ni el dolor
de mi pueblo y de mi gente


y lo que cambió ayer
tendrá que cambiar mañana
así como cambio yo
en esta tierra lejana



cambia
todo cambia

cambia
todo cambia


cambia
todo cambia

cambia
todo cambia








....




para além de janelas (d)e sonhos,
ser a verdade
a cada acordar.

















..










(dias de vida marulhada
a todos vós que.


@-,-'-)









(imagens de ana nicolau, pink sherbet e haleh bryan)


segunda-feira, outubro 20, 2008

"ad astra"







assim me chamas de minha concha...









assim me trazes às palavras,
com este presente de tanto
nas asas do sentir,

em que


"se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc., que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à web.

quem recebe o “prémio dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:


1. - exibir a distinta imagem;

2. - linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;

3. - escolher quinze outros blogs a que entregar o prémio dardos. "





pelo tanto de sentir que me sempre trazem,

o meu obrigada a:


- 8ª edição

- a clareira

- a menina dos olhos de água

- casa de maio

- digit@l pixel

- linha de cabotagem

- lupanar do pensamento

- o farol no vento do norte

- olhares em tons de maresia

- ortografia do olhar

- pequenos nadas

- passages

- stella nijinsky

- tufa tau

- vida de vidro







porque muito
e dentro
há tanto
de tempo.





...









sábado, abril 19, 2008

(em) mudança



por esta janela que me abre (a)o escrever
vejo e sinto os passáros que a meu lado voam.
comigo.
eu neles.



nessa outra, onde adormeço em estrelas e acordo na côr do dia, o canto de gaivotas trouxe-me já o mar em sorriso de acordar. o mar que provo também nos olhos quando mergulho em todas as memórias que solto neste espaço novo, algumas tão longe dos dias de hoje, fechadas nestes quadrados guardiões dessa vida a que regresso agora, só agora, um ano e meio depois, todo este tempo trancados para que a mim encontrasse, finalmente, eu, no que sou e sinto e vivo.
sem nada mais.
e tanto, afinal....



abro cada caixote como quem volta ao passado.


volto.



abro fundo esse tempo de antes
e nele passeio
sem rede ou volta marcada.









mas regresso sempre.
regresso sempre a quem sou.

para além do que é não-saber.




















vivo (n)a vida.





deixo que me viva.









sou e respiro o que voa (n)o tempo.



o que me trago
eu
nele.







(dreaming about wings, bogdan zwir)










..







" (...) não pensemos mais: esta é a casa:

tudo o que lhe falta será azul,

agora só precisa de florir.

e isso é trabalho da primavera. "


(pablo neruda)















(nesta casa nova de mim,
é tão forte às vezes o vento nas janelas...

e é só
só
um segundo andar..



....



mas é bonito.

às vezes lembra-me a noite do mar.




como se perto da praia,
quando fecho os olhos
e respiro em mim seu marulhar.)











( " eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome
- cores de almodovar, cores de frida kahlo,
cores...

passeio pelo escuro
- eu presto muita atenção no que meu irmão ouve;
e como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora

- ah, eu quero chegar antes...
pra sinalizar o estar de cada coisa,
filtrar seus graus

eu ando pelo mundo divertindo gente,
chorando ao telefone..
e vendo doer a fome dos meninos que têm fome


pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle....


eu ando pelo mundo
e os automóveis correm para quê?
as crianças correm para onde?

transito entre dois lados
de um lado
eu gosto de opostos...
exponho o meu modo,
me mostro


- eu canto para quem?





pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle....


eu ando pelo mundo
e meus amigos....
cadê?
minha alegria, meu cansaço?..

meu amor cadê você?
eu acordei
- não tem ninguém
ao lado


pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle....


eu ando pelo mundo
e meus amigos....
cadê?
minha alegria, meu cansaço?..

meu amor cadê você?
eu acordei
- não tem ninguém
ao lado


pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle.... " )




















desenquadro.


desprendo.


desenlaço.












me.























.












agora


agora

volto


ao abraço do sorriso

à magia da infância

ao viver (d)o mar









regresso(-me) à terra de mim

para beber o abril

que me é côr de voar

















(imagem de autor desconhecido. sadly.)

sábado, fevereiro 23, 2008

(da) escrita no sangue







































vontade de pedir-lhe desculpa,



sem que me possa ouvir,



pela dor que vou trazer-lhe...





















pelo fundo que será em si.























































porque me dói a mim,
















por ele.





















