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sábado, dezembro 13, 2008

round here









encontro amigos.

reencontro-me
neles.

no que somos
nós.


abro meu olhar
e sou-me eu,
aqui.
sem o medo,
a solidão
- estátuas de água que desenho e habito...


estendo mãos,
encontro abraços.


sorrio fora
e é dentro que me marulha a vida.


em embalo de ternura
e gente de olhos que me dançam mar.
em força
nudez
coragem.




.






partilho meus marulhos com quem me é maré que enche.
e vaza.
e é vida
de sentir.











em tudo a partilha da verdade.

os sorrisos.

as mãos.

os olhos.

as lágrimas de dor imensa que em mim tatuam uma outra vida.
dentro.
em certeza de sangue.

de ser.


sermos
juntos.

em passo de pôr-do-sol
e floresta.
por lagos
e por risos
e por nós

e ser-nos tudo
esse tanto
de dar.


sem pressa.


tão devagar....


um só
nada
a medo.





até à praia nova
desta gente
que me encontra
me encanta
me descobre.
















..


















(e dizem
dizem
que é isso a vida...)






sexta-feira, agosto 15, 2008

(meu) país de gente e mar










" Tudo me prende à terra onde me dei:
o rio subitamente adolescente,
a luz tropeçando nas esquinas,
as areias onde ardi impaciente.


Tudo me prende do mesmo triste amor
que há em saber que a vida pouco dura,
e nela ponho a esperança e o calor
de uns dedos com restos de ternura.


Dizem que há outros céus e outras luas
e outros olhos densos de alegria,
mas eu sou destas casas, destas ruas,
deste amor a escorrer melancolia. "


(eugénio de andrade, canção breve)

















...











vejo o caminho.





sei-o inteiro, e sei onde vai dar.



a que mar de terra e gente minhas.








medo da vergonha?


vergonha do medo?






o mesmo tremer do frio de entrar no mar
- a vida toda em desejo suspenso
no tempo esperado de meu mergulhar.





mais que rainhas e príncipes
trago na mala as fadas que me sabem as asas
em certeza, dignidade de sentir.



sou todos os que enterrei,
todos os que em mim nasceram
- tatuadas sementes de meu chegar e partir.








.










ouço(-me) no vento.


como se meu o nome que alguém.



como um chamar sonho à vida
que ninguém mais
ninguém mais
tem.
























...














agora,

longe e perto,

tenta-se a humildade:














vive-se.
















.
















(imagem primeira: ana nicolau, autoretrato2007
imagem segunda: eduardo gageiro
imagem última: haleh bryan, dani-blue)



sexta-feira, agosto 01, 2008

" do outro lado do espelho "








" i know who i was when i got up this morning,
but i think i must have been changed several times since then. "




(lewis carroll, alice's adventures in wonderland)






...















" A criança fecha os olhos no muro
Conta o tempo que os amigos demoram
A transformar-se

Fecha os olhos no interior dos números
Olha para dentro e em redor e encontra-se
A si mesma
A criança pergunta se há-de ir ter consigo

Ela quer encontrar os amigos, ela quer
Que lhe respondam. Ela calcula a voz alta
A altura do muro, a progressão do silêncio "


(daniel faria)






..




ruela, marulhos
















(...)



if you knew that love can break your heart
when you're down so low you cannot fall
would you change?

would you change?






how bad, how good does it need to get?

how many losses? how much regret?

what chain reaction would cause an effect?

[that] makes you turn around,

[that] makes you try to explain,

[that] makes you forgive and forget,

[that] makes you change?









makes you change














if you knew that you would be alone,
knowing right, being wrong,
would you change?

would you change?











if you knew that you would find a truth
that brings up pain that can't be soothed
would you change?

would you change?






how bad, how good does it need to get?

how many losses? how much regret?

what chain reaction would cause an effect?

