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segunda-feira, janeiro 12, 2009

tempo de novo.















acordar cada dia sem o medo de partir.


viver.
em humildade de mar,
teimosia de vento,
força de florir.


ser paz e abraço ao sentir dos outros,
amor e entrega ao que dentro,
em mim.






cambia lo superficial
cambia también lo profundo
cambia el modo de pensar
cambia todo en este mundo


cambia el clima con los años
cambia el pastor su rebaño
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño





ser humilde.

humilde
humilde
humilde



ser humilde.



enfrentar vícios
aceitar braços
arriscar entregas.



abrir portas de fechar.



deixar que olhos sejam mãos
que olhos sejam toque
que olhos sejam mar.






cambia el mas fino brillante
de mano en mano su brillo
cambia el nido el pajarillo
cambia el sentir un amante


cambia el rumbo el caminante
aunque esto le cause daño
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño


cambia
todo cambia

cambia
todo cambia


cambia
todo cambia

cambia
todo cambia





saber que é mudança cada dia.
que é mudança
o tempo escuro

as mãos frias

o amor.









chorar de sentir à pureza dos outros.



dar como quem ama

sempre.



escrever a vida.
escrever-nos.


ser na vida a poesia
que a vida marulha em mim.






cambia el sol en su carrera
cuando la noche subsiste
cambia la planta y se viste
de verde en la primavera


cambia el pelaje la fiera
cambia el cabello el anciano
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño





ser voz de liberdade.

encher o vento de canto
e a cada fase de lua
a cada mar de maré
ser parte do mundo todo
e a mudança do mundo em mim.


caminhar de cabeça erguida
cabelo de mar
e veias de ondas
e sentir.

sentir
sentir
sentir
sentir...



para além de qualquer pe(n)sar.






pero no cambia mi amor
por mas lejo que me encuentre
ni el recuerdo ni el dolor
de mi pueblo y de mi gente


lo que cambió ayer
tendrá que cambiar mañana
así como cambio yo
en esta tierra lejana


cambia
todo cambia

cambia
todo cambia


cambia
todo cambia

cambia
todo cambia




pero no cambia mi amor
por mas lejo que me encuentre
ni el recuerdo ni el dolor
de mi pueblo y de mi gente


y lo que cambió ayer
tendrá que cambiar mañana
así como cambio yo
en esta tierra lejana



cambia
todo cambia

cambia
todo cambia


cambia
todo cambia

cambia
todo cambia








....




para além de janelas (d)e sonhos,
ser a verdade
a cada acordar.

















..










(dias de vida marulhada
a todos vós que.


@-,-'-)









(imagens de ana nicolau, pink sherbet e haleh bryan)


sábado, novembro 08, 2008

perto, em aniversário








" felicidade se acha
é em horinhas de descuido. "


(guimarães rosa)











...







minha mãe amanheceu-me no mar
e plantou-me em terra de amor.



(fazia já tanto tempo que aqui não era este dia,
tantos já os abraços distantes, inventados, adiados...)



tudo o que sou tremeu de vida,
e em cada mão apertada reconheci,
acarinhei,
embalei.

e.



(menina pequena de novo
em sonho e despertar,
fui rosa, ovelha, planeta
- segredo e(m) alma de cativar.)



o sol marulhou-nos o dia,
pintado a memória e riso.


à beira de um lago, em verdade de água e outono,
sorrimos às côres do ser.



e fomos.


somos.


para além de tempestades secretas,
medos escondidos,
tristezas a sós.



somos

este amor de força,

este mar de vida,

este tudo de nós.


















...










(tanto) obrigada, gente de mim...

@-,-'-


sexta-feira, setembro 05, 2008

(n)a dor de alice











.

suicide watch
is an intensive monitoring process used to ensure that an individual does not commit suicide.

.









