sábado, abril 12, 2008
sábado, abril 05, 2008
(em) descoberta
" i wonder if i've been changed in the night?
let me think. was i the same when i got up this morning?
i almost think i can remember feeling a little different.
but if i'm not the same, the next question is
'who in the world am i?'
ah, that's the great puzzle! "

..
abrando o tempo.
o corpo obriga-me a olhar a alma.
olho quem sou
de olhos abertos.
não vou passar
perder
mais
(o) tempo
a esquecer
o que esquecer
nada trará.
por mais a dor de ir
sem poder deixar caixa,
água,
redoma.
sorrio à vida.
ao que nela existe
em verdade
e justiça.
lembro o que quero.
o que amo.
e sigo em frente.
con_tudo.
devagar.
sem correr.
sem correr mais.
sem correr senão para sentir no corpo
o vento que me sorri vida e mar.
sabendo
tão só
tão fundo
o tudo que me é embalo de voar.

...
and she squeezed herself up closer to alice's side as she spoke. "
(lewis carroll, alice's adventures in wonderland)
(imagem primeira: day will come, de haleh bryan
imagem última de gundega dege)
marulho de nana às 20:52 24 ondas
búzio dentro da amizade, da amizade que, da música que é dentro, do amor, do amor à vida, do recomeço que a vida molda, dos livros de vida
sexta-feira, março 28, 2008
da imobilidade: "on hold"
(in physical pain)
não me mexo.
a mim própria pus aqui, assim a mim deitei
e agora não consigo retomada a força para voltar.
para fazer frente ao risco imprevisivel e gritante da dor física,
e voltar.
condenada pelo corpo, liberta pela mente, mantenho-me aqui, sem ousar mexer um sopro sequer.
dói(-me).
mesmo.
a parede que olho obrigada é vazia.
o medo, agora, também.
como o é, no fundo, esta dor que me passeia as costas.
por isso sorrio.
fecho os olhos e sorrio.
para que mais sorrisos a este se sigam.
para que se mantenha.
me mantenha.
em verdade.
por mais o que é físico e.
olho à volta, dentro:
esta é a minha casa.
a minha vida.
que construo, eu.
eu.
agora.
o corpo aperta
a saudade dói
mas ainda assim,
ainda assim,
neste momento,
a cada momento,
sentir o que me é força dentro,
o tudo que - lembram-me - construí,
o tudo que sou, tenho, quero, faço,
- o coração a bater diferente mas a bater, ainda assim, a respirar a medo, ainda, mas -,
e dizer
sentir
dizer
eu
- neste momento
este de agora
agora
em que estou,
aceito
e quero
só
estar
ser
aqui
assim
imobilizada
quieta
presa em mim
livre em mim
a aprender
a viver(-me).
marulho de nana às 19:21 23 ondas
búzio dentro do amor à vida, do meu corpo, do recomeço que a vida molda
sexta-feira, março 21, 2008
"a cura"
wembley arena, 20.marco.2008:
foi a medo ainda que ali destinei o dia.
apesar de tudo,
a pesar, tanto, tudo,
decidi-me por mim.
como quem.
e fui.
era muito o sentir de ali estar, eu na noite de tanto que era, eu a ir ouvir lembrancas caseiras naquela cidade estrangeira, estrangeira eu, ali, e no entanto parte, tao parte de tudo aquilo, tao parte de tudo e todos...
em londres, por que razao for, sinto-me sempre como que em casa.
ah minha volta, gente de idades muitas, todas ah volta da minha, como se um so, nos.
e o bom que eh saber-se, sentir-se, ser-se parte de.
em semelhanca.
semelhantes, la.
como sempre na vida, afinal.
por mais que o esquecamos.
as luzes diminuiram e o sentir aumentou. as primeiras notas que soam, e eu a deixar-me ir com elas, para alem de mim, ah espera do que fosse, por maior o medo do que traria o recordar. da dor que, hoje, nao pode senao vir com ele.
antes de mim, o sentir a reconhecer a musica. aquele primeiro "beat", depois, que nem flecha direita a mim. como se nada mais, ninguem mais ali. eu so. com a dor do que.
