terça-feira, janeiro 30, 2007

da incerteza: incapaz e impotente




















" O Hospital e a Praia


E eu caminhei no hospital
Onde o branco é desolado e sujo
Onde o branco é a cor que fica onde não há cor
E onde a luz é cinza

E eu caminhei nas praias e nos campos
O azul do mar e o roxo da distância
Enrolei-os em redor do meu pescoço
Caminhei na praia quase livre como um deus

Não perguntei por ti à pedra meu Senhor
Nem me lembrei de ti bebendo o vento
O vento era vento e a pedra pedra
E isso inteiramente me bastava

E nos espaços da manhã marinha
Quase livre como um deus eu caminhava

E todo o dia vivi como uma cega

Porém no hospital eu vi o rosto
Que não é pinheiral nem é rochedo
E vi a luz como cinza na parede
E vi a dor absurda e desmedida "


(sophia)





....



(imagem: the waiting line, de kyle houston cummings)

7 comentários:

joaninha disse...

:) gostei do poema se bem que a visão que tenha dos hospitais nao seja bem assim... mas depende das vivencias de cada um(a)! é preciso força... soltar o cabelo ao vento, respirar fundo e (usando uma expressão feia mas verdadeira) "enfrentar o touro pelos cornos"!

*beijinho*

Sandrinha disse...

E eu caminhei de mão dada contigo...

ALEXIA disse...

uma beijoca este texto está magnifico

Anónimo disse...

Amor, quando nao ha mais nada a que nos agarrar ha sempre a esperanca e a forca com que as "algumas" pessoas enfrentam a doenca. E ha os Amigos...Estou Aqui!

Anónimo disse...

Ah...Ana

o alquimista disse...

Sempre que a tarde cai soltam-se as amarras ao pensamento, sente o encanto da brisa, olha o sorriso da lua...
Desejo-te uma semana cheia de sonho, de mil venturas.


Doce e terno beijo

melena disse...

se metade é feita de maresia.

de que é feita a outra?