[that] makes you turn around,

[that] makes you try to explain,

[that] makes you forgive and forget,

[that] makes you change?









makes you change















are you so upright you can't be bent
if it comes to blows?


are you so sure you won't be crawling?


if not for the good, why risk falling?


why risk falling?











if everything you think you know,
makes your life unbearable,
would you change?

would you change?










if you'd broken every rule and vow,
and hard times come to bring you down,
would you change?

would you change?






(...)














..













...













the end is not near, haleh bryan











.













(imagem primeira: sue blackwell, alice through the looking glass
imagem quinta: thespeak, thinking
imagem nona: lachlan humphreys, change
restantes imagens: haleh bryan
música e letra: tracy chapman, change)

sábado, abril 19, 2008

(em) mudança



por esta janela que me abre (a)o escrever
vejo e sinto os passáros que a meu lado voam.
comigo.
eu neles.



nessa outra, onde adormeço em estrelas e acordo na côr do dia, o canto de gaivotas trouxe-me já o mar em sorriso de acordar. o mar que provo também nos olhos quando mergulho em todas as memórias que solto neste espaço novo, algumas tão longe dos dias de hoje, fechadas nestes quadrados guardiões dessa vida a que regresso agora, só agora, um ano e meio depois, todo este tempo trancados para que a mim encontrasse, finalmente, eu, no que sou e sinto e vivo.
sem nada mais.
e tanto, afinal....



abro cada caixote como quem volta ao passado.


volto.



abro fundo esse tempo de antes
e nele passeio
sem rede ou volta marcada.









mas regresso sempre.
regresso sempre a quem sou.

para além do que é não-saber.




















vivo (n)a vida.





deixo que me viva.









sou e respiro o que voa (n)o tempo.



o que me trago
eu
nele.







(dreaming about wings, bogdan zwir)










..







" (...) não pensemos mais: esta é a casa:

tudo o que lhe falta será azul,

agora só precisa de florir.

e isso é trabalho da primavera. "


(pablo neruda)















(nesta casa nova de mim,
é tão forte às vezes o vento nas janelas...

e é só
só
um segundo andar..



....



mas é bonito.

às vezes lembra-me a noite do mar.




como se perto da praia,
quando fecho os olhos
e respiro em mim seu marulhar.)











( " eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome
- cores de almodovar, cores de frida kahlo,
cores...

passeio pelo escuro
- eu presto muita atenção no que meu irmão ouve;
e como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora

- ah, eu quero chegar antes...
pra sinalizar o estar de cada coisa,
filtrar seus graus

eu ando pelo mundo divertindo gente,
chorando ao telefone..
e vendo doer a fome dos meninos que têm fome


pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle....


eu ando pelo mundo
e os automóveis correm para quê?
as crianças correm para onde?

transito entre dois lados
de um lado
eu gosto de opostos...
exponho o meu modo,
me mostro


- eu canto para quem?





pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle....


eu ando pelo mundo
e meus amigos....
cadê?
minha alegria, meu cansaço?..

meu amor cadê você?
eu acordei
- não tem ninguém
ao lado


pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle....


eu ando pelo mundo
e meus amigos....
cadê?
minha alegria, meu cansaço?..

meu amor cadê você?
eu acordei
- não tem ninguém
ao lado


pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle.... " )




















desenquadro.


desprendo.


desenlaço.












me.























.












agora


agora

volto


ao abraço do sorriso

à magia da infância

ao viver (d)o mar









regresso(-me) à terra de mim

para beber o abril

que me é côr de voar

















(imagem de autor desconhecido. sadly.)

terça-feira, outubro 30, 2007

esperança (d)e vida










anoitece.











....












é cedo

e anoitece.








....



























(brian wiles, dawn)









há vozes que me chamam e falam mais que a minha língua...



vêm de todos os lados
e são como vidas que me trazem a vida,
me lembram a doçura da humanidade fugaz,
me fazem acreditar que é sempre possível ser-se melhor...



(assim sorrimos de tudo
frente a um arco-íris chovido que invade a cidade cinzenta,
uma lua cheia que respira todo um campo de folhas sonhadas, caídas em côr,
um sol que nu e vermelho mergulha em água e sal de mar...

assim nós.
como quem olha a vida nos olhos e vê para além dela.

