há vozes que me chamam e falam mais que a minha língua...
vêm de todos os lados e são como vidas que me trazem a vida, me lembram a doçura da humanidade fugaz, me fazem acreditar que é sempre possível ser-se melhor...
(assim sorrimos de tudo frente a um arco-íris chovido que invade a cidade cinzenta, uma lua cheia que respira todo um campo de folhas sonhadas, caídas em côr, um sol que nu e vermelho mergulha em água e sal de mar...
assim nós. como quem olha a vida nos olhos e vê para além dela.
..
para além do que.)
aceitar quem dói, aceitar a ausência, aceitar escolhas e escolher escolher sorrir sobre tudo.
..
sobretudo sorrir.
ser verdadeira ao olhar que procura, deixar que entre nos olhos, por pouco que seja, que entre, se sente à beira, como se. deixar-se invadir pelas palavras que tocam, levam o pensar sem que se pense, fazem voar de intimidade a desconhecida distância. hesitar, ainda, na entrega da verdade, em verdade, a entrega antes da paz, dentro, porque não-paz esta serenidade que o não é, porque não-completa, inteira, ainda... mas deixar, deixar que os olhos. beber das palavras, saborear-lhes o toque, em segredo. deixar que confortem e possam ser a vida que se faz.
acordar a cada dia e sorrir, sorrir só, sorrir com, em alegria de vida.
pela vida.
na vida.
e assim ser cada segundo.
...
isto assim, neste preto e branco de côr, vejo eu, faço por, quando olho em frente.
comigo, em mim, na travessia do presente.
com tudo o que (não) ficou para trás.
..
ainda se sente.
...
assim eu, no mundo, em sal de saudade, vida e verdade.
assim eu, em mim, em teimoso renascer - como quem refaz e relembra a cada noite o amanhecer.
(imagem de bogdan zwir)
" os desejos mais puros e ardentes do coração são sempre realizados. "
(mohandas k. ghandi, in "a minha vida e as minhas experiências com a verdade")
(embalo (s)em meu pai com imagens de ana nicolau, IgaNinja, kyle houston cummings, guayasamin, dale wicks, graça morais, peter kozikowski, hau maru e antoine de saint-exupéry imagens "esperando" e "máscara" de autores desconhecidos poema "a pequena praça" de sophia de mello breyner andresen, por luis miguel cintra música de javier navarrete, do filme "el laberinto del fauno")
na morte de um (este) amor, lembro a beleza toda que um dia. como quem dorme, sonha, ainda.
e acorda de dor e espera, em olhos por ti abertos.
" peço-vos perdão, o mais humildemente possível, não por vos deixar mas por ter ficado tanto tempo. "
(marguerite yourcenar)
....
pela teimosia do cuidar, sempre. do lutar contra tudo, lutar por nós, quando nós éramos afinal só eu.
" Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada, y tiritan, azules, los astros, a lo lejos."
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche. Yo la quise, y a veces ella también me quiso.
En las noches como esta la tuve entre mis brazos. La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la quería. Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche. Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oir la noche inmensa, más inmensa sin ella. Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla. La noche esta estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos. Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca. Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles. Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise. Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos. Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero. Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos, mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque este sea el ultimo dolor que ella me causa, y estos sean los ultimos versos que yo le escribo. "
(pablo neruda)
quero que saibas, agora, em ti, agora que nada mais, que te amei como nunca, antes ou depois.
amei-te como quem é eterno, como quem tem uma só vida, e essa só vida entrega, partilha, vive, funde no que ama.
amei-te por entre os dedos das vozes que nos viram amar, os ventos testemunhas de um amor eterno como o silêncio. que se quebra, afinal.
amei-te para além de mim, de ti, de nós.
para além da mentira.
amei-te na vida, no sonho, na côr; fui, quis ser, teu porto de abrigo. teu alívio, eu. tua força. tua paz.
mas afinal.
...
e quero que saibas que te amarei sempre, para sempre, mas não mais to direi.
não mais.
e aos poucos também eu esquecerei tudo o que um dia, e contigo esvaziarei as memórias do nosso futuro, secarei o amor líquido que me corre ainda nas veias com a certeza gelada do querer que me já não tens.
andarei pelo mundo sem sonho por companhia, a noite tão longe da lua, porque ninguém mais, ninguém mais dormirá na minha sombra.