...





















porque isto das personagens.










































..









(imagem primeira de autor desconhecido
imagem segunda retirada de istockphoto
imagem última de haleh bryan,
a moment in time)

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

touched

.
adj.
emotionally affected; moved.

.






































" que tipo de diário gostaria que o meu fosse?....
algo pouco formal, e ao mesmo tempo não desmazelado.
tão elástico que abranja qualquer coisa - sólida, ligeira ou bonita - que me venha ao pensar.
gostaria de o assemelhar a uma grande secretária velha, ou a uma mala espaçosa, para a qual se atira todo o tipo de coisas sem olhar.
gostaria de a ele voltar, após um ou dois anos, e descobrir que a colecção - como acontece misteriosamente com estes depósitos - se refinou e a si mesma organizou num molde,
transparente o suficiente para reflectir a luz da nossa vida,
mas ao mesmo tempo uma amálgama estável e tranquila
"


(virginia woolf, a writer's diary)












...









" sabe aquele blog do tipo que, apesar da sua vida corrida, com milhões de relatórios pra entregar, clientes pra recepcionar, patrão te enchendo o saco, você não pode deixar de dar uma olhadinha para conferir as novidades? aquele blog que você lê todo santo dia, mesmo que não haja novidades? aquele tipo que, no trabalho, ou numa caminhada, ou num churrasco entre amigos, você não vê a hora de acessar a internet pra dar uma olhadinha? enfim... pra atalhar... aquele blog que não te sai da cabeça???
presenteie, então, o autor desse blog com esse selo...
"































...












"este diário é o meu cachimbo de erva, haxixe e ópio.
é a minha droga e o meu vício."


(anaïs nin)

































...








obrigada
a quem
generosamente
comigo (o) vive.













obrigada






a ti








pela bondade,










a presença,










a partilha.

































(sky and water, m. c. escher)









...








domingo, fevereiro 03, 2008

a sós














sem amigo companhia ou criança que comigo percorra a solidão que hoje me fere sem cuidado ou respeito, invento um esquimó de terra distante e desconhecida, como se essa em que vivo esta agora tristeza, para que me ouça, me cale, me chore.


falo-lhe do acordar vazio, do não abrir dos olhos para tentar ainda calar o frio dentro, do procurar depois em todos os lugares um qualquer sinal de acalento, como se não soubesse tão bem como é negro, pintado à mão, devagar, o abandono de quem. em tudo.


conto-lhe dos dias passados escondida em quarto de mim, sem que o saiba ninguém.
das portas trancadas nesta casa que não habito sozinha, mas que não é vida comigo, esta casa onde me fecham caras todo o dia, onde não há música ou partilha, conforto ou um só sorriso que ajude ao passar (d)o medo.



tiredness fuels empty thoughts

i find myself...
disposed


brightness fills empty space

in search of...
inspiration



harder now with higher speed

washing in
on top of me



so i look to my eskimo friend


i look to my eskimo friend


i look to my eskimo friend



when i'm down


down


down



rain it wets muddy roads

i find myself...
exposed


tapping does but irritate

in search of...
destination



harder now with higher speed

washing in
on top of me



so i look to my eskimo friend


i look to my eskimo friend


i look to my eskimo friend




when i'm





d








o












w



















n












.







.








.










.
































digo-lhe, confesso-lhe, que não há tristeza maior que a solidão, por maiores tantas outras dores... não há sentir que me cale como este. que me enmure. me inunde o dia de quietude e sal. eu que tento saber do que é, do que existe, do que somos sem razão de sentir.
assim de triste, não há.


explico-lhe a ele, meu amigo inventado, o tanto tudo que queria um qualquer acalento, um olhar fundo ao que sou, qualquer coisa mais que estas paredes que me não falam, este silêncio que me não ouve, a gente perto que não tenho, não me existe, este longe que não sei preencher só.


vejo as lágrimas que recuso chorar descerem por seu rosto moreno, até sentir nos lábios o gosto de minha própria tristeza, eu escondida na vergonha de me saber assim, sem força, quase sem vida, eu que sei que é vida tanto, que o amor está em tudo o que vêem os olhos, que a paz são os passos que damos em nós, um de cada vez...


mas hoje
hoje
acordei demasiado pesada
de nada
para mo fazer saber.


porque não-outros.
ninguém.
voz nenhuma
ao apertar de uma mão,
a lembrar-me que(m) sou.


e eu não sei viver sem gente perto.



e por isso me lembra, ele mo lembra, da força da água, da força de mim, dos abraços de longe, os abraços dentro de quem nos é sempre - porque há, há mesmo quem seja sempre... -, os sorrisos de minha gente, os cheiros de meu país, tudo o que aqui me não é fora, hoje mais ainda, mas é tanto, tanto dentro.


e eu sei, sei de tudo... sei das vozes dentro, do calor, da luz, das mãos, dos sorrisos...
sei do mar.
sei de tudo.



when i'm down


down


down




when i'm down


down


down




when i'm down


down


down



























e sei-me meu próprio esquimó.









