sábado, abril 19, 2008

(em) mudança



por esta janela que me abre (a)o escrever
vejo e sinto os passáros que a meu lado voam.
comigo.
eu neles.



nessa outra, onde adormeço em estrelas e acordo na côr do dia, o canto de gaivotas trouxe-me já o mar em sorriso de acordar. o mar que provo também nos olhos quando mergulho em todas as memórias que solto neste espaço novo, algumas tão longe dos dias de hoje, fechadas nestes quadrados guardiões dessa vida a que regresso agora, só agora, um ano e meio depois, todo este tempo trancados para que a mim encontrasse, finalmente, eu, no que sou e sinto e vivo.
sem nada mais.
e tanto, afinal....



abro cada caixote como quem volta ao passado.


volto.



abro fundo esse tempo de antes
e nele passeio
sem rede ou volta marcada.









mas regresso sempre.
regresso sempre a quem sou.

para além do que é não-saber.




















vivo (n)a vida.





deixo que me viva.









sou e respiro o que voa (n)o tempo.



o que me trago
eu
nele.







(dreaming about wings, bogdan zwir)










..







" (...) não pensemos mais: esta é a casa:

tudo o que lhe falta será azul,

agora só precisa de florir.

e isso é trabalho da primavera. "


(pablo neruda)















(nesta casa nova de mim,
é tão forte às vezes o vento nas janelas...

e é só

um segundo andar..



....



mas é bonito.

às vezes lembra-me a noite do mar.




como se perto da praia,
quando fecho os olhos
e respiro em mim seu marulhar.)











( " eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome
- cores de almodovar, cores de frida kahlo,
cores...

passeio pelo escuro
- eu presto muita atenção no que meu irmão ouve;
e como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora

- ah, eu quero chegar antes...
pra sinalizar o estar de cada coisa,
filtrar seus graus

eu ando pelo mundo divertindo gente,
chorando ao telefone..
e vendo doer a fome dos meninos que têm fome


pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle....


eu ando pelo mundo
e os automóveis correm para quê?
as crianças correm para onde?

transito entre dois lados
de um lado
eu gosto de opostos...
exponho o meu modo,
me mostro


- eu canto para quem?





pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle....


eu ando pelo mundo
e meus amigos....
cadê?
minha alegria, meu cansaço?..

meu amor cadê você?
eu acordei
- não tem ninguém
ao lado


pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle....


eu ando pelo mundo
e meus amigos....
cadê?
minha alegria, meu cansaço?..

meu amor cadê você?
eu acordei
- não tem ninguém
ao lado


pela janela do quarto, pela janela do carro,
pela tela, pela janela,
quem é ela, quem é ela?
- eu vejo tudo enquadrado,
remoto controle.... " )




















desenquadro.


desprendo.


desenlaço.












me.























.












agora


agora

volto


ao abraço do sorriso

à magia da infância

ao viver (d)o mar









regresso(-me) à terra de mim

para beber o abril

que me é côr de voar

















(imagem de autor desconhecido. sadly.)

17 comentários:

um Ar de disse...

Falta o "trabalho" da Primavera, neste Abril de "abrir"...


[Beijo]

Atlantys disse...

Volta ao passado que é o teu as vezes que forem necessárias sem pressa de regressar. Só se regressa ao futuro na altura certa, nunca antes...
Um bom fim de semana ;-)***

Ad astra disse...

da alma alada...

do tranquilo abrir de asas

da busca do ser(es)



terno beijo

via disse...

muito bonito.

~pi disse...

remisturar-se: de tempos e espaços...


estou mais ou menos assim, nana

re mis tur a nnndo me......:)


obrigada

Mar Arável disse...

Belo o teu planar

na memória fresca

recriada de amanhãs

ao sabor da escrita

olhospostos

Anónimo disse...

cada momento tem a sua hora;
e nessa descoberta reside
uma das aventuras
mais maravilhosas da Vida...

M_d_O_M

Alba disse...

E é tão comovente essa energia de transformação, esse Abril por por celebrar e cumprir!

Carla disse...

e assim me perdi nestas tuas belas palavras
beijos em desalinho

Maria P. disse...

E o Abril chega na Primavera que vem florir...

Beijinho*

Stella Nijinsky disse...

Olá nana,

Uma das minhas favoritas canções esta da Adriana.

O passado no presente e o presente connosco. É preciso colori-lo, torná-lo confortável, aceitá-lo como o nosso a nossa vida, é esta a nossa vida, se bem que diferente daquela outra que julgámos ou que deixámos.

"vivo (n)a vida.
deixo que me viva.
sou e respiro o que voa (n)o tempo"

Beijo e boa Primavera
o calor faz-nos empre bem!

Stella

Sandrinha disse...

Bem vinda!!

E de t-shirt!! Estás com sorte porque tem chovido, digamos... um pouquinho, nestes últimos dias... mas só porque tu chegas o sol aparece para te dar as boas vindas!

Até já!

Dalaila disse...

regressarmos a nós em mar em terra em silêncio.

Post-It disse...

É isso... Deixar florir... :))

Graça Pires disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Graça Pires disse...

Desculpa ter eliminado a mensagem anterior mas saíu com erros.
Gosto muito do que escreveste aqui.
"regresso(-me) à terra de mim
para beber o abril
que me é côr de voar".
Beijos

K disse...

em metamorfose...de onde para onde?Que importa...