.
depois, depois de tudo esquecer, depois de aprender a viver sem dia ou mar para saber-te feliz, te amenizar a dor, amaciar tuas feridas, lamber tuas asas, fundir-me contigo na areia de nossos lençóis, ser água contigo, ser eterna mesmo com a morte a rondar-nos a vida, depois os meus olhos serão só meus, como te são os teus, já. de com quem os fechas, em paz e em ti.
também eu te não procurarei. também eu viverei como se nada, nós, nunca nada.
e hei-de, como tu, ser feliz.
hei-de ter amor de toque, novamente. mesmo se não.
e não voltarei a ser amor de palavra, sem a vida.
não voltarei a viver amor de dor assim.
...
(eterno sempre este querer muito, querer mesmo, querer só que sejas muito e tão feliz.
com tudo o que te é paz força alívio em doce cativar.
convenço-me da vida ao sol, por maiores as nuvens que insistem lembrar-me o fim do verão, o fim da promessa, da verdade, de nós, e depois tu vens e choves sobre o que vivo - choves sobre o que podíamos ter sido nós, o que fomos um dia, sem respeito ou cuidado nenhum pelo meu sentir - apanhas-me desprevenida e ainda me culpas por o não esperar. por esperar mais de ti, eu, ainda.
até quando?....
"não sei".
não sabes, tu. não sabes nada, e lavas as tuas mãos com a mesma facilidade com que dizes viver a paz sem mim, com que violas uma e outra e tantas vezes os sítios e horas de um amor em tempos vivo e divino, que amaste também, que também tu quiseste eterno, a mesma facilidade com que me não procuras no silêncio ou na noite, sabendo, tu, o que, eu, longe, a mesma com que me abandonaste tantas vezes à beira do sussurro da morte no corpo que amo e de que tenho tantas saudades que choro, ainda e sempre, de noite e de dia, tanto ultimamente, tu sem o saberes ou quereres sequer, porque tu e a tua vida e o teu sentir e a falta de e.
.....
e eu desisto.
eu que não queria, lutei mesmo quando não sabia que lutava, ainda - eu desisto de vez.
for good.
esperando ainda que venhas, uma última vez, pela importância toda que me tem, que preciso, tanto, tanto, que sejas tu a. por ti. acima de tudo, por ti. tanto, tanto e tanto, sempre.
pelo passado, a importância, o tempo "perdido" com, a responsabilidade que não esqueço, eu - espero-te ainda na desistência de nós.
.....
(" dear leonard. to look life in the face, always, to look life in the face and to know it for what it is. at last to know it, to love it for what it is, and then, to put it away. leonard, always the years between us, always the years.
always the love.
always the hours. ")
(" is it cruel or kind not to speak my mind and to lie to you rather than hurt you
well, i'll confess all of my sins after several large gins but still i'll hide from you, hide what's inside from you
and alarm bells ring when you say your heart still sings when you're with me oh won't you please forgive me - i no longer hear the music
and all the memories of the pubs and the clubs and the drugs and the tubs we shared together will stay with me forever
but all the highs and the lows and the to's and the fro's - they left me dizzy oh won't you please forgive me: i no longer hear the music
well i no longer hear the music - when the lights go out love goes cold in the shades of doubt the strange face in my mind - it's all too clear
music when the lights come on the girl i thought i knew has gone - with her my heart, it disappeared
well, i no longer hear the music
all the memories of the fights and the nights under blue lights all the kites we flew together - i thought they'd fly forever
but all the highs and the lows and the to's and the fro's - they left me dizzy won't you forgive me: i no longer hear the music well, i no longer hear the music
i no longer hear the music - when the lights go out love goes cold in the shades of doubt the strange face in my mind - it's all too clear
music when the lights come on the girl i thought i knew has gone - with her my heart, it disappeared
well i no longer hear the music
- i no longer hear the music... ")
(que saudades de quando o tempo ele próprio era criança...)