e os olhos imediatamente - sem aviso ou autorizacao - a encherem-se de agua, sem que eu nada controlasse, eu que tao pouco, porque a vida tanto, tao pouco choro por mim, eu ali de lagrimas nos olhos, sem medo ou vergonha de ninguem, nem sequer de mim, eu que solucava dentro, sentia-me a, mesmo se a lagrima presa pelo que nao sei dizer, sem cair, recusando-se a chorar o que fosse.
ali se aguentou, todo aquele tempo de musica sem palavras, tempo tao longo de choro suspenso.
com a voz de robert, essa voz que me entra tao fundo, me marca tao dentro, me tanto canta o sentir, o desabar do choro nessa unica lagrima. essa so. nenhuma mais. "plainsong". a mesma que tantas, tantas vezes ouco dentro de mim, sem que de lugar algum venha senao dai.
e apercebi-me, veio-me devagar, ao longo da musica, que me libertava. aquela noite, sendo o que, a dizer-me que me libertasse. que a vida eh minha, e uma so. que quem amamos ahs vezes eh quem julgamos ser, nao quem eh de verdade, tao longe, longe do que (nos) foi, hoje.
por mais que reconheca, eu, ainda, as vezes sempre, o tanto que, em determinados gestos, olhares, momentos.
o que eh mais, que eh presente - ou nao -, o de sempre, de todos os dias, de cada dia, nao eh, nao eh ja (n)o que se amou.
quem se amou
nunca
nao
nunca
desta maneira.
"i think it's dark and it looks like rain"
you said
"and the wind is blowing like it's the end of the world"
you said
"and it's so cold
it's like the cold if you were dead"
and then you smiled
for a second
"i think i'm old and i'm feeling pain"
you said
"and it's all running out like it's the end of the world"
you said
"and it's so cold it's like the cold if you were dead"
and then you smiled
for a second
sometimes you make me feel
like i'm living at the edge of the world
like i'm living at the edge of the world
"it's just the way i smile"
you said
e noto,
noto,
no fim,
que sou eu quem diz.
e eh meu,
foi meu sempre,
para além da partilha,
o sorriso.
o mesmo que agora.
agora.
..
nevertheless.
marulho de nana às 18:35 17 ondas
búzio dentro da música que é dentro
domingo, março 16, 2008
sangue (d)e sentir
e(m) tanta
tanta
dor
decido a lonjura
de mãos presas
e sentir atado
resolvo mudar-me
dentro e fora
deste olhar molhado
- a dor amordaçada
acorrentada ao passado
dos olhos de quem me soube ser,
nada:
um viver de vida
longínquo e amargurado
como se nada
nada nunca
nós
- maravilha de sentir encarnado
e eu não sei,
não sei mesmo
não sei tanto
- eu não sei como foi que fizeste
para que tudo te fosse apagado
" me,
i'm a part of your circle of friends
and we
notice you don't come around.
me,
i think it all depends
on you
touching ground with us.
but
i quit.
i give up.
- nothing's good enough for anybody else,
it seems.
and
i quit.
i give up.
- nothing's good enough for anybody else,
it seems.
and...
and being alone is the...
is the best way to be.
when i'm by myself it's the
best way to be.
when i'm all alone it's the
best way to be.
when i'm by myself
nobody else can say
goodbye.
e eu
agora
não vou
lutar mais
cedo
finalmente
ao teu silêncio
teu desapego
teu nem saber
que ferir
eu agora
sinto só
a imensa dor
do nada que traz
teu não-cuidar
e(m) injusto sentir
everything is temporary
anyway.
when the streets are wet
the color slip into the sky.
but i don't know why that means you and i are
- that means you and i....
i quit.
i give up.
- nothing's good enough for anybody else,
it seems.
but
i quit.
i give up.
- nothing's good enough for anybody else,
it seems.
and...
and being alone is the...
is the best way to be.
when i'm by myself it's the
best way to be.
when i'm all alone it's the
best way to be.
when i'm by myself
nobody else can say...
me,
i'm a part of your circle of friends
and we
notice you don't come around. "
...
..
.
marulho de nana às 23:20 17 ondas
búzio dentro da amizade que, do amor que não
quarta-feira, março 12, 2008
the (w)hole of 9 months

