terça-feira, março 06, 2007


















podia dizer-te que enlouqueço.
aos poucos, aqui, assim, sinto-me enlouquecer.
quando imagino o passado, o acreditar de tanto, o equilíbrio,
para além da vida,
o tudo que nunca conheceu ninguém senão nós,
podia,
podia dizer-te que duvido tê-lo vivido realmente,
que chego a duvidar de que algum dia tenhamos mesmo existido.
ou que tenha existido
eu
em verdade
em ti.

porque o canto do teu silêncio é mais claro que as memórias, mais perfeito que nós, mais forte que eu.

e sinto só
para além de tudo
a revolta.
a revolta de me não levantar, olhar a tua ausência nos olhos, fazê-la a ela sentir o medo, o terror, o veneno que.

mas a cada dia
a cada dia
de abandono
largo-te de nós.
roubo-te às memórias –
tu que não mereces,
tu que não lembras,
tu que não amas.

cubro o meu sentir
e ergo-me
hei-de erguer-me
sozinha.
seguir em frente.

desculpa
(ou não):
tenho um compromisso
de vida
com a vida de mim.








....






(imagem: letting go, de annekarin glass)

4 comentários:

Conceição Bernardino disse...

Olá,

Povo

Ò povo que trais sem saber
O corpo que cansada da luta não
Pode ver

Ò néscio que não tiveste
Quem a ti te ensinasse
A andar.

Ò triste que caminhas com os
Pés dos outros,
Sem saber no que estás a pisar!

Poema da autoria de LILIANA BARRETO do LIVRO POISEIS II

Desejo-te uma bela semana, na companhia deste belo poema que encantou os sentidos.

Beijinhos ConceiçãoB
http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com

Rita disse...

Um abraço meu, bem apertado.
E um sorriso cheio de vida!

ALEXIA disse...

Sabes linda hoje vim cá só para te dizer

É O TEU DIA BEIJOS MUITOS

magarça disse...

Belas palavras que traduzem tanto do que sinto..