(imagens de ana nicolau - bairro alto, set.07 - comporta, set.07)
("you cannot find peace by avoiding life, leonard.")
tenho um caderno, ainda, hei-de ter sempre, onde escrevo quando me inundam tanto os sentires que não posso segurá-los dentro, e assim os (re)vivo na escrita, como quem liberta fantasmas, sacode a dor dos ombros, recebe em si mesma sons e silêncios de vida.
às vezes sem caderno ou papel, sem caneta ou, noto um escrever constante. - escreve-se sempre dentro de mim.
..
são muitas as noites, às vezes tardes, em que me sento a esta mesa, puxada pelas palavras desse caderno ou por outros mesmos sentires ainda não escritos e aqui deposito o que me vai dentro, às vezes de forma tão violenta que me sangram quase os dedos, outras tão de mansinho que podia chorar. como se, como num, como no nu caderno.
escrevo neste espaço como quem se senta em frente ao mar e lhe oferece o sentir, lhe dá o choro a ouvir, se ri, sorri, a medo, de vida com ele.
leio as ondas que me chegam à praia como quem colhe conchas, uma a uma, devagar, lágrimas como_vidas no rosto e nas mãos, abismada pelas tantas cores em que lhe adivinham e reforçam vontades, suspiram dizeres escondidos, relembram segredos de vida.
.
por isso te agradeço, a ti, por tudo o que disseste e me fizeste sentir.
e por isto...
“é um prémio especial para mulheres que, na sua escrita, mostram uma preocupação pelo mundo à sua volta e ainda conseguem dar um pouco de si e dos seus sentimentos e com isso tornar mais leve a vida dos outros. este prémio foi feito para mulheres, mães e profissionais que espalham a palavra de uma forma emotiva e cativante. que nos falam da guerra mas também do amor”.
porque escrever é só o que mais dentro sou, muito mais às tantas vezes do que o que falo, digo, mostro - e está em ti a leveza das palavras que lês.
por me mostrares, também tu, a partilha, essa benção que descubro dentro e me faz descobrir tudo o que.
me descobre, segura.
...
a todos vocês que aqui vêm, me tornam leve, e a mim mesma devolvem em ondas de palavras, quando o escuro e a dor lutam por roubar-me à escrita, o meu tanto obrigada.
" burma is ruled by one of the worst military dictatorships in the world. last month buddhist monks and nuns began marching and chanting prayers to call for democracy. the protests spread and hundreds of thousands of burmese people joined in, but they've been brutally attacked by the military regime.
i just signed a petition calling on burma's powerful ally china and the UN security council to step in and pressure burma's rulers to stop the killing. the petition has exploded to over 500,000 signatures in a few days and is being advertised in newspapers around the world, delivered to the UN security council, and broadcast to the burmese people by radio. we're trying to get to 1 million signatures this week, please sign below and tell everyone! "
o sangue da língua, a canto das veias, o vento da voz....
ouço na noite as gaivotas que me chamam à terra de mim.
.....
aterro.
o calor do sol...
eu maré de perguntas livres de sentido e respostas.
- como é que...? - mas não...?
- for good?
..
(for good.................................?)
..
lisboa. ando pelas ruas. ando só cheia de tudo o que sou. cheia como a lua. com a lua. cheia. mesmo se a cheiura de mim é tão relativa quanto o amor que foi (sen)tido. contínuo. contínua. continua. continuo.
prossigo. ando. ando mais. ando muito. os rapazes da água a gritarem-me ao sangue, a fazerem-me mar aqui em mim. that was the river. cada minuto passado. this is the sea. cada minuto presente.
o mar, o mar, o mar... meu mar de embalo, meu mar de mim.........
entro numa casa. fala-se amor à minha volta. há olhos de meninice, nos que crianças e nos que não. olho-os ao espelho e sei-os verdade, a cada um, no que me é dentro, no que somos, como um, tanto, para sempre. - minha família de sangue, tribo de amor e justiça...
passo no bairro das ruas tortas, que se entortam, e são como um filme, os amigos. olho-nos de fora sem que o saibam e sorrio tanto, é-me tão feliz este tempo todo, anos de nós, de intimidade e cumplicidade, que ficam, e agora outra vez, mais esta vez, aqui.