looking heavenward you cannot help but shed a tear... mournful... lonesome... a hole that screams out almost as loudly as the roar of the engines that pass overhead.
|
this is the missing man formation, whether flown with the wingman spiraling off into the great beyond, or flown consistently with that awful hole where a buddy should be *
...
missing.
(so much) more
than i
can say.
@-,-'-
* tirado daqui
marulho de nana às 04:45
búzio dentro da vida, daqueles que ficaram, das datas
segunda-feira, março 10, 2008
aeroporto
acordei de um sono de poucos minutos quando o autocarro se aproximava do seu destino intermedio, altas as horas da madrugada, altas como os sonhos do mundo que trago em mim.
entrei no aeroporto com a mala por companhia, a mala grande, essa de cada nova viagem, a mesma que, como eu, carrega desta vez o peso do espaco vazio que a torna, afinal, me tornara tambem, tao mais leve.
sentei-me numa cadeira demasiado perto da porta para que me nao acordasse de arrepio o frio que vinha de fora, da rua, de fora, e por isso, por isso so, olhei em volta com meus olhos de ver, meus olhos de procura, meus olhos seguidores da cor que nao conhecem ainda.
mais longe da porta, como que resguardado, um espaco com quatro cadeiras, onde dormia uma rapariga - talvez lhe chamassem mulher - numa ponta e uma senhora de idade - bonita de idade, pude depois ver de perto - na outra.
aproximei-me sob o olhar curioso e quase inquisidor da senhora mais velha. cheguei perto, escolhi a cadeira que partilhava um braco com a sua, e sorri. o sorriso entre estranhos eh do mais bonito e humano sentir que posso viver. sei-o desde que esse homem que nao conhecia me mostrou a forca da vida, me trouxe a forca minha, sem o saber, com seu sorriso aberto. sem o qual nao sei, eu nao sei que teria feito, se nao teria desistido - eu nao sei onde estaria hoje, que pessoa seria, sequer, sem o sorriso desse homem que nao sabe sequer o que.
por isso sorrio, sempre que posso - e pode-se sempre, no fundo... - a estranhos. porque talvez um dia, quem sabe, salve meu sorriso o viver, acreditar, de alguem.
sorrio sempre.
tento.
mesmo que me nao sorriam de volta.
como a senhora de idade, bonita de idade, e lenco na cabeca.
sento-me a seu lado mesmo assim, e encosto a cabeca ah parede, preparando-me para dar ao sono o tempo que interrompi antes ate de se soltar.
levanto a cabeca quando a ouco falar. eh ela quem mete conversa comigo.
comenta a minha bagagem.
eu respondo, a vontade do sono tao vergonhosamente maior que a da fala.
pausa.
"where are you flying to?"
comeco a sentir que nao eh talvez tempo de sono - sera por acaso que me sentei a seu lado?
"portugal", respondo - minha voz com cheiro de sal soh de sentir meu mar de raiz.
ela madrid.