..











eu estava sentada a seu lado, um lugar de sofá no meio das duas, a minha mão a transpô-lo, pousada sobre o seu ombro, fazendo festas até onde chegavam meus dedos, querendo quase entrar por sua pele para chegar dentro, fundo onde lhe gritavam as vozes que não ouvia eu, que não ouvia ninguém senão ela, que lhe ensurdeciam o falar e lhe emudeciam o ouvir;
e por isso o toque, o tentar do toque, o toque desesperado por chegar dentro, dentro até que minhas mãos tapassem a boca a essas vozes injustas e mentirosas que empurravam aquela alice de cabelo de fogo para o buraco mais fundo de si,
longe de tudo,
de todos,
longe de tudo o que é
vida
na vida.



















" you see..




i wasn't supposed to be alive by friday......"
























disse-mo em murmúrio,

como quem fala do que é certo,

sem caminho de regresso.





um segredo que me confiava como quem confia tudo.






















e eu tive vertigens de sua morte planeada.



































...








falava-me por entre os soluços que lhe rasgavam o respirar,
sem nada mais que não o negro da côr imensa de si, esse escuro de facas afiadas e comprimidos engolidos por anos de injustiça, desamor, desconsolo.


e eu pensei
pensei
que não é justo.


a balança a tornar-se mais e mais desigual a cada dia
e nós sem saber, sem saber o peso de cada hora.

o peso de não saber-se de si.

de perder-se,
deixar de ser-se
esse tudo
que se é.


e tão fácil, a queda.....












frente a meus olhos caía, e eu sabia que ela caía de olhos fechados, cerrados como punhos, e assim se deixava ir, sem responder a ninguém, sem levantar a cabeça para olhar-nos, já, sequer, nada de si senão aquele corpo de menina por si mesma abandonada e aquele choro angustiante, sufocante, sumido,
a contaminar-me o sangue de tristeza e revolta.


inadmissivel não pegar nas mãos de quem nelas segura seu próprio presente e levantá-las até que veja, saiba, sinta tudo o que é, pode ser, sempre, a cada dia, cada minuto, ainda, sempre, a vida.


querer abaná-la e dizer pára, pára as vozes, pára tudo o que te atormenta, mergulha para fora de ti se preciso for que te agarramos, nós agarramos-te,
só não vás.
não assim.
não antes de tanto de ti.


mas ela menina, enrolada em si mesma,
pequenina pequenina,
pequenina de medo e tão adulta de dor...




medo de quebrá-la, quase...
cuidar como se,
porque,
pássaro de asas partidas.
alimentar.
ser guarida.
dar descanso.
sem paredes brancas, médicos ou vozes estranhas.
sem o medo de nada.
sem o nada lá fora.
sem curso de nada para além do sentir.
nada senão cada momento.
agora.



na quietude da noite dormiu como quem se entrega ao descanso dos braços de uma casa, amigo, porto de abrigo.

na luz meiga do dia pegou-me pela mão e levou-me por seu labirinto de árvores entrelaçadas em nós enferrujados de memórias escuras e flores murchas de seu próprio abandono,
e pelo enevoado do medo consegui ver que olhava ainda para cá.
para nós.
dentro.
olhava.


falei-lhe das luzes que alumiam o dia,
das velas que se apagam para que possa vir a noite que descansa, apazigua, ameniza, serena...


deixa que venha a noite, serena.

que te seja sereno o dia.

todos os dias.

deixa...











o que se pensa é só isso,


um pensar.







a vida toda é um pôr-do-sol




uma mão dada no escuro




o mar.














..










(imagem de john tenniel)

sexta-feira, agosto 15, 2008

(meu) país de gente e mar










" Tudo me prende à terra onde me dei:
o rio subitamente adolescente,
a luz tropeçando nas esquinas,
as areias onde ardi impaciente.


Tudo me prende do mesmo triste amor
que há em saber que a vida pouco dura,
e nela ponho a esperança e o calor
de uns dedos com restos de ternura.