(decido não fazer por tentar ver o amor, descobri-lo, um vestígio de, como se não fosse tão cruelmente óbvio, o seu estrangular na escolha da vida sem, desequilíbrio, desequilíbrio, resisto, desisto, caio de novo, caio nos olhos, na vontade, no presente, um momento, um só, um só que queria saber que querido também, só, caio, caio, nós cada vez mais longe, sem a fala, sequer, caio, calo, caio, dói-me a dor, a sua também, dói-me tamanho cansaço de vida, sem que possa, sem que ouse sequer tentar ajudar, porque agora, porque o amor deitado fora, o violar do sagrado, o abandono, tão só isso, total, longe, o alívio que já não vem de meus braços, a paz que se consegue sem mim, caio, caio, mas caio com asas, asas que me esqueço de abrir, esqueço de usar, porque não sei, não sei ainda, e era contigo que eu queria dançar. acordo antes do fundo, ladeada por esse lugar em tempos imaculado, intocado por quem senão, acordo, acordo, bato as asas, danço de olhos fechados mas danço, suspensa, surpreendida, ainda, neste limbo de transição, sem ter aberto de vez a mão para deixar, também eu, ir o amor sem salvação, roubado até de seu porto de abrigo, sem asas ou vida humana que o lembrem de ter sido real.
cuando te hablen de amor y de ilusiones y te ofrezcan un sol y un cielo entero; si te acuerdas de mí no me menciones porque vas a sentir amor del bueno.
y si quieren saber de tu pasado es preciso decir una mentira, dí que vienes de allá de un mundo raro, que no sabes llorar, que no entiendes de amor y que nunca has amado.
porque yo a donde voy, hablaré de tu amor como un sueño dorado y olvidando el rencor no diré que tu amor me volvio desgraciado.
y si quieren saber de mi pasado, es preciso decir otra mentira, les diré que llegué de un mundo raro, que no sé del dolor, que triunfé en el amor y que nunca he llorado.
e eu hei-de deixar de sentir-nos em cada rua de então.)
.
é fim de tarde. de todos os cantos da fotografia me espreita a luz de cima, em céu claro, azul de olhos, também, sol radioso, radiante de vida nesta cidade que sou. mesmo se por vezes ainda aqui me não acho lugar. em todas as ruas te encontro. ainda. em todas as ruas me perco.
..
dá-me a mão, lisboa, vem perder-te comigo, vem ser em mim a beleza de força e entrega de minha mãe, vem sentar-te a meu lado ver a bianca luz que nos invade de carinho, já, vem abismar-te de orgulho e gratidão por essa cinderella que tanto dá aos que lhe são dentro, e que agora abre coração e vida a uma menina a quem ensinará o amor, a família, a segurança eterna de não estar só. e o mundo, só por isso, ser tão mais bonito e alegre, hoje.
...
o mar, o mar, o mar... meu mar de embalo, carinho, certeza... mar da comporta, mar de mim...............
...
minha casa de água salgada que não ouso ainda provar, por mais que me (es)corra na pele... faço-me as malas. (re)parto(-me) de novo.
mas aqui morarei um dia. sei-o, fundo.
por mais que eu. por mais que tu. por mais que o mundo.
(" the times we had oh, when the wind would blow with rain and snow we're not all bad we put our feet just where they had, had to go never to go
the shattered soul following close but nearly twice as slow in my good times there were always golden rocks to throw at those who, those who admit defeat too late those were our times those were our times
and i will love to see that day that day is mine when she will marry me outside with the willow trees and play the songs we made they made me so and i would love to see that day her day was mine" )
sim, tens razão: eu sabia. ou talvez esperasse saber, tivesse a esperança de. e secretamente o sentisse, já. em ti. como tu em mim, logo, desde a primeira palavra de imagem.
também eu amei inteira e toda me dei, em tudo, e tanto mais do que pensei e quis ser capaz. também eu amei com o futuro e o passado presentes em mim, amei de olhos abertos, até mos cegar quem mos roubou ao deixar de olhar-me.
por isso, sim, os nossos amores foram, são ainda, por mais que, iguais de vida, personagens, desilusão. tão iguais....