que viaja muito. inglesa. "londoner". a falar-me de tantas terras onde esteve, gente bonita que conheceu quando sozinha, eu que sim, que as pessoas dao tanta cor a uma terra, lembro e falo e trago-lhe-nos minha africa. meu brasil dentro, tambem. que sim, sozinha vivem-se coisas diferentes, sao outras tambem as viagens, nao estariamos aqui agora, as duas, a partilhar calor (d)e humanidade se sos nao estivessemos. eu so, a maravilhar-me em cada ruga de sua cara, tantas e tantas e mais e mais, linda, ela, linda de vida e idade, so, aqui, neste bocadinho do mundo enorme a que nao hesita entregar-se.
penso, enquanto ela fala, lembro-me de pensar nos acasos, cada bocadinho de dia que nos trouxe a estas duas cadeiras de braco partilhado, nesta partilha de tempo em que falamos como quem sabe o silencio, rimos como quem sabe a dor.
ela levanta-se para ir. demoramos as palavras de encontro e desejo de alegria - que te sejam tao boas as viagens que fazes, pequena enorme mulher, que te seja tudo a viagem de ti...
parte.
encosto a cabeca para tras e sorrio, cheia de partilhar, esquecida do sono.
vejo primeiro a bengala, ao ve-la voltar atras.
"i forgot to say.... what's your name, should we meet again?....."
trocamos nomes.
e eu sei, com ela e por ela, que a maravilha de ser livre para tudo, o que vier e o que nao, ha-de ser-me ainda maior, tao maior que a desilusao...
e eh de novo, de novo quem nao conheco, quem me traz agua na vida, e me rega o coracao.
sábado, março 08, 2008
quinta-feira, março 06, 2008
operação
adormeceram minha mãe.
sem lhe contar história alguma ou segurar sua mão,
fizeram-na dormir por quanto tempo quiseram.
minha mãe é forte:
adormeceu de sorriso nos lábios,
em tremor o coração...
minha mãe é pura:
enquanto lhe abriam a pele,
sonhou com a voz da côr de sua terra,
os olhos daqueles que ficaram,
querendo quase abrir-se a si mesma,
a si mesma consertar, arranjar, curar,
como o faz sempre,
e aos outros,
em sua vida acordada.
ela me ensinou a força de quem é para eles,
quem se esquece de si
porque essas outras lágrimas,
outro precisar,
outro sofrer.
a cada dia,
sem desistir,
minha mãe luta por mim,
por minha força,
meu não perder-me de mim
nos fugidos (a)braços de quem não.
luta para que me (re)encontre em mim
sem esses outros que sabe terem optado
por ser-me dor e nada
– nada –
mais.
luta para que me veja e conheça como o faz ela.
que me olha.
vê.
reconhece.
lembra-me o valor que (lhe) tenho,
abre-me os olhos a quem está,
quem ama,
quem dá.
abre-me os olhos a mim.
ela que me ouve as lágrimas
e as suas cala
como ninguém.
..
minha mãe lembra-me que olhe por mim,
em recusa de muro,
em abrir de janela.
por isso hoje, aqui de longe,
reclamo minha (nova) vida
de olhos e sentir postos nela.