..

para além do que.)




aceitar quem dói,
aceitar a ausência,
aceitar escolhas e escolher
escolher
sorrir sobre tudo.

..

sobretudo sorrir.



ser verdadeira ao olhar que procura, deixar que entre nos olhos, por pouco que seja,
que entre, se sente à beira, como se.
deixar-se invadir pelas palavras que tocam,
levam o pensar sem que se pense,
fazem voar de intimidade a desconhecida distância.
hesitar, ainda, na entrega da verdade,
em verdade,
a entrega antes da paz, dentro,
porque não-paz esta serenidade que o não é,
porque não-completa, inteira,
ainda...
mas deixar,
deixar que os olhos.
beber das palavras, saborear-lhes o toque,
em segredo.
deixar que confortem
e possam ser
a vida
que se faz.



acordar a cada dia e sorrir,
sorrir só,
sorrir com,
em alegria de vida.

pela vida.

na vida.





e assim
ser
cada segundo.















...













isto
assim,
neste preto e branco de côr,
vejo eu,
faço por,
quando olho em frente.

comigo,
em mim,
na travessia do presente.

com tudo o que (não) ficou para trás.

..


ainda se sente.










...





assim eu,
no mundo,
em sal de saudade,
vida e verdade.


assim eu,
em mim,
em teimoso renascer
- como quem refaz e relembra
a cada noite
o amanhecer.

































































(imagem de bogdan zwir)





























" os desejos mais puros e ardentes do coração
são sempre realizados. "


(mohandas k. ghandi, in
"a minha vida e as minhas experiências com a verdade")

quarta-feira, agosto 01, 2007

self-encouragement. as a reminder.


em dia de (nova) partida.
até mim.

porque parto de dor nos olhos.
(parte de lágrimas sem voz ou falar...)
mas parto inteira.
(parte cheia...)
a latejar.




















" Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser assim?...

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser assim?...

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar "



(antónio variações)



....



















(imagem: departure, de NguyenDinh Dang)

terça-feira, julho 24, 2007

passo de dança. quieto.






















“ Tudo


Tudo me é uma dança em que procuro
A posição ideal,
Seguindo o fio dum sonhar obscuro
Em que do bem, às vezes, nasce o mal.

À minha volta sinto naufragar
Tantos gestos perdidos
Mas a alma, dispersa nos sentidos
Sobe os degraus do ar... “

(sophia)



porque não deixei que a revolta superasse o ser humana,
porque não deixei que o mau-sentir me sujasse coração e palavras,
porque não deixei que a hipocrisia de outrém ferisse quem sou,
eu ontem fui mais além
no caminho
- mais me-importante
que qualquer outro -
de tentar
sempre
ser uma pessoa melhor.

e isso enche-me de uma
quieta
certeza de vida
que me faz respirar
de sorriso
dentro.

nevertheless.

















(imagem: far away from home, de diong)

quarta-feira, abril 04, 2007

against all odds.

















nevertheless.







.......





segunda-feira, março 12, 2007

life's a beach...














and then you live.



















(imagem: costa da caparica, 11.03.07)

quarta-feira, julho 12, 2006

self-reminder.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

monkey











sinto-me bem em mim.
devo-o, sem dúvida, à companhia onde trabalho agora (www.monkeykingdom.com).
às pessoas com quem trabalho e (con)vivo lá.
continuamente, desde o primeiro dia, na entrevista, sorrisos que valem palavras.
em mim.
por mim.

este sentir que pertenço, faço parte.
ser tratada como uma deles, com toda a individualidade que isso pode, deve, permitir.

...

...

mais que sorrir no trabalho, sorrio no caminho ate lá.

sinto-me forte.
aqui e aí.

sinto-me viva.




gosto mesmo muito do sítio onde trabalho.

...

...

e gosto mesmo muito de viver.

:'o)