igual agora este vazio de vivermos perdidas em nós, quebradas e gastas pelo ardor do sal, neste labirinto de pele e saudade onde já não sabemos sentir o caminho de volta ao que somos, fomos quando, antes de. - é como que se vive feliz sem essa vida inteiramente repartida, amada em sangue, água e entrega?....
e este saber que não há nada que possamos fazer para trazê-la de volta. e o não-saber já se, anyway...
e não haver nada que cale ou alivie a crueldade de terem violado os sítios do nosso amor - como foi que puderam, esses locais de tudo que acreditámos serem nossos, para sempre, mesmo se, mesmo agora?... -, onde nos entregámos e fomos tanto mais do que simples mortais, nós, vivas de amor e futuro. nada que pare a faca de mágoa de os vermos constantemente aprisionados em imagens de outras mãos, outro alívio, em força e sentires que não nascem já das memórias do nosso amor, que é destronado sem mais nada, sem que se pare um pouco sequer, um momento só de respeito à lembrança do que ali vivemos e entregámos, como se nada, ninguém mais no mundo senão nós.
...
mas um dia - eu to prometo para além destas lágrimas que me choram as veias do corpo por si mesmo abandonado - será também nossa a paz maior de viver sem o seu amor. para sempre. como quem, agora, sem nós.
prometo.
por mais dor o negro das azeitonas e o vermelho das papoilas que aos pares.
eu to prometo. nos.
until then,
my friend of hidden face and feelings,
let us breathe.
( " help, i have done it again i have been here many times before hurt myself again today and the worst part is there's no-one else to blame
be my friend hold me, wrap me up unfold me i am small and needy warm me up and breathe me
ouch, i have lost myself again lost myself and i am nowhere else to be found, yeah, i think that i might break lost myself again and i feel unsafe
be my friend hold me, wrap me up unfold me i am small and needy warm me up and breathe me
be my friend hold me, wrap me up unfold me i am small and needy warm me up and breathe me " )
“ tenho uma amiga que me conhece para além do tempo. para além de tudo. tem olhos de céu, sorriso côr de criança e a vida a nascer-lhe das palavras. com ela, por ela, escolhi, reaprendi essa vida, a vida viva, essa de dádiva e abraços, há 14 anos atrás.
tenho uma amiga que me conhece para além de mim. para além do que. olha-me nos olhos e eu sei que posso ser verdade, sei que quero ser vida, que preciso ser eu. com ela, nela, a dor e a morte são derrotadas. por ela, a coragem da vida renasceu. ”
(lisboa, 18.07.07)
...
no ano de ’93, sem que nos conhecêssemos ou soubéssemos quão perto estavámos, já, quão enleadas nossas vidas se tornavam, flechinha e eu vivíamos sentires semelhantes, inigualáveis de dor e espanto, incompreensíveis por todos os que não os sofriam, ali, connosco, nós adolescentes atordidas de realidade e adulthood, sem aviso ou trégua possível.
quando nos conhecemos, quando primeiro falámos e nos sorrimos de e em vida, apesar de tudo o que, passava um mês exacto sobre dessa data que nunca ouvirei ou sentirei de maneira quotidiana, nunca será confundida com nenhuma outra, nunca fará parte de um calendário normal, como se viessem todos com defeito de fabrico, como a vida, essa, todos com esse dia assinalado a dor. eu tinha já feridas abertas que não entendia mas me ardiam, lágrimas com sabor a morte, um viver que eu desconhecia e não sabia sentir. ela vivia o pesadelo dos dias que traziam a incerteza da certeza do medo do amanhã.