(imagens: eskimo child, de edward s. curtis. fatality e roads which aspire to light, de bogdan zwir)

domingo, janeiro 27, 2008

isto, só


" it's like...

living in the middle of the ocean,

with no future,

no past.
"*






olho as coisas.
demoro-me a olhá-las.
sento-me na cama e olho-as, só.


sem música, sequer.
só eu e o espaço.
eu no espaço. que fiz meu.


é enorme, o silêncio....




é bom.

ouço melhor as imagens.


largo amarras de mim e mergulho no que sou.
no que quero ser.



.





este ano começo-o em sentir de formiga -





não sei onde me leva o caminho,

sei que lá vou chegar.




































...














"this time,









this time,













this time,























is whatever i want it to mean."*


















































("and everything is sacred here


and nothing is as sacred as i want it to be




when it's

really

all compared to what?"
*)








* beth orton, central reservation
(imagens: lead me there, de loganart, e golden summer day, de floriana barbu)

terça-feira, outubro 30, 2007

esperança (d)e vida










anoitece.











....












é cedo

e anoitece.








....



























(brian wiles, dawn)









há vozes que me chamam e falam mais que a minha língua...



vêm de todos os lados
e são como vidas que me trazem a vida,
me lembram a doçura da humanidade fugaz,
me fazem acreditar que é sempre possível ser-se melhor...



(assim sorrimos de tudo
frente a um arco-íris chovido que invade a cidade cinzenta,
uma lua cheia que respira todo um campo de folhas sonhadas, caídas em côr,
um sol que nu e vermelho mergulha em água e sal de mar...

assim nós.
como quem olha a vida nos olhos e vê para além dela.

..

para além do que.)




aceitar quem dói,
aceitar a ausência,
aceitar escolhas e escolher
escolher
sorrir sobre tudo.

..

sobretudo sorrir.



ser verdadeira ao olhar que procura, deixar que entre nos olhos, por pouco que seja,
que entre, se sente à beira, como se.
deixar-se invadir pelas palavras que tocam,
levam o pensar sem que se pense,
fazem voar de intimidade a desconhecida distância.
hesitar, ainda, na entrega da verdade,
em verdade,
a entrega antes da paz, dentro,
porque não-paz esta serenidade que o não é,
porque não-completa, inteira,
ainda...
mas deixar,
deixar que os olhos.
beber das palavras, saborear-lhes o toque,
em segredo.
deixar que confortem
e possam ser
a vida
que se faz.



acordar a cada dia e sorrir,
sorrir só,
sorrir com,
em alegria de vida.

pela vida.

na vida.





e assim
ser
cada segundo.















...













isto
assim,
neste preto e branco de côr,
vejo eu,
faço por,
quando olho em frente.

comigo,
em mim,
na travessia do presente.

com tudo o que (não) ficou para trás.

..


ainda se sente.










...





assim eu,
no mundo,
em sal de saudade,
vida e verdade.


assim eu,
em mim,
em teimoso renascer
- como quem refaz e relembra
a cada noite
o amanhecer.

































































(imagem de bogdan zwir)





























" os desejos mais puros e ardentes do coração
são sempre realizados. "


(mohandas k. ghandi, in
"a minha vida e as minhas experiências com a verdade")

sábado, outubro 06, 2007

ondas (d)e marulhos na escrita de mim









tenho um caderno, ainda, hei-de ter sempre, onde escrevo quando me inundam tanto os sentires que não posso segurá-los dentro,
e assim os (re)vivo na escrita, como quem liberta fantasmas, sacode a dor dos ombros, recebe em si mesma sons e silêncios de vida.



às vezes sem caderno ou papel,
sem caneta ou,
noto um escrever constante.
- escreve-se sempre
dentro de mim.


