sexta-feira, março 21, 2008

"a cura"









wembley arena, 20.marco.2008:




















foi a medo ainda que ali destinei o dia.
apesar de tudo,
a pesar, tanto, tudo,
decidi-me por mim.
como quem.
e fui.

era muito o sentir de ali estar, eu na noite de tanto que era, eu a ir ouvir lembrancas caseiras naquela cidade estrangeira, estrangeira eu, ali, e no entanto parte, tao parte de tudo aquilo, tao parte de tudo e todos...
em londres, por que razao for, sinto-me sempre como que em casa.

ah minha volta, gente de idades muitas, todas ah volta da minha, como se um so, nos.
e o bom que eh saber-se, sentir-se, ser-se parte de.
em semelhanca.
semelhantes, la.
como sempre na vida, afinal.
por mais que o esquecamos.

as luzes diminuiram e o sentir aumentou. as primeiras notas que soam, e eu a deixar-me ir com elas, para alem de mim, ah espera do que fosse, por maior o medo do que traria o recordar. da dor que, hoje, nao pode senao vir com ele.

antes de mim, o sentir a reconhecer a musica. aquele primeiro "beat", depois, que nem flecha direita a mim. como se nada mais, ninguem mais ali. eu so. com a dor do que.
e os olhos imediatamente - sem aviso ou autorizacao - a encherem-se de agua, sem que eu nada controlasse, eu que tao pouco, porque a vida tanto, tao pouco choro por mim, eu ali de lagrimas nos olhos, sem medo ou vergonha de ninguem, nem sequer de mim, eu que solucava dentro, sentia-me a, mesmo se a lagrima presa pelo que nao sei dizer, sem cair, recusando-se a chorar o que fosse.

ali se aguentou, todo aquele tempo de musica sem palavras, tempo tao longo de choro suspenso.

com a voz de robert, essa voz que me entra tao fundo, me marca tao dentro, me tanto canta o sentir, o desabar do choro nessa unica lagrima. essa so. nenhuma mais. "plainsong". a mesma que tantas, tantas vezes ouco dentro de mim, sem que de lugar algum venha senao dai.

e apercebi-me, veio-me devagar, ao longo da musica, que me libertava. aquela noite, sendo o que, a dizer-me que me libertasse. que a vida eh minha, e uma so. que quem amamos ahs vezes eh quem julgamos ser, nao quem eh de verdade, tao longe, longe do que (nos) foi, hoje.

por mais que reconheca, eu, ainda, as vezes sempre, o tanto que, em determinados gestos, olhares, momentos.
o que eh mais, que eh presente - ou nao -, o de sempre, de todos os dias, de cada dia, nao eh, nao eh ja (n)o que se amou.

quem se amou
nunca
nao
nunca
desta maneira.


"i think it's dark and it looks like rain"
you said
"and the wind is blowing like it's the end of the world"
you said
"and it's so cold
it's like the cold if you were dead"
and then you smiled
for a second

"i think i'm old and i'm feeling pain"
you said
"and it's all running out like it's the end of the world"
you said
"and it's so cold it's like the cold if you were dead"
and then you smiled
for a second

sometimes you make me feel
like i'm living at the edge of the world
like i'm living at the edge of the world
"it's just the way i smile"
you said





















e noto,
noto,
no fim,
que sou eu quem diz.

e eh meu,
foi meu sempre,
para além da partilha,
o sorriso.

o mesmo que agora.
agora.


..




nevertheless.

18 comentários:

Rita disse...

:)) Nós dissemos-te que ia ser bom, prima linda!! Jinhos grandes,grandes, grandes

Atlantys disse...

Vejo que não houve diferenças entre dia 8 no Atlântico e dia 20 em Wembley...
;-)***

DoCeu disse...

Ninguém se banha duas vezes na água do mesmo rio, --miga, disse o outro já há 2500 anos...
Beijolinhas
Tzinha

© Piedade Araújo Sol disse...

deixo beij

Maria Laura disse...

É bom esse sentimento de pertença, de identificação. E quando a música se faz nossa, é melhor!

little_blue_sheep disse...

:)

****

Rui disse...

Queremos ser curados?

Dalaila disse...

Os cure são bons em qualquer data em qualquer lugar, myuito bem descrito por aqui

Post-It disse...

:))

Ad astra disse...

que bom este sentir
teu

beijo terno

princesse sophie disse...

Como eu percebo o valor desta cura.

un dress disse...

a cura?

será!!?






beijO

rosasiventos disse...

porque nos lançamos no fogo errado?
porque assobiamos músicas impossíveis?

~pi disse...

agora:

mesmo agora...

bettips disse...

Qualquer mar de portugal-país tem marulhos, tu sabes. Basta isolar dos olhos das gentes.
Mas em Londres também sinto/senti a casa, a casa do mundo, a minha.
E sorrio dessa lembrança de há 3 décadas, que repeti várias vezes depois, achando as mesmas ruas e os parques, os quadros e as casas vitorianas, os caminhos da arte e da fruição da vida... a liberdade de ser. Repartiria a minha vida, se pudesse "estar", entre Londres e o nosso sol/mar.
Bjinhos

Andreia Ferreira disse...

Foi libertador? *

legivel disse...

... o teu texto "pôs-me" lá, em Wembley, tão só e acompanhado pela multidão. Thanks.

Não posso deixar de fazer uma referência ao comment da minha amiga Bettips. Tão bem que ela descreve o fascínio de (e por) Londres. Que também é meu.

Stella Nijinsky disse...

com a dor do que.
e os olhos imediatamente - sem aviso ou autorizacao - a encherem-se de agua, sem que eu nada controlasse, eu que tao pouco, porque a vida tanto, tao pouco choro por mim, eu ali de lagrimas nos olhos, sem medo ou vergonha de ninguem.

Olá nana,

Este momento de verdade diz-nos quem somos e leva-nos a casa.

Beijo, Stella