lambemos feridas juntas, trocámos vidas e lembranças desses dias de desespero e confusão, tantas e tantas vezes, tantas e tantas noites de palavras e lágrimas e partilha de tudo o que éramos, queríamos ser, e o que não sabíamos que era em nós, também. fomos dúvida do presente agarradas ao passado, mas fomos juntas, passo a passo, em direcção a qualquer coisa que existia, devia existir, lá mais à frente - flechinha com todo o amor, força e uma recusa quase teimosa em ver-me desistir do que fosse em mim. porque eu, eu afundei-me na dor não-prevista e injusta da morte de quem tanto vivia e mais queria viver. eu quis afundar-me nos dias, ser sombra, ser não-vida. recusar-me ao viver em jeito de protesto. e quando me recusei a sair de lisboa porque o corpo de quem, mesmo se morto, era aqui que morava, aqui condenado a ficar para sempre, quando disse não ao viajar para qualquer sítio que me tirasse desta cidade, que me tirasse da proximidade do seu corpo, porque isso pelo menos – acreditava eu – existia ainda, e me parecia tão injusto, tão terrível aquilo que eu via como abandono, flechinha, em meiguice e impenetrável amizade, estendeu-me a mão e puxou-me à vida. quando ninguém mais, eu culpada, o pôde fazer. durante meses a fio, esteve a meu lado, até eu voltar a saber ter e viver o peso do que era em mim própria, sem refúgios, fugas ou abandono de mim.
para além da distância que a vida sabe e pode trazer, soubemos ter-nos sempre dentro, por maior o longe fora, por maior o mundo em muro entre nós: eu sabia, soube sempre, que no momento do precisar a vida não me faltaria. porque ela.
quando emigrei, o conforto de sabê-la na mesma terra. ela que me precisava, também, tanto, mas que apesar disso, quando lhe confessava o choro, quando me doía o medo e o peso da fraqueza da saudade, me dizia “se não és feliz, se assim, aqui, não consegues ser força na felicidade, vai. volta. volta para longe de mim, mas fica perto do que te faz força e te é dentro.” ... fiquei. com a sua força na minha, também. fui ficando até voltar, voltando até ficar.
aquando do início do pesadelo, no ano passado, embrulhou-me a amizade em presente – ela que tanto poderia ter-se “desumanizado”, por tudo o que, nesse ano – e tentou, da única forma (im)possível, proteger-me do futuro que já tinha vivido. esteve comigo, a meu lado, sentada na cadeira que não existia naquele quarto de hospital que não sei já se existiu, também, de manhã à noite, e madrugada fora, flechinha esteve comigo a cada instante de espera, ânsia e recusa do amanhã, tanto e tão mais do que outros, “perto”... e nunca nunca me abandonou em mim. a ela, só a ela, confessei – nesses dias de desmesurado nada - a fraqueza sob o peso que não queria admitir a ninguém mais. mesmo se. porque. - não aguento mais. é como que lhe paro o sofrimento?, é como que se vive isto?...... e ela, a meu lado, a vivê-lo comigo, a sofrer comigo, sem nunca, nunca, me largar a mão ou a vida.
...
e agora, agora, ontem ainda, no carinho e calor de uma casa de tanto e tão bonito, tão sentido amor, flechinha e sua metade a “convidar”em-me a ser madrinha do novo ramo de sua árvore de vida. godmother lhe chamam na terra onde vivemos nós. ... e assim, pela mão de flechinha, como tanto mais, antes, me torno mother pela primeira vez. e nem sei dizer do orgulho que me traz lágrimas à voz e este sorriso de sentir aos olhos por ser um filho seu, vindo dessa união de tanto tudo, que me é tão dentro, que faz querer chorar de feliz, eu simples visita nessa casa de amor. e penso, sei, que não poderia ser de outra maneira. de outra pessoa, antes de.
porque nela a força. nela o apoio. o exemplo de coragem, não-entrega ao que tenta e faz por vergar e quebrar. nela o amor.
e agora, pela mão dela, de novo, a vida.
“ fechar os olhos, erguer os braços e dizer-lhe “vou contigo.”. isto é claridade, melodia. duas mãos dadas. a parte de dentro e de fora da laranja. (...) parou. abriu subitamente os olhos e compreendeu. então, olhando em redor, pensou: onde quer que estejas, obrigada. jamais te esquecerei. ”
os olhos dele são côr de rio quente. olho lá para dentro - ouso mergulhar sem que o saiba, ele, ou tu, só eu sozinha no seu mar, com nenhuma outra permissão para além da certeza de que me ama e quer perto, dentro -, e vejo-o, sei-o, menino, a querer dar-me a mão, o amor, a vida.