...
(imagem: mother and child, cathy rositano)
marulho de nana às 13:28 15 ondas
búzio dentro da familia
segunda-feira, março 03, 2008
(neste meu) 3 de março
para além do vazio deste dia distante
injusto
irreal
meu corpo arranha a memória de tudo
as memórias todas
em fúria cega de reavivar-te
ser criança contigo
ver-te ser tudo o que é incerto
pedir-te que faças de tudo isto mentira
(...)
e isto custar-me tanto,
custar-nos tanto,
ser-nos tão fundo a tua morte,
ser tudo tão estúpido,
de repente,
tudo tão sem razão de nenhum sentir....
no pouco que nos sabíamos,
para além do que.
(...)
suspensa.
entre zanga de morte
e certeza de vida.
..
e esta vontade
amputada
de te ouvir rir,
memória ida
em teus olhos
para sempre
fechados.

...
neste dia de hoje
essa saudade
de (já...) 15 anos,
tempo demais em teu nunca-regresso.)
(imagem: la muerte de casagemas, pablo picasso)
marulho de nana às 23:12 17 ondas
búzio dentro da vida, daqueles que ficaram, das datas
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
partida(s)

demorei-o no abraço de então.
eram imensos os dias de distância entre nós, as vidas que vivemos longe, o tudo que nos não foi partilha, as dores, os muros, as alegrias, as vitórias, as saudades do que fomos, o orgulho-às-vezes-vergonha do que somos, vamos sendo neste presente de dia acrescido.
este de hoje.
em que dou forma à partida de ti.

(when dream is gone, haleh bryan)
it ain't no use to sit and wonder why, babe
if you don't know by now
an' it ain't no use to sit and wonder why, babe
it'll never do somehow
when your rooster crows at the break of dawn
look out your window and i'll be gone
you're the reason i'm trav'lin' on
...
don't think twice, it's all right

it ain't no use in turnin' on your light, babe
that light i never knowed
an' it ain't no use in turnin' on your light, babe
i'm on the dark side of the road
i wish there was somethin' you would do or say
to try and make me change my mind and stay
we never did too much talkin' anyway
...
so don't think twice, it's all right

encaixoto a vida que aqui fui para a reabrir noutro lugar, outro espaço, meu, onde viverei de portas abertas, a deixar entrar o ar e os outros, a música que chega até ao silêncio dentro, que o faz cantar, me acorda de mansinho, me liberta, me devolve devagar (a)o poisar do sentir.

...
nesse outro lado de mim, agarro-me ainda ao que não tenho ou sei.
e não te deixo
nunca
morrer em meus sonhos.
..
morres-me só neste tudo
esta vida
este ser
de cada instante.

morres-me
só
todos os dias.

...
it ain't no use in callin' out my name, boy
like you never done before
it ain't no use in callin' out my name, boy
i can't hear you any more
i'm a-thinkin' and a-wond'rin' walkin' down the road
i once loved a man, a child i'm told
i give him my heart but he wanted my soul
...
don't think twice, it's all right

so long,
honey babe
where i'm bound, i can't tell
goodbye's too good a word, babe
so i'll just say fare thee well
i ain't sayin' you treated me unkind
you could have done better but i don't mind
you just kinda wasted my precious time
...
but don't think twice, it's all right
.
(imagens adicionais de cig harvey, katia chausheva e noronha da costa
poema: adaptação de don't think twice, it's all right, de bob dylan)
marulho de nana às 16:55 16 ondas
búzio dentro da amizade, da amizade que, do amor à vida, do amor que não, do recomeço que a vida molda
terça-feira, fevereiro 26, 2008
tempo de.

(faded memories, haleh bryan)
" é preciso arranjar outros
motivos
outras flores e astros
outras abertas
entre a chuva cansada de um outono
que não sabe já
qual é a terra certa
é preciso pensar outras imagens
outras fissuras, sítios
e cidades
pôr fim ao lamento deste vento
tentar tirar ao anjo
a túnica e o sabre
é preciso inventar outras paisagens
outros montes e águas
outras margens
abrir e expôr o coração
e finalmente deixar
correr as lágrimas "
(maria teresa horta)
fecho as lágrimas nas palavras
para que mais não chovam
sobre o dia de hoje.
porque o sorrir
(que)
aos outros.
a recusa em viver
(cega)
na dor.
..
fecho as lágrimas...
e invento.

(ben arieh)
...
(-me.)
marulho de nana às 15:17 15 ondas
búzio dentro da amizade que, da luta, do amor à vida, do amor que não, do recomeço que a vida molda
sábado, fevereiro 23, 2008
(da) escrita no sangue

vontade de pedir-lhe desculpa,
pela dor que vou trazer-lhe...
pelo fundo que será em si.

porque me dói a mim,
por ele.
...
porque isto das personagens.