..


são muitas as noites, às vezes tardes, em que me sento a esta mesa,
puxada pelas palavras desse caderno ou por outros

mesmos
sentires ainda não escritos
e aqui deposito o que me vai dentro,
às vezes de forma tão violenta que me sangram quase os dedos,
outras tão de mansinho que podia chorar.
como se,
como num,
como no
nu
caderno.


escrevo neste espaço como quem se senta em frente ao mar e lhe oferece o sentir,
lhe dá o choro a ouvir,
se ri,
sorri,
a medo,
de vida
com ele.


leio as ondas que me chegam à praia como quem colhe conchas,
uma a uma,
devagar,
lágrimas como_vidas no rosto e nas mãos,
abismada pelas tantas cores em que lhe adivinham e reforçam vontades,
suspiram dizeres escondidos,
relembram segredos de vida.


.




por isso te agradeço,
a ti,
por tudo o que disseste e me fizeste sentir.


e por isto...







“é um prémio especial para mulheres que, na sua escrita, mostram uma preocupação pelo mundo à sua volta e ainda conseguem dar um pouco de si e dos seus sentimentos e com isso tornar mais leve a vida dos outros.
este prémio foi feito para mulheres, mães e profissionais que espalham a palavra de uma forma emotiva e cativante.
que nos falam da guerra mas também do amor”.




porque escrever é só o que mais dentro sou,
muito mais
às
tantas
vezes
do que o que falo,
digo,
mostro
- e está em ti a leveza das palavras que lês.

por me mostrares, também tu, a partilha,
essa benção que descubro dentro
e me faz descobrir tudo o que.





me descobre, segura.




...




a todos vocês
que aqui vêm,
me tornam leve,
e a mim mesma devolvem em ondas de palavras,
quando o escuro e a dor lutam por roubar-me à escrita,
o meu
tanto
obrigada.

sábado, setembro 29, 2007

minha terra, liberdade de amor e mar


o sangue da língua,
a canto das veias,
o vento da voz....

ouço na noite as gaivotas que me chamam à terra de mim.























.....





aterro.

o calor do sol...


eu maré de perguntas
livres de sentido e respostas.


- como é que...?
- mas não...?



- for good?





..




(for good.................................?)





..




lisboa.
ando pelas ruas.
ando
só
cheia de tudo o que sou.
cheia
como a lua.
com a lua.
cheia.
mesmo se a cheiura de mim
é tão relativa quanto o amor que foi (sen)tido.
contínuo.
contínua.
continua.
continuo.


prossigo.
ando.
ando mais.
ando muito.
os rapazes da água a gritarem-me ao sangue,
a fazerem-me mar
aqui
em mim.
that was the river.
cada minuto
passado.
this is the sea.
cada minuto
presente.


o mar, o mar, o mar...
meu mar de embalo,
meu mar de mim.........


entro numa casa.
fala-se amor à minha volta.
há olhos de meninice,
nos que crianças e nos que não.
olho-os ao espelho e sei-os verdade,
a cada um,
no que me é dentro,
no que somos,
como um,
tanto,
para sempre.
- minha família de sangue,
tribo de amor e justiça...


passo no bairro das ruas tortas,
que se entortam,
e são como um filme, os amigos.
olho-nos de fora sem que o saibam
e sorrio tanto,
é-me tão feliz este tempo todo,
anos de nós,
de intimidade
e cumplicidade,
que ficam,
e agora outra vez,
mais esta vez,
aqui.



(decido não fazer por tentar ver o amor, descobri-lo, um vestígio de, como se não fosse tão cruelmente óbvio, o seu estrangular na escolha da vida sem, desequilíbrio, desequilíbrio, resisto, desisto, caio de novo, caio nos olhos, na vontade, no presente, um momento, um só, um só que queria saber que querido também, só, caio, caio, nós cada vez mais longe, sem a fala, sequer, caio, calo, caio, dói-me a dor, a sua também, dói-me tamanho cansaço de vida, sem que possa, sem que ouse sequer tentar ajudar, porque agora, porque o amor deitado fora, o violar do sagrado, o abandono, tão só isso, total, longe, o alívio que já não vem de meus braços, a paz que se consegue sem mim, caio, caio, mas caio com asas, asas que me esqueço de abrir, esqueço de usar, porque não sei, não sei ainda, e era contigo que eu queria dançar.
acordo antes do fundo, ladeada por esse lugar em tempos imaculado, intocado por quem senão, acordo, acordo, bato as asas, danço de olhos fechados mas danço, suspensa, surpreendida, ainda, neste limbo de transição, sem ter aberto de vez a mão para deixar, também eu, ir o amor sem salvação, roubado até de seu porto de abrigo, sem asas ou vida humana que o lembrem de ter sido real.