Dizem que há outros céus e outras luas
e outros olhos densos de alegria,
mas eu sou destas casas, destas ruas,
deste amor a escorrer melancolia. "


(eugénio de andrade, canção breve)

















...











vejo o caminho.





sei-o inteiro, e sei onde vai dar.



a que mar de terra e gente minhas.








medo da vergonha?


vergonha do medo?






o mesmo tremer do frio de entrar no mar
- a vida toda em desejo suspenso
no tempo esperado de meu mergulhar.





mais que rainhas e príncipes
trago na mala as fadas que me sabem as asas
em certeza, dignidade de sentir.



sou todos os que enterrei,
todos os que em mim nasceram
- tatuadas sementes de meu chegar e partir.








.










ouço(-me) no vento.


como se meu o nome que alguém.



como um chamar sonho à vida
que ninguém mais
ninguém mais
tem.
























...














agora,

longe e perto,

tenta-se a humildade:














vive-se.
















.
















(imagem primeira: ana nicolau, autoretrato2007
imagem segunda: eduardo gageiro
imagem última: haleh bryan, dani-blue)



segunda-feira, abril 28, 2008

regresso







" avião lisboa-londres, 27.abril.08



parto de novo.



vejo de cima a terra que amo tornar-se pequenina, mais e mais, até me caber na palma dos olhos, ser não mais que essa lembrança que me marca o ser(-me), força de gente e sentir, causa e recusa de inconstante chorar.



há caminhos desenhados lá em baixo. caminhos desejados que levam onde quis, soube querer, em sonho e vida, um qualquer outro (de) nós.
que sonhamos, podemos, queremos.
mesmo se, quando, às vezes também porque, esquecemos:
somos sempre o que em nós próprios traçamos.





abril trouxe-me a força da vontade.


as papoilas de meu alentejo cantaram-me de côr a vida.


os amigos que família, família que amigos, marulharam-me o tudo que sou.



e eu sei
eu sei
que tudo é querer.



acordo-me dentro do sonho
e desafio-me a escolher:


ganhar asas?
voar para casa?




...





- ser humilde.



viver. "


















...







" let me fall,
let me climb,
there's a moment when fear and dreams must collide

someone i am is waiting for courage,
the one i want,
the one i will become will catch me

so let me fall
if i must fall,
i won't heed your warnings,
i won't hear them

all i ask,
all i need,
let me open whichever door i might open

let me fall,
and if i fall
all the feelings may or may not die

i will dance so freely,
holding onto to no one,
you can hold me only if you too will fall,
away from all
these useless fears and chains.

someone i am is waiting for my courage,
the one i want,
the one i will become will catch me

so let me fall
if i must fall,
i won't heed your warnings,
i won't hear

let me fall,
and if i fall
- there's no reason to miss this one chance,
this perfect moment -,
just let me fall. "








..






(com um abraço
forte
de tanto
à cláudia,
amiga de tudo,
que me amparou a queda de angústia
nesta terra de saudade
e me sempre lembra as asas
as alturas
a gana
de meu voar em liberdade.)
















..








(imagens, música e poema retirados do espectáculo quidam, pelo "cirque du soleil")

sábado, abril 19, 2008

(em) mudança



por esta janela que me abre (a)o escrever
vejo e sinto os passáros que a meu lado voam.
comigo.
eu neles.



nessa outra, onde adormeço em estrelas e acordo na côr do dia, o canto de gaivotas trouxe-me já o mar em sorriso de acordar. o mar que provo também nos olhos quando mergulho em todas as memórias que solto neste espaço novo, algumas tão longe dos dias de hoje, fechadas nestes quadrados guardiões dessa vida a que regresso agora, só agora, um ano e meio depois, todo este tempo trancados para que a mim encontrasse, finalmente, eu, no que sou e sinto e vivo.
sem nada mais.
e tanto, afinal....



abro cada caixote como quem volta ao passado.


volto.



abro fundo esse tempo de antes
e nele passeio
sem rede ou volta marcada.









mas regresso sempre.
regresso sempre a quem sou.

para além do que é não-saber.




















vivo (n)a vida.





deixo que me viva.









sou e respiro o que voa (n)o tempo.



o que me trago
eu
nele.







(dreaming about wings, bogdan zwir)










..