..
(imagem primeira de autor desconhecido
imagem segunda retirada de istockphoto
imagem última de haleh bryan, a moment in time)
marulho de nana às 22:54 16 ondas
búzio dentro da escrita, de mim
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
fala-se de cuba...
e eu lembro reynaldo*:
"por que é que nós, a grande maioria do povo, e até os intelectuais, não nos apercebemos de que este era o início de uma nova ditadura, mais sangrenta até que a anterior? talvez nos tenhamos apercebido, mas o entusiasmo de saber que se é parte de uma revolução, que uma ditadura tinha sido deposta e tinha chegado o tempo da vingança, suprimiu as injustiças e os crimes que estavam a ser cometidos.
e não eram só as injustiças a ser cometidas: as execuções tinham lugar em nome da justiça e da liberdade e, acima de tudo, em nome do povo."
(*reynaldo arenas, antes que anoiteça)

(the scream, edvard munch)
.....
you cannot shake hands
with a clenched fist.
(indira gandhi)
.
|
marulho de nana às 09:49 21 ondas
búzio dentro do mundo que vemos e vivemos
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
touched
.
adj.
emotionally affected; moved.
.
" que tipo de diário gostaria que o meu fosse?....
algo pouco formal, e ao mesmo tempo não desmazelado.
tão elástico que abranja qualquer coisa - sólida, ligeira ou bonita - que me venha ao pensar.
gostaria de o assemelhar a uma grande secretária velha, ou a uma mala espaçosa, para a qual se atira todo o tipo de coisas sem olhar.
gostaria de a ele voltar, após um ou dois anos, e descobrir que a colecção - como acontece misteriosamente com estes depósitos - se refinou e a si mesma organizou num molde,
transparente o suficiente para reflectir a luz da nossa vida,
mas ao mesmo tempo uma amálgama estável e tranquila "
...
" sabe aquele blog do tipo que, apesar da sua vida corrida, com milhões de relatórios pra entregar, clientes pra recepcionar, patrão te enchendo o saco, você não pode deixar de dar uma olhadinha para conferir as novidades? aquele blog que você lê todo santo dia, mesmo que não haja novidades? aquele tipo que, no trabalho, ou numa caminhada, ou num churrasco entre amigos, você não vê a hora de acessar a internet pra dar uma olhadinha? enfim... pra atalhar... aquele blog que não te sai da cabeça???
presenteie, então, o autor desse blog com esse selo..."

...
"este diário é o meu cachimbo de erva, haxixe e ópio.
é a minha droga e o meu vício."
...
obrigada
a quem
generosamente
comigo (o) vive.
obrigada
a ti
pela bondade,
a presença,
a partilha.

(sky and water, m. c. escher)
...
marulho de nana às 20:01 17 ondas
búzio dentro da escrita, da partilha (não) virtual, de mim
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
"afin de ne pas vous blesser"

é como cair sabendo que se cai sem fundo...
olho para baixo e (re)vejo a escuridão crua da certeza do nada,
rocha inebriada que ganhou medo ao mar...
e no entanto:
de mão dada, vou.
caio como quem voa, mergulhada de felicidade e equilíbrio, o corpo que deixa de ser meu ou nosso, deixamos esse peso e amamos como quem repousa da vida, às vezes de nós,
tatuamos as mãos de areia em noites de lua e entrega
- o sangue que pulsa,
a água que nasce.
amamos na fúria do medo,
na injusta certeza do amor,
tão menos tudo que a vida...
e amamos em vôo.
amamos em vão.
porque poiso nenhum para este voar.
e tudo é sonho, afinal.
asas inteiras,
corpo,
e(m) queda.
sem o saber.
entregue
só
ao silêncio
agudo
do cair.
.

(silence, bogdan zwir)
- minha asa castrada...
foi quando que em terra escolheste
ser água, barbatana e mar?