cuando te hablen de amor y de ilusiones
y te ofrezcan un sol y un cielo entero;
si te acuerdas de mí no me menciones
porque vas a sentir amor del bueno.

y si quieren saber de tu pasado
es preciso decir una mentira,
dí que vienes de allá de un mundo raro,
que no sabes llorar, que no entiendes de amor
y que nunca has amado.

porque yo a donde voy, hablaré de tu amor
como un sueño dorado
y olvidando el rencor no diré que tu amor
me volvio desgraciado.

y si quieren saber de mi pasado,
es preciso decir otra mentira,
les diré que llegué de un mundo raro,
que no sé del dolor, que triunfé en el amor
y que nunca he llorado.





e eu hei-de deixar de sentir-nos em cada rua de então.)



.





é fim de tarde.
de todos os cantos da fotografia me espreita a luz de cima, em céu claro, azul de olhos, também, sol radioso, radiante de vida nesta cidade que sou.
mesmo se por vezes
ainda
aqui
me não acho lugar.
em todas as ruas te encontro.
ainda.
em todas as ruas me perco.

..

dá-me a mão, lisboa, vem perder-te comigo, vem ser em mim a beleza de força e entrega de minha mãe, vem sentar-te a meu lado ver a bianca luz que nos invade de carinho, já, vem abismar-te de orgulho e gratidão por essa cinderella que tanto dá aos que lhe são dentro, e que agora abre coração e vida a uma menina a quem ensinará o amor, a família, a segurança eterna de não estar só.
e o mundo, só por isso, ser tão mais bonito e alegre, hoje.


...


o mar, o mar, o mar...
meu mar de embalo,
carinho,
certeza...
mar da comporta,
mar de mim...............



















...






minha casa de água salgada que não ouso ainda provar,
por mais que me (es)corra na pele...
faço-me as malas.
(re)parto(-me) de novo.

mas aqui morarei um dia.
sei-o,
fundo.

por mais que eu.
por mais que tu.
por mais que o mundo.







(" the times we had
oh, when the wind would blow with rain and snow
we're not all bad
we put our feet just where they had, had to go
never to go

the shattered soul
following close but nearly twice as slow
in my good times
there were always golden rocks to throw
at those who,
those who admit defeat too late
those were our times
those were our times


and i will love to see that day
that day is mine
when she will marry me outside with the willow trees
and play the songs we made
they made me so
and i would love to see that day
her day was mine" )






















(poema un mundo raro de josé alberto jiménez)

terça-feira, setembro 18, 2007

por sempre. para sempre.






















“ tenho uma amiga que me conhece para além do tempo. para além de tudo.
tem olhos de céu, sorriso côr de criança e a vida a nascer-lhe das palavras.
com ela, por ela, escolhi, reaprendi essa vida, a vida viva, essa de dádiva e abraços, há 14 anos atrás.

tenho uma amiga que me conhece para além de mim. para além do que.
olha-me nos olhos e eu sei que posso ser verdade, sei que quero ser vida, que preciso ser eu.
com ela, nela, a dor e a morte são derrotadas.
por ela, a coragem da vida renasceu. ”

(lisboa, 18.07.07)


...


no ano de ’93, sem que nos conhecêssemos ou soubéssemos quão perto estavámos, já, quão enleadas nossas vidas se tornavam, flechinha e eu vivíamos sentires semelhantes, inigualáveis de dor e espanto, incompreensíveis por todos os que não os sofriam, ali, connosco, nós adolescentes atordidas de realidade e adulthood, sem aviso ou trégua possível.

quando nos conhecemos, quando primeiro falámos e nos sorrimos de e em vida, apesar de tudo o que, passava um mês exacto sobre dessa data que nunca ouvirei ou sentirei de maneira quotidiana, nunca será confundida com nenhuma outra, nunca fará parte de um calendário normal, como se viessem todos com defeito de fabrico, como a vida, essa, todos com esse dia assinalado a dor.
eu tinha já feridas abertas que não entendia mas me ardiam, lágrimas com sabor a morte, um viver que eu desconhecia e não sabia sentir.
ela vivia o pesadelo dos dias que traziam a incerteza da certeza do medo do amanhã.