" (...) não pensemos mais: esta é a casa:

tudo o que lhe falta será azul,

agora só precisa de florir.

e isso é trabalho da primavera. "


(pablo neruda)















(nesta casa nova de mim,
é tão forte às vezes o vento nas janelas...

e é só
só
um segundo andar..



....



mas é bonito.

às vezes lembra-me a noite do mar.




como se perto da praia,
quando fecho os olhos
e respiro em mim seu marulhar.)











( " eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome
- cores de almodovar, cores de frida kahlo,
cores...

passeio pelo escuro
- eu presto muita atenção no que meu irmão ouve;
e como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora

- ah, eu quero chegar antes...
pra sinalizar o estar de cada coisa,
filtrar seus graus

eu ando pelo mundo divertindo gente,
chorando ao telefone..
e vendo doer a fome dos meninos que têm fome


pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle....


eu ando pelo mundo
e os automóveis correm para quê?
as crianças correm para onde?

transito entre dois lados
de um lado
eu gosto de opostos...
exponho o meu modo,
me mostro


- eu canto para quem?





pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle....


eu ando pelo mundo
e meus amigos....
cadê?
minha alegria, meu cansaço?..

meu amor cadê você?
eu acordei
- não tem ninguém
ao lado


pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle....


eu ando pelo mundo
e meus amigos....
cadê?
minha alegria, meu cansaço?..

meu amor cadê você?
eu acordei
- não tem ninguém
ao lado


pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle.... " )




















desenquadro.


desprendo.


desenlaço.












me.























.












agora


agora

volto


ao abraço do sorriso

à magia da infância

ao viver (d)o mar









regresso(-me) à terra de mim

para beber o abril

que me é côr de voar

















(imagem de autor desconhecido. sadly.)

sábado, abril 05, 2008

(em) descoberta








" i wonder if i've been changed in the night?
let me think. was i the same when i got up this morning?
i almost think i can remember feeling a little different.
but if i'm not the same, the next question is
'who in the world am i?'
ah, that's the great puzzle!
"

(lewis carroll, alice's adventures in wonderland)


















..






abrando o tempo.

o corpo obriga-me a olhar a alma.






olho quem sou

de olhos abertos.





não vou passar
perder
mais
(o) tempo
a esquecer
o que esquecer
nada trará.


por mais a dor de ir
sem poder deixar caixa,
água,
redoma.







sorrio à vida.


ao que nela existe
em verdade
e justiça.




lembro o que quero.

o que amo.



e sigo em frente.



con_tudo.


devagar.


sem correr.


sem correr mais.



sem correr senão para sentir no corpo
o vento que me sorri vida e mar.



sabendo
tão só
tão fundo
o tudo que me é embalo de voar.









































...












" 'everything's got a moral, if only you can find it'.
and she squeezed herself up closer to alice's side as she spoke. "


(lewis carroll, alice's adventures in wonderland)





(imagem primeira: day will come, de haleh bryan
imagem última de gundega dege)

sexta-feira, março 28, 2008

da imobilidade: "on hold"

(in physical pain)




não me mexo.


a mim própria pus aqui, assim a mim deitei
e agora não consigo retomada a força para voltar.
para fazer frente ao risco imprevisivel e gritante da dor física,
e voltar.


condenada pelo corpo, liberta pela mente, mantenho-me aqui, sem ousar mexer um sopro sequer.


dói(-me).


mesmo.




a parede que olho obrigada é vazia.

o medo, agora, também.

como o é, no fundo, esta dor que me passeia as costas.


por isso sorrio.


fecho os olhos e sorrio.

para que mais sorrisos a este se sigam.
para que se mantenha.
me mantenha.
em verdade.
por mais o que é físico e.


olho à volta, dentro:
esta é a minha casa.
a minha vida.
que construo, eu.
eu.
agora.


o corpo aperta
a saudade dói
mas ainda assim,
ainda assim,
neste momento,
a cada momento,
sentir o que me é força dentro,
o tudo que - lembram-me - construí,
o tudo que sou, tenho, quero, faço,
- o coração a bater diferente mas a bater, ainda assim, a respirar a medo, ainda, mas -,
e dizer
sentir
dizer
eu


- neste momento

este de agora

agora

em que estou,


aceito

e quero

só

estar

ser

aqui

assim

imobilizada

quieta

presa em mim

livre em mim

a aprender

a viver(-me).

