terça-feira, junho 06, 2006

friozinho ao sol.

sei-me
aceito-me
finalmente
como emigrante.

nunca antes.
nunca
nesse tempo em que me custava
custou
tanto tanto
tanto
deixar o meu país
as gentes
pessoas de mim
que achei que não ia aguentar.
achei que a vontade de voltar
ia ser sempre maior que a de ficar.

mas o trabalho.
que quando se gosta
mesmo
é mesmo a melhor terapia.
ajuda a consolar.
a lidar com o que não tem consolo.

porque há manhãs
às vezes noites
em que só queria que não me ferisse
tão afiada
a saudade
do berço de mim.

quando se está "entre-trabalhos" (the wonderful life of freelancing...)
pior um pouco.
porque o tempo.
o espaço.
a
(atrever-me-ei a dizê-lo?...)
solidão.
que é só minha
por mim causada
sei-o.
mas.

..

este ano tem-me custado muito a sombra e o frio.
mais que noutros anos.
talvez porque o estar em portugal em abril
o sentir aquele calor
todo
de tudo
me lembrou o que me falta.

aqui
com este calor arrefecido
em tantos
tantos
sentidos
aprendi a viver.
mas é
também
em mim
inconsolável.

como esta constante
vertiginosa
insuperável
desmesurável
vontade
de mar.

5 comentários:

Maria Zezinha disse...

O mar espera por ti. Como nós esperamos, como tu esperas... as férias, os curtos fins de semana, os pedacinhos "roubados" ao trabalho... no entanto, essa acredita! Nós estamos cá para ti! Quando e sempre que precisares. E do olnge se faz perto... Um beijo

Anónimo disse...

há um MAR que vai e vem entre nós, trazendo e levando saudade - o dos marulhos...

bjiños

M_d_O_M

Anónimo disse...

Recebi a resposta ao meu mail de Março.
Acho que sabias responder - basta olhar ao que registaste nesta parte do teu blog. Quase iguais! E tão diferentes.
Beijinhos - Vona

toda a gente bloga disse...

O mar espera por ti, e nós tb....
espero q seja p breve a vinda ao país à beira mar plantado.
Cá te espero.
Aguardo noticias.
BJs gd
Xana

Pedro disse...

Mas... estarás assim tão sozinha?

conheço essa sensação nucha... se bem que no meu caso há calor e mar para me consolar :)
(ok... desculpa... são "detalhes" que devia omitir, mas não consigo... é mais forte do que eu...)
também sabes que é uma "ilusão" que só existe em nós, e que nos basta abrir os olhos para descobrir que afinal estamos cheios, de companhias, de vidas.

E tão fácil é dar um pulo quando as saudades apertam :)

beijos grandes,

Pedro