lambemos feridas juntas, trocámos vidas e lembranças desses dias de desespero e confusão, tantas e tantas vezes, tantas e tantas noites de palavras e lágrimas e partilha de tudo o que éramos, queríamos ser, e o que não sabíamos que era em nós, também. fomos dúvida do presente agarradas ao passado, mas fomos juntas, passo a passo, em direcção a qualquer coisa que existia, devia existir, lá mais à frente - flechinha com todo o amor, força e uma recusa quase teimosa em ver-me desistir do que fosse em mim.
porque eu, eu afundei-me na dor não-prevista e injusta da morte de quem tanto vivia e mais queria viver.
eu quis afundar-me nos dias, ser sombra, ser não-vida. recusar-me ao viver em jeito de protesto. e quando me recusei a sair de lisboa porque o corpo de quem, mesmo se morto, era aqui que morava, aqui condenado a ficar para sempre, quando disse não ao viajar para qualquer sítio que me tirasse desta cidade, que me tirasse da proximidade do seu corpo, porque isso pelo menos – acreditava eu – existia ainda, e me parecia tão injusto, tão terrível aquilo que eu via como abandono, flechinha, em meiguice e impenetrável amizade, estendeu-me a mão e puxou-me à vida. quando ninguém mais, eu culpada, o pôde fazer.
durante meses a fio, esteve a meu lado, até eu voltar a saber ter e viver o peso do que era em mim própria, sem refúgios, fugas ou abandono de mim.


para além da distância que a vida sabe e pode trazer, soubemos ter-nos sempre dentro, por maior o longe fora, por maior o mundo em muro entre nós: eu sabia, soube sempre, que no momento do precisar a vida não me faltaria. porque ela.


quando emigrei, o conforto de sabê-la na mesma terra.
ela que me precisava, também, tanto, mas que apesar disso, quando lhe confessava o choro, quando me doía o medo e o peso da fraqueza da saudade, me dizia “se não és feliz, se assim, aqui, não consegues ser força na felicidade, vai. volta. volta para longe de mim, mas fica perto do que te faz força e te é dentro.”
...
fiquei. com a sua força na minha, também.
fui ficando até voltar,
voltando até ficar.


aquando do início do pesadelo, no ano passado, embrulhou-me a amizade em presente – ela que tanto poderia ter-se “desumanizado”, por tudo o que, nesse ano – e tentou, da única forma (im)possível, proteger-me do futuro que já tinha vivido.
esteve comigo, a meu lado, sentada na cadeira que não existia naquele quarto de hospital que não sei já se existiu, também, de manhã à noite, e madrugada fora, flechinha esteve comigo a cada instante de espera, ânsia e recusa do amanhã, tanto e tão mais do que outros, “perto”...
e nunca
nunca
me abandonou em mim.
a ela, só a ela, confessei – nesses dias de desmesurado nada - a fraqueza sob o peso que não queria admitir a ninguém mais. mesmo se. porque.
- não aguento mais. é como que lhe paro o sofrimento?, é como que se vive isto?......
e ela, a meu lado, a vivê-lo comigo, a sofrer comigo, sem nunca, nunca, me largar a mão ou a vida.


...

e agora,
agora,
ontem ainda,
no carinho e calor de uma casa de tanto e tão bonito, tão sentido amor, flechinha e sua metade a “convidar”em-me a ser madrinha do novo ramo de sua árvore de vida.
godmother lhe chamam na terra onde vivemos nós.
...
e assim, pela mão de flechinha, como tanto mais, antes, me torno mother pela primeira vez.
e nem sei dizer do orgulho que me traz lágrimas à voz e este sorriso de sentir aos olhos por ser um filho seu, vindo dessa união de tanto tudo, que me é tão dentro, que faz querer chorar de feliz, eu simples visita nessa casa de amor.
e penso, sei, que não poderia ser de outra maneira. de outra pessoa, antes de.

porque nela a força.
nela o apoio.
o exemplo de coragem,
não-entrega ao que tenta
e faz por
vergar e quebrar.
nela o amor.

e agora,
pela mão dela,
de novo,
a vida.







“ fechar os olhos, erguer os braços e dizer-lhe “vou contigo.”. isto é claridade, melodia. duas mãos dadas. a parte de dentro e de fora da laranja.
(...)
parou. abriu subitamente os olhos e compreendeu. então, olhando em redor, pensou: onde quer que estejas, obrigada. jamais te esquecerei. ”

(do livro que me deste há quase 11 anos...)



...




obrigada a ti.

pela vida.

fixed.




(imagem: (e)terno abraço, retirada daqui)