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

partida(s)
































demorei-o no abraço de então.

eram imensos os dias de distância entre nós, as vidas que vivemos longe, o tudo que nos não foi partilha, as dores, os muros, as alegrias, as vitórias, as saudades do que fomos, o orgulho-às-vezes-vergonha do que somos, vamos sendo neste presente de dia acrescido.

este de hoje.

em que dou forma à partida de ti.

















(when dream is gone, haleh bryan)










it ain't no use to sit and wonder why, babe

if you don't know by now



an' it ain't no use to sit and wonder why, babe

it'll never do somehow






when your rooster crows at the break of dawn

look out your window and i'll be gone



you're the reason i'm trav'lin' on











...











don't think twice, it's all right
































it ain't no use in turnin' on your light, babe

that light i never knowed



an' it ain't no use in turnin' on your light, babe

i'm on the dark side of the road






i wish there was somethin' you would do or say

to try and make me change my mind and stay



we never did too much talkin' anyway











...











so don't think twice, it's all right
















encaixoto a vida que aqui fui para a reabrir noutro lugar, outro espaço, meu, onde viverei de portas abertas, a deixar entrar o ar e os outros, a música que chega até ao silêncio dentro, que o faz cantar, me acorda de mansinho, me liberta, me devolve devagar (a)o poisar do sentir.

































...







nesse outro lado de mim, agarro-me ainda ao que não tenho ou sei.





e não te deixo
nunca
morrer em meus sonhos.







..







morres-me só neste tudo
esta vida
este ser
de cada instante.































morres-me



só



todos os dias.
























...









it ain't no use in callin' out my name, boy

like you never done before



it ain't no use in callin' out my name, boy

i can't hear you any more






i'm a-thinkin' and a-wond'rin' walkin' down the road

i once loved a man, a child i'm told



i give him my heart but he wanted my soul











...











don't think twice, it's all right




































so long,


honey babe


















where i'm bound, i can't tell


















goodbye's too good a word, babe


















so i'll just say fare thee well


















i ain't sayin' you treated me unkind

you could have done better but i don't mind



you just kinda wasted my precious time











...











but don't think twice, it's all right

















.












(imagens adicionais de cig harvey, katia chausheva e noronha da costa
poema: adaptação de
don't think twice, it's all right, de bob dylan)

terça-feira, fevereiro 26, 2008

tempo de.

























(faded memories, haleh bryan)






" é preciso arranjar outros
motivos
outras flores e astros

outras abertas

entre a chuva cansada de um outono
que não sabe já
qual é a terra certa

é preciso pensar outras imagens
outras fissuras, sítios
e cidades

pôr fim ao lamento deste vento
tentar tirar ao anjo
a túnica e o sabre

é preciso inventar outras paisagens
outros montes e águas
outras margens

abrir e expôr o coração
e finalmente deixar
correr as lágrimas "


(maria teresa horta)








fecho as lágrimas nas palavras
para que mais não chovam
sobre o dia de hoje.


porque o sorrir
(que)
aos outros.


a recusa em viver
(cega)
na dor.







..













fecho as lágrimas...














e invento.





























(ben arieh)














...









(-me.)

domingo, janeiro 27, 2008

isto, só


" it's like...

living in the middle of the ocean,

with no future,

no past.
"*






olho as coisas.
demoro-me a olhá-las.
sento-me na cama e olho-as, só.


sem música, sequer.
só eu e o espaço.
eu no espaço. que fiz meu.


é enorme, o silêncio....




é bom.

ouço melhor as imagens.


largo amarras de mim e mergulho no que sou.
no que quero ser.



.





este ano começo-o em sentir de formiga -





não sei onde me leva o caminho,

sei que lá vou chegar.




































...