(reunited with her thoughts, haleh bryan)
...
(imagem primeira, portrait, de haleh bryan)
marulho de nana às 21:00 17 ondas
búzio dentro do amor, do amor que não, do recomeço que a vida molda
terça-feira, fevereiro 12, 2008
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
re.vira.volta.
há aqui uma vida inquieta...
em mim.
deixo que por mim passeie, me conheça fundo, me possua até onde chega só a escrita, às vezes...
e o amor.
deixo que me encontre rios escondidos, que mos mostre, que avance por mim em toque de irreconhecível mestria.
peço-lhe que abra caminho, me deixe antever o que vem, para que possa aprender, abrir olhos no muro, saber-me sem toque no escuro, ela a dizer-me que sim, que vá, que faça, que seja...
que vá.
(transformation, bogdan zwir)
o homem que diz "dou" não dá
porque quem dá mesmo não diz
o homem que diz "vou" não vai
porque quando foi já não quis
o homem que diz "sou" não é
porque quem é mesmo é "não sou"
o homem que diz "tô" não tá
porque ninguém tá quando quer
coitado do homem que cai
no canto de ossanha, traidor
coitado do homem que vai
atrás de mandinga de amor
vai, vai, vai
- não vou
vai, vai, vai
- não vou
vai, vai
- não vou
vai, vai
- não vou
que eu não sou ninguém de ir
em conversa de esquecer
a tristeza de um amor que passou
não, eu só vou se for pra ver
uma estrela aparecer
na manhã de um novo amor...........................
.............
......
............
..amigo senhor, saravá,
xangô me mandou lhe dizer
se é canto de ossanha, não vá
que muito vai se arrepender
pergunte pro seu orixá,
o amor só é bom se doer
pergunte pro seu orixá
o amor só é bom se doer
vai, vai, vai
amar
vai, vai
sofrer
vai, vai, vai
chorar
vai, vai
dizer
que eu não sou ninguém de ir
em conversa de esquecer
a tristeza de um amor que passou
não, eu só vou se for pra ver
uma estrela aparecer
na manhã de um novo amor
(de canto de ossanha, vinicius de moraes)
persegue-me até à exaustão, a que quero ser - são altas as horas da noite, como ondas de vivas marés, quando de mim se apodera em promessas de um futuro qualquer, que é preciso, é preciso, agora, é preciso fazer, é preciso mudar, fazer pelo mundo que acolhe, oferecer em vida, fazer, fazer, é preciso fazer, furando a dor, usando a dor, que assuste, que seja tanto possível, mergulhar mais fundo, saber quem cá dentro, cá onde se é o que faz ser vida, mesmo se as vozes nada perseguem, se não calam o silêncio, se os conselhos nenhuns falam a sós por entre as paredes, se enrolam, ateiam, confundem, se este sentir em mim de mim me enleia, se me povoa portas e arcadas, me é peso de asa que reabre, reacende, repara, eu centro, centro de mim, espiral que ascende sem controlo ou destino em vôo de ser, de formas inexistentes, sítios que não sei, gente que nunca vi(vi), supera-me este sentir, sacode-me de meus próprios ombros, sacode-me o peso, a vida, caminha, caminha, caminha comigo, é preciso fazer, aqui, agora, mesmo se te ouves dentro, se te ouço eu, daqui, sem saberes que fazer, quando chega o depois que é futuro, que caminho, que começo, que partida, que partida, que partida do casulo que te dobra as costas, esse conforto em que te moldas como quem nada mais sabe, que partida do que te não basta, que janela para que mar, que partida da não-vida em ti.
(calmness in aggression, bogdan zwir)
....
ir
do que não sou.
ser-me
em mim.
marulho de nana às 03:00 18 ondas
búzio dentro do recomeço que a vida molda
domingo, fevereiro 03, 2008
a sós