do nosso estar não restam nem fotografias. foi assim que escolhemos, sentimos, fizemos. sem fotografias ou testemunhas, tu e eu, só, sós, no amor divino e infinito que julgámos, acreditámos, ser nosso. o mesmo cuja mortalidade e humanidade te assustou e fez esconder da vida. como a nós das fotografias, antes...
ainda bem. porque as fotografias tornariam tudo muito mais difícil, mais real, mais duro, agora. assim é como se não tivéssemos sido senão sonho.
e nem faz mal que tenhas imagens, lembranças a preto e côr e branco, dessa tua outra, primeira vida, por mais que, antes de mim. de nós. nem faz mal...
ele tem olhos meninos, côr de verão. palavras tímidas que me chamam à vida.
e eu não me importo de saber que era mentira, tudo mentira, nunca fomos infinitos, nós, tu e eu. eu não estaria assim com ele, deixando que se sente perto, que se chegue mais, tão mais do que tu, agora e. porque o nosso (esse) amor acabou. por mais que - sabe-lo como eu - todo o universo, todo mesmo, estivesse do nosso lado quando.
os olhos dele são verdes. azuis. claros e escuros.
e o mar não morre se te não ouço a voz.
e o sol não deixa de nascer com o dia. a cada dia.
tudo, tudo existe, respira, vive, sem ti.
a vida continua sem nós.
como se.
como tu.
como eu, agora.
a quem ele faz por olhar dentro, em azul fundo, líquido de ternura e futuro.
(imagem: nude, looking over her right shoulder, de amadeo modigliani)
"they told me, heraclitus, they told me you were dead they brought me bitter news to hear and bitter tears to shed. i wept as i remembered how often you and i had tired the sun with talking and sent him down the sky.
and now that thou art lying,my dear old carian guest, a handful of grey ashes, long, long ago at rest, still are thy pleasant voices, thy nightingales, awake; for death, he taketh all, but them he cannot take. "
(william cory)
(cada dia quero mais ter-te-nos (re)conhecido antes.
terra nova, gente nova, cheiros olhares palavras caminhos, lugares de encontro modos de ser, espaços que me semearão força toques de sentir e saber - tudo, tudo de novo.
de autocarro em turismo e self-discovery pela minha londres
a pé em mim pela sua minha camden
e neste seu velho - meu novo - espaço e canto de mim.
domingo:
calma e conforto
dados
recebidos
e partilhados.
no fim do fim da semana, da flor apanhada do chão no seu início - assim largada sem vento ou cuidado, guardada com(o) lembrança num caderno que não olha o passado -, este (re)nascimento, em água acarinhado:
saio de casa vestida com minha roupa de sono, vermelha e azul, e mergulho no verde à minha frente. apanho gotas de chuva como se fossem fadas e faço um colar de sentir que as asas levarão a quem.
sou leve em luz.
sou o universo e o universo é-me, vivo como o vento, cada dia, cada segundo, em riso soprado de amor.
renasço. a bondade molda-me os gestos, a liberdade pinta-me a vida.
sou feliz. e cada ser me canta ao ouvido a côr deste mundo de tudo.
...
quando acordar, estarei sob raízes em flor, em sorriso de vôo e certeza.
..
e a dor não será mais verdadeira que a paz de saber-me eu.
(não percam, se puderem não percam, o labirinto do fauno, de que já vos falei, hoje, às 14h, 16h30, 19h, 21h30, no cinema nimas, em lisboa.)
quando todos se ensonharam e o tempo foi nosso, saímos dos aninhados cantos de vida e distância e amámo-nos no que fomos.
guardei palavras e sentir - todos eles, todos juntos, todos nós - como se fossem um só e esperei pelo fim do dia para tos entregar em nuez minha. do que sou.
descobri o teu corpo, cada milímetro, como se numa primeira vez. que não lembro. que reinvento a cada toque cada beijo cada roçar de coração.
quando a manhã chegou com a verdade voltei para longe de ti, do que fomos, do que somos agora, em segredo nosso; por nós mesmos omitido ao que se entrega, como se.
como se à noite, só de noite - desconhecida noite - te amasse. mais do que sou. mais do que posso. mais do que sei.