"this time,









this time,













this time,























is whatever i want it to mean."*


















































("and everything is sacred here


and nothing is as sacred as i want it to be




when it's

really

all compared to what?"
*)








* beth orton, central reservation
(imagens: lead me there, de loganart, e golden summer day, de floriana barbu)

sábado, janeiro 12, 2008

ano novo. (em) diário.






lisboa, 28 de dezembro de 2007



é natal e eu sou menina,
em minha terra de vida e força do que me é tudo.
porque a mim me sou nesta cidade de paz e confiança, sem máscaras, chuva negra, não-mar.


é natal e sou menina.
como quando meus todos avós eram vida, e nessa casa cheia de risos o natal era gente tanta. viva.


é natal e eu sou menina em minha terra de mar.
ando como nuvem, eco contínuo de paz, como se um enorme espanta-espíritos, em sons de lisboa, me guiasse o tom dos passos.

os sorrisos são abertos, são-me tudo, e há em cada corpo que aperto o sentir da vida que sou, a que regresso sempre, aqui, como se nunca (a) partida.

dos olhos de minhas novas infâncias bebo o saber de quem sabe nada e nada teme, e tem como seu-tudo o riso, o riso que enche de vida o espaço de quem esteja, que por sobre o presente nos embala o futuro em alegria criança. de existir.

é natal e sou menina.
com(o) eles.
neste todo tudo que lhes tenho, este sentir mais limpo de toda a vida.
mais do que.
tudo.


é natal em minha terra de sol.
conheço gente que me não conhecia, mesmo se tanto, já, entre nós, e o perto que somos tem o carimbo do amor a nossas raízes, também, das mãos que agarram a terra e a apertam até que se entranhe, até que seja tão verdade quanto o sangue que bebemos dos lábios que não beijamos nunca, e serão sempre desejo de outra vida, aventura (in)imaginável do que um dia, se.

evito os olhos que poderão prender (essa tão má tradução de nosso cativar...) e devolvo os meus ao mar, para que os renove, me tome, possua, me refaça,
menina,
uma outra vez.

visito lugares do passado, onde fui (essa) menina e tudo me era enorme, naquele quarto com malas e malas e mais malas e mais, côres de brilho e vida com que brincávamos a tantas mãos, quartos escuros de pó e recordações, vidas, vidas, onde entrávamos à descoberta de um passado que não sabíamos explicar, indecifrável magia de nosso brincar, o quarto dessa bailarina formosa, generosa, dança e vôo em palco de vida, que não saberia nunca que um dia nos choraria, antes demais, o tempo - este vazio de espaço dentro nos lugares em que faltará sempre mais que uma presença.
porque há dias em que poderia simplesmente chorar(-te), meu missing man.

.


sou presença nos amigos, alguns de há tanto, tanto tempo que quase nos não lembramos já da vida sem. e faço, (re)conheço novos, sei que juntos criaremos, nasceremos (em) momentos de partilha e sorriso, olhares que começam a saber ver-se e. como se espelho, realmente, o que.

juntamo-nos, gentes agora distantes, e somos um outra vez, nós, grupo de tantas histórias, tantos momentos, partilhados viveres de uma vida só.
a todos abraço forte, forte muito, porque o tempo escasseia e nós sabemos,
sabemos,
que a vida não é nossa para saber o amanhã.
vivemos hoje o que somos,
e juntos,
juntos,
somos força de amizade
em riso e noite
de lua e de nós.










natal.
eu menina, sentada em frente a este mar que me fala dentro e mistura em sua voz o marulhar das vozes morridas, (e)terna presença em meu espelho de olhar.


é natal e eu sou menina.

é natal em meus país de mar.










..









....










é como um (re)acordar....
regressada da cidade de mim,
que me viu nascer
e fez
- faz -
crescer,
acordo em quem sou com tamanho sentir que poderia chorar a cada passo que dou,
cada cheiro que (re)lembro,
cada enlace que guardo dentro,
marulhado de sonho (d)e vida.




que este ano
de imensos dias,
vos seja o viver de um dia,
um momento,
um sorrir,
sempre,
de cada vez.

a todos vocês
que me acordam (a)o sentir.

e a todos os que
sem o saber
no-lo fazem.
diariamente.






