sem amigo companhia ou criança que comigo percorra a solidão que hoje me fere sem cuidado ou respeito, invento um esquimó de terra distante e desconhecida, como se essa em que vivo esta agora tristeza, para que me ouça, me cale, me chore.
falo-lhe do acordar vazio, do não abrir dos olhos para tentar ainda calar o frio dentro, do procurar depois em todos os lugares um qualquer sinal de acalento, como se não soubesse tão bem como é negro, pintado à mão, devagar, o abandono de quem. em tudo.
conto-lhe dos dias passados escondida em quarto de mim, sem que o saiba ninguém.
das portas trancadas nesta casa que não habito sozinha, mas que não é vida comigo, esta casa onde me fecham caras todo o dia, onde não há música ou partilha, conforto ou um só sorriso que ajude ao passar (d)o medo.
tiredness fuels empty thoughts
i find myself...
disposed
brightness fills empty space
in search of...
inspiration
harder now with higher speed
washing in
on top of me
so i look to my eskimo friend
i look to my eskimo friend
i look to my eskimo friend
when i'm down
down
down
rain it wets muddy roads
i find myself...
exposed
tapping does but irritate
in search of...
destination
harder now with higher speed
washing in
on top of me
so i look to my eskimo friend
i look to my eskimo friend
i look to my eskimo friend
when i'm
d
o
w
n
.
.
.
.
digo-lhe, confesso-lhe, que não há tristeza maior que a solidão, por maiores tantas outras dores... não há sentir que me cale como este. que me enmure. me inunde o dia de quietude e sal. eu que tento saber do que é, do que existe, do que somos sem razão de sentir.
assim de triste, não há.
explico-lhe a ele, meu amigo inventado, o tanto tudo que queria um qualquer acalento, um olhar fundo ao que sou, qualquer coisa mais que estas paredes que me não falam, este silêncio que me não ouve, a gente perto que não tenho, não me existe, este longe que não sei preencher só.
vejo as lágrimas que recuso chorar descerem por seu rosto moreno, até sentir nos lábios o gosto de minha própria tristeza, eu escondida na vergonha de me saber assim, sem força, quase sem vida, eu que sei que é vida tanto, que o amor está em tudo o que vêem os olhos, que a paz são os passos que damos em nós, um de cada vez...
mas hoje
hoje
acordei demasiado pesada
de nada
para mo fazer saber.
porque não-outros.
ninguém.
voz nenhuma
ao apertar de uma mão,
a lembrar-me que(m) sou.
e eu não sei viver sem gente perto.
e por isso me lembra, ele mo lembra, da força da água, da força de mim, dos abraços de longe, os abraços dentro de quem nos é sempre - porque há, há mesmo quem seja sempre... -, os sorrisos de minha gente, os cheiros de meu país, tudo o que aqui me não é fora, hoje mais ainda, mas é tanto, tanto dentro.
e eu sei, sei de tudo... sei das vozes dentro, do calor, da luz, das mãos, dos sorrisos...
sei do mar.
sei de tudo.
when i'm down
down
down
when i'm down
down
down
when i'm down
down
down
e sei-me meu próprio esquimó.
(imagens: eskimo child, de edward s. curtis. fatality e roads which aspire to light, de bogdan zwir)
marulho de nana às 13:42 22 ondas
búzio dentro da luta, de mim, do recomeço que a vida molda
domingo, janeiro 27, 2008
isto, só
" it's like...
living in the middle of the ocean,
with no future,
no past. "*
olho as coisas.
demoro-me a olhá-las.
sento-me na cama e olho-as, só.
sem música, sequer.
só eu e o espaço.
eu no espaço. que fiz meu.
é enorme, o silêncio....
é bom.
ouço melhor as imagens.
largo amarras de mim e mergulho no que sou.
no que quero ser.
.
este ano começo-o em sentir de formiga -
não sei onde me leva o caminho,
sei que lá vou chegar.
...
"this time,
this time,
this time,
is whatever i want it to mean."*

("and everything is sacred here
and nothing is as sacred as i want it to be
when it's
really
all compared to what?"*)
* beth orton, central reservation
(imagens: lead me there, de loganart, e golden summer day, de floriana barbu)
marulho de nana às 00:37 17 ondas
búzio dentro da luta, de mim, do amor à vida, do recomeço que a vida molda


