assim me trazes às palavras, com este presente de tanto nas asas do sentir,
em que
"se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc., que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à web.
quem recebe o “prémio dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:
1. - exibir a distinta imagem;
2. - linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. - escolher quinze outros blogs a que entregar o prémio dardos. "
" que tipo de diário gostaria que o meu fosse?.... algo pouco formal, e ao mesmo tempo não desmazelado. tão elástico que abranja qualquer coisa - sólida, ligeira ou bonita - que me venha ao pensar. gostaria de o assemelhar a uma grande secretária velha, ou a uma mala espaçosa, para a qual se atira todo o tipo de coisas sem olhar. gostaria de a ele voltar, após um ou dois anos, e descobrir que a colecção - como acontece misteriosamente com estes depósitos - se refinou e a si mesma organizou num molde, transparente o suficiente para reflectir a luz da nossa vida, mas ao mesmo tempo uma amálgama estável e tranquila "
(virginia woolf, a writer's diary)
...
" sabe aquele blog do tipo que, apesar da sua vida corrida, com milhões de relatórios pra entregar, clientes pra recepcionar, patrão te enchendo o saco, você não pode deixar de dar uma olhadinha para conferir as novidades? aquele blog que você lê todo santo dia, mesmo que não haja novidades? aquele tipo que, no trabalho, ou numa caminhada, ou num churrasco entre amigos, você não vê a hora de acessar a internet pra dar uma olhadinha? enfim... pra atalhar... aquele blog que não te sai da cabeça??? presenteie, então, o autor desse blog com esse selo..."
...
"este diário é o meu cachimbo de erva, haxixe e ópio. é a minha droga e o meu vício."
há vozes que me chamam e falam mais que a minha língua...
vêm de todos os lados e são como vidas que me trazem a vida, me lembram a doçura da humanidade fugaz, me fazem acreditar que é sempre possível ser-se melhor...
(assim sorrimos de tudo frente a um arco-íris chovido que invade a cidade cinzenta, uma lua cheia que respira todo um campo de folhas sonhadas, caídas em côr, um sol que nu e vermelho mergulha em água e sal de mar...
assim nós. como quem olha a vida nos olhos e vê para além dela.
..
para além do que.)
aceitar quem dói, aceitar a ausência, aceitar escolhas e escolher escolher sorrir sobre tudo.
..
sobretudo sorrir.
ser verdadeira ao olhar que procura, deixar que entre nos olhos, por pouco que seja, que entre, se sente à beira, como se. deixar-se invadir pelas palavras que tocam, levam o pensar sem que se pense, fazem voar de intimidade a desconhecida distância. hesitar, ainda, na entrega da verdade, em verdade, a entrega antes da paz, dentro, porque não-paz esta serenidade que o não é, porque não-completa, inteira, ainda... mas deixar, deixar que os olhos. beber das palavras, saborear-lhes o toque, em segredo. deixar que confortem e possam ser a vida que se faz.
acordar a cada dia e sorrir, sorrir só, sorrir com, em alegria de vida.
pela vida.
na vida.
e assim ser cada segundo.
...
isto assim, neste preto e branco de côr, vejo eu, faço por, quando olho em frente.
comigo, em mim, na travessia do presente.
com tudo o que (não) ficou para trás.
..
ainda se sente.
...
assim eu, no mundo, em sal de saudade, vida e verdade.
assim eu, em mim, em teimoso renascer - como quem refaz e relembra a cada noite o amanhecer.
(imagem de bogdan zwir)
" os desejos mais puros e ardentes do coração são sempre realizados. "
(mohandas k. ghandi, in "a minha vida e as minhas experiências com a verdade")
tenho um caderno, ainda, hei-de ter sempre, onde escrevo quando me inundam tanto os sentires que não posso segurá-los dentro, e assim os (re)vivo na escrita, como quem liberta fantasmas, sacode a dor dos ombros, recebe em si mesma sons e silêncios de vida.
às vezes sem caderno ou papel, sem caneta ou, noto um escrever constante. - escreve-se sempre dentro de mim.
..
são muitas as noites, às vezes tardes, em que me sento a esta mesa, puxada pelas palavras desse caderno ou por outros mesmos sentires ainda não escritos e aqui deposito o que me vai dentro, às vezes de forma tão violenta que me sangram quase os dedos, outras tão de mansinho que podia chorar. como se, como num, como no nu caderno.
escrevo neste espaço como quem se senta em frente ao mar e lhe oferece o sentir, lhe dá o choro a ouvir, se ri, sorri, a medo, de vida com ele.
leio as ondas que me chegam à praia como quem colhe conchas, uma a uma, devagar, lágrimas como_vidas no rosto e nas mãos, abismada pelas tantas cores em que lhe adivinham e reforçam vontades, suspiram dizeres escondidos, relembram segredos de vida.
.
por isso te agradeço, a ti, por tudo o que disseste e me fizeste sentir.
e por isto...
“é um prémio especial para mulheres que, na sua escrita, mostram uma preocupação pelo mundo à sua volta e ainda conseguem dar um pouco de si e dos seus sentimentos e com isso tornar mais leve a vida dos outros. este prémio foi feito para mulheres, mães e profissionais que espalham a palavra de uma forma emotiva e cativante. que nos falam da guerra mas também do amor”.
porque escrever é só o que mais dentro sou, muito mais às tantas vezes do que o que falo, digo, mostro - e está em ti a leveza das palavras que lês.
por me mostrares, também tu, a partilha, essa benção que descubro dentro e me faz descobrir tudo o que.
me descobre, segura.
...
a todos vocês que aqui vêm, me tornam leve, e a mim mesma devolvem em ondas de palavras, quando o escuro e a dor lutam por roubar-me à escrita, o meu tanto obrigada.
sim, tens razão: eu sabia. ou talvez esperasse saber, tivesse a esperança de. e secretamente o sentisse, já. em ti. como tu em mim, logo, desde a primeira palavra de imagem.
também eu amei inteira e toda me dei, em tudo, e tanto mais do que pensei e quis ser capaz. também eu amei com o futuro e o passado presentes em mim, amei de olhos abertos, até mos cegar quem mos roubou ao deixar de olhar-me.
por isso, sim, os nossos amores foram, são ainda, por mais que, iguais de vida, personagens, desilusão. tão iguais....
igual agora este vazio de vivermos perdidas em nós, quebradas e gastas pelo ardor do sal, neste labirinto de pele e saudade onde já não sabemos sentir o caminho de volta ao que somos, fomos quando, antes de. - é como que se vive feliz sem essa vida inteiramente repartida, amada em sangue, água e entrega?....
e este saber que não há nada que possamos fazer para trazê-la de volta. e o não-saber já se, anyway...
e não haver nada que cale ou alivie a crueldade de terem violado os sítios do nosso amor - como foi que puderam, esses locais de tudo que acreditámos serem nossos, para sempre, mesmo se, mesmo agora?... -, onde nos entregámos e fomos tanto mais do que simples mortais, nós, vivas de amor e futuro. nada que pare a faca de mágoa de os vermos constantemente aprisionados em imagens de outras mãos, outro alívio, em força e sentires que não nascem já das memórias do nosso amor, que é destronado sem mais nada, sem que se pare um pouco sequer, um momento só de respeito à lembrança do que ali vivemos e entregámos, como se nada, ninguém mais no mundo senão nós.
...
mas um dia - eu to prometo para além destas lágrimas que me choram as veias do corpo por si mesmo abandonado - será também nossa a paz maior de viver sem o seu amor. para sempre. como quem, agora, sem nós.
prometo.
por mais dor o negro das azeitonas e o vermelho das papoilas que aos pares.
eu to prometo. nos.
until then,
my friend of hidden face and feelings,
let us breathe.
( " help, i have done it again i have been here many times before hurt myself again today and the worst part is there's no-one else to blame
be my friend hold me, wrap me up unfold me i am small and needy warm me up and breathe me
ouch, i have lost myself again lost myself and i am nowhere else to be found, yeah, i think that i might break lost myself again and i feel unsafe
be my friend hold me, wrap me up unfold me i am small and needy warm me up and breathe me
be my friend hold me, wrap me up unfold me i am small and needy warm me up and breathe me " )
no 2º aniversário destes marulhos aletrados, uso as palavras de então, como que um obrigada a ela, uma partilha com todos os que.
porque este é para mim um meme* que tento tento muito
lembrar
sentir
saber
todos os dias.
" O Sonho
Pelo Sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não haja frutos, pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos. Basta a esperança naquilo que talvez não teremos. Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Somos. Vamos. "
...
obrigada a todos os que visitam esta praia e nela generosamente desenham ondas de palavras.
uma semana cheia de sonhos para todos.
mais que isso que todos os dias vos sorriam na coragem para sonhar.
por mais que doa impotente e cansada a realidade delirante.
por mais que sangre gota a gota uma essa desilusão constante.
por maior o abandono frio em vida, arrepiante.
...
pelo sonho iremos vamos sempre.
(meme: Um *meme é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".)
(poema de sebastião da gama. imagens: rosa meditativa, de salvador dali e la grand famille, de rené magritte.)
comecei este blog sem razão única ou definida. aos poucos sem que por isso desse tornou-se como que um diário. desses de confidência, onde escrevo o que sinto o que acho saber o que quero lembrar.
porque os tempos mudaram e mudei também eu - eu que agora acho tão bonito tão humano (e saudável...) a partilha de nós - esse diário partilha-se. parte dele. parte de mim. partilhada.
...
por isso tanto me tocou comoveu enterneceu que ela me tivesse escolhido como um dos blogs que a faz pensar. porque o dela o faz a mim. como me faz sentir. viver em poesia a vida.
como sinal de gratidão - porque nada mais sei - o logotipo aqui ao lado a lembrar-me sempre a bondade das suas ondas quando escuta marulhos. quando se senta na praia e os fica a ouvir. a lembrar-me sempre esse seu espaço, onde deixa faz voar quem por lá passe.
....
era suposto eu escolher cinco blogs que mo façam a mim.......
não consigo.
são demasiados. há demasiadas asas demasiados céus por essa internet fora.
mas porque não quero "guardar" este "prémio" para mim, nomeio sim um blog.
sem esse blog este não existiria.
nesse blog com esse blog pensa-se. sente-se. aprende-se. vive-se.
nesse blog uma rapariga que foi mãe e não deixou por isso de ser ela.
uma mãe que ama mas não cega. que abraça mas liberta.