" we are the music makers




and we are the dreamers of dreams. "
*








..





lembremo-lo.


a cada dia de nós.







* do poema Ode, de arthur o'shaughnessy
(imagens: traveler 48 at night, snowglobe, de walter martin e paloma muñoz
m.l.f., praia de carcavelos, dezembro.2007)

terça-feira, dezembro 04, 2007

vida fora, dentro
























" why are the poor so stricken by despair?


why do the rich feel ever more alone?


it embraces everything,


night and dreams,


silence that arouses anxiety.


night that envelops sadness and despair.


dreams of hope for a transformation.




let us take heed of job.




then maybe we'll prevail against


the slogans, the labels, illusions and indifference,


the cradles that surround us. "



(zbigniew preisner)









(barbican, 2.xii.2007)






ele recolheu-se em si, no começo de tudo.

baixou a cabeça,
em si e com o que,

e mergulhou fundo.



ela brilhava,
já,
discreta, distinta, altiva
- senhora de sentir.





batia-me forte o presente,
como se quisesse existir de repente
em tudo o que sou
sei ser
e querer
viver
fora

como se dentro.





à minha volta
- de tão perto,
eu -,
a orquestra.....




enleio.




enlaço.




abraço.




partilha.













depois,
depois da espera discreta
ansiosa
viva
pelo tempo de preisner,
a voz.....




a voz de teresa
a arrebatar-nos de nós.

do que é
ser-se
só
em sentir.
para
sentir.



" understand the season,

understand your mind.

let yourself feel contact,

closeness that we find

mute as if enchanted.

days pass by in streams

leaving nought behind but

silence, night and dreams. "


(da bíblia sagrada, in "silence, night & dreams")



...





quando se recolhe ao silêncio
teresa é parte da música.

funde-se nela.




e todos

todos

somos marionetas de sentir

nas mãos dançantes de preisner.



...






do silêncio nasce a harpa.

e a noite
ali

não é já (d)o tempo.







real como os sonhos,
a flauta que me há-de ser sempre preisner,
sempre a fundura do ser.


..



e de novo teresa.
em voz-onda,
marulhar de todos os sentires.




...




olho-a fundo.
sou lágrima (d)e orgulho por ela,
neste meu longe que a vejo partilhar.

por tudo o que,
ela.



.




um coro se junta a nós
- vozes imensas de força
que se juntam à flauta de preisner,
ao piano de preisner,
aos violinos,
a todo e cada um de seus toques de sentir.






e minhas asas livres,
desenlaçadas,
assim...

como se fácil,
sempre.


eu que
agora
vôo
também.


e choro, dentro.

tremendo-me
corpo e sentir

neste embalo de força viva.








..






a música termina.

no ar,
o eco silencioso do sentir exacerbado,
indomável,
em verdade,
presença
e vida.




preisner vira-se muito
e ainda mais
lentamente
para o público.




olha-nos.

sente-nos.



e recebe
verdadeiro e humilde
- como
e com
teresa -
a nossa gratidão.














....






("peterborough, 03.xii.07

sinto muito.

sinto tudo.

a música de preisner abre-me os sentires à vida
a voz de teresa traz-me essa vida em mar...


e é dentro de mim que viajo.

por sua mão.

em paz.


(no) silêncio

(em) noite

(d)e sonhos." )












" 5, 13-14

you are salt to the world
you are light for all the world

don't be afraid


7, 7
ask, and you will receive
seek, and you will find
knock, and the door will be opened

don't be afraid


7, 13
enter by the narrow gate
the gate is wide
that leads to perdition

don't be afraid
be faithful
go "


(de the envoy of mr. cogito, de zbigniew herbert)





...







e não tenho medo...


















e vou.































e sou.

quinta-feira, novembro 08, 2007

longe, em aniversário






















(edvard munch, puberty)





" ...and that's the day i knew there was this entire life behind things, and...
this incredibly benevolent force, that wanted me to know there was no reason to be afraid, ever.
(...)
i need to remember...
sometimes there's so much beauty in the world i feel like i can't take it,
like my heart's going to cave in.
"

(do filme american beauty)




..





escrevo neste longe como quem escreve em casa.

tudo me é paz, força e vida
neste momento de tempo.
instante.

toques novos que me levam ao que sou,
me beijam em murmúrio o ouvido,
me acordam de certeza e sorriso.


guardo tudo para que o lembre,
mais tarde,

a este tempo parado

suspenso

em dislumbre
e maravilha

de ser-se humilde


como a vida.

























(bogdan zwir, butterfly)



...


na ausência do toque
do mar
dos outros
(re)escrevo-me.
lembro tudo o que sou
sinto
vivo.


mesmo se longe.
mesmo se aqui.
mesmo se na distância
dorida
de um
qualquer
não-abraço.


..


sei que vivo

viva.



e isso me é tudo.


que a cada passo
a cada gesto
a cada toque de maravilha adormecida
eu seja
sinta
exista
na paz marulhar
de ser verdade na vida.
















(ana nicolau)

terça-feira, outubro 30, 2007

esperança (d)e vida










anoitece.











....












é cedo

e anoitece.








....



























(brian wiles, dawn)









há vozes que me chamam e falam mais que a minha língua...



vêm de todos os lados
e são como vidas que me trazem a vida,
me lembram a doçura da humanidade fugaz,
me fazem acreditar que é sempre possível ser-se melhor...



(assim sorrimos de tudo
frente a um arco-íris chovido que invade a cidade cinzenta,
uma lua cheia que respira todo um campo de folhas sonhadas, caídas em côr,
um sol que nu e vermelho mergulha em água e sal de mar...

assim nós.
como quem olha a vida nos olhos e vê para além dela.

..

para além do que.)




aceitar quem dói,
aceitar a ausência,
aceitar escolhas e escolher
escolher
sorrir sobre tudo.

..

sobretudo sorrir.



ser verdadeira ao olhar que procura, deixar que entre nos olhos, por pouco que seja,
que entre, se sente à beira, como se.
deixar-se invadir pelas palavras que tocam,
levam o pensar sem que se pense,
fazem voar de intimidade a desconhecida distância.
hesitar, ainda, na entrega da verdade,
em verdade,
a entrega antes da paz, dentro,
porque não-paz esta serenidade que o não é,
porque não-completa, inteira,
ainda...
mas deixar,
deixar que os olhos.
beber das palavras, saborear-lhes o toque,
em segredo.
deixar que confortem
e possam ser
a vida
que se faz.



acordar a cada dia e sorrir,
sorrir só,
sorrir com,
em alegria de vida.

pela vida.

na vida.





e assim
ser
cada segundo.















...













isto
assim,
neste preto e branco de côr,
vejo eu,
faço por,
quando olho em frente.

comigo,
em mim,
na travessia do presente.

com tudo o que (não) ficou para trás.

..


ainda se sente.










...





assim eu,
no mundo,
em sal de saudade,
vida e verdade.


assim eu,
em mim,
em teimoso renascer
- como quem refaz e relembra
a cada noite
o amanhecer.

































































(imagem de bogdan zwir)





























" os desejos mais puros e ardentes do coração
são sempre realizados. "


(mohandas k. ghandi, in
"a minha vida e as minhas experiências com a verdade")

quarta-feira, agosto 29, 2007

olhares (d)e marulhos: fim.de.semana.

sexta-feira:
mudança


fora





























dentro





à volta.
em tudo.























sábado:
regresso ao futuro


de autocarro
em turismo e self-discovery
pela minha londres























































a pé
em mim
pela sua
minha
camden













































e neste seu velho
- meu novo -
espaço e canto de mim.





























domingo:
calma e conforto


dados
























recebidos
























































e partilhados.

















no fim
do fim
da semana,
da flor apanhada do chão
no seu início
- assim largada
sem vento ou cuidado,
guardada com(o) lembrança
num caderno que não olha o passado -,
este (re)nascimento,
em água acarinhado: