sexta-feira, março 23, 2007

é meu o grito desumano.
calado.
de não saber.
de mim ou ninguém.
de me ser amputado o gesto
quando estendo o braço a quem.

mas não desisto.
não me fico.

a minha força
é a do que sou.
da onda que limpa
e do mar que a criou.
se sozinha for,
sozinha vou.

a força tem de ficar.

como quem não desiste
e sonha o futuro.
como quem desafia
a morte no escuro.

a verdade é só uma.
ser forte é querer.
tudo o resto
mentiras
a trair o viver.


























....






(imagem: trying to fit in, de dale wicks)

quinta-feira, março 22, 2007

ao lutador.

um ano depois.


" Intervalo

Eu só quero silêncio neste porto
Do mar vermelho, do mar morto

Perdida, baloiçar
No ritmo das águas cheias

Quero ficar sozinha neste espanto
Dum tempo que perdeu a sua forma,

Quero ficar sozinha nesta tarde
Em que as árvores verdes me abandonam. "

(sophia)













...




se ao menos eu pudesse
tanto.












....






(imagem: soaring alone, de bill nyman)

quarta-feira, março 21, 2007

dia de.

à poesia
onda
ar
libertação
de mim

e aos poetas
que me embalam
regam
marulham
a vida
e os sonhos...

o meu obrigada.


(não ler este poema até ao fim
é um crime
que cometerão
sobre vocês mesmos.)



" Ode à Poesia


Perto de cinquenta anos
caminhando
contigo, Poesia.
A princípio
me emaranhavas os pés
e eu caía de bruços
sobre a terra escura
ou enterrava os olhos
na poça
para ver as estrelas.
Mais tarde te apertaste
a mim com os dois braços da amante
e subiste
pelo meu sangue
como uma trepadeira.
E logo
te transformaste em taça.
Maravilhoso
foi
ir derramando-te sem que te consumisses,
ir entregando tua água inesgotável,
ir vendo que uma gota
caia sobre um coração queimado
que de suas cinzas revivia.
Mas
ainda não me bastou.
Andei tanto contigo
que te perdi o respeito.
Deixei de ver-te como
náiade vaporosa,
te pus a trabalhar de lavadeira,
a vender pão nas padarias,
a tecer com as simples tecedoras,
a malhar ferros na metalurgia.
E seguiste comigo
andando pelo mundo,
contudo já não eras
a florida
estátua de minha infância.
Falavas
agora
com voz de ferro.
Tuas mãos
foram duras como pedras.
Teu coração
foi um abundante
manancial de sinos,
produziste pão a mãos cheias,
me ajudaste
a não cair de bruços,
me deste companhia,
não uma mulher,
não um homem,
mas milhares, milhões.
Juntos, Poesia,
fomos
ao combate, à greve,
ao desfile, aos portos,
à mina
e me ri quando saíste
com a fronte tisnada de carvão
ou coroada de serragem cheirosa
das serrarias.
Já não dormíamos nos caminhos.
Esperavam-nos grupos
de operários com camisas
recém-lavadas e bandeiras rubras.

E tu, Poesia,
antes tão desventuradamente tímida,
foste
na frente
e todos
se acostumaram ao teu traje
de estrela cotidiana,
porque mesmo se algum relâmpago delatou tua família,
cumpriste tua tarefa,
teu passo entre os passos dos homens.
Eu te pedi que fosses
utilitária e útil,
como metal ou farinha,
disposta a ser arada,
ferramenta,
pão e vinho,
disposta, Poesia,
a lutar corpo-a-corpo
e cair ensangüentada.

E agora,
Poesia,
obrigado, esposa,
irmã ou mãe
ou noiva,
obrigado, onda marinha,
jasmim e bandeira,
motor de música,
longa pétala de ouro,
campana submarina,
celeiro
inextinguível,
obrigado
terra de cada um
de meus dias,
vapor celeste e sangue
de meus anos,
porque me acompanhaste
desde a mais diáfana altura
até a simples mesa
dos pobres,
porque puseste em minha alma
sabor ferruginoso
e fogo frio,
porque me levantaste
até a altura insigne
dos homens comuns,
Poesia,
porque contigo,
enquanto me fui gastando,
tu continuaste
desabrochando tua frescura firme,
teu ímpeto cristalino,
como se o tempo
que pouco a pouco me converte em terra
fosse deixar correndo eternamente
as águas de meu canto. "


Pablo Neruda


(Tradução de Thiago de Mello)

























....









(imagem: poetry, de ?)

terça-feira, março 20, 2007

verdade(s).

eu agora só queria fugir.
pegar em mim, em tudo o que sou, e correr correr correr, correr até não haver mais areia para os pés, correr com tanta força que o vento se visse empurrado a desenhar-me lágrimas de olhos, e que essas lágrimas me furassem a pele, me rasgassem por dentro, me obrigassem todo o corpo a chorar.

eu agora só queria chorar.
chorar, chorar, chorar, chorar e chorar. só isso. não sei que mais liberte este sentir tão confuso, tão cheio de vazio, tão tudo de nada, tão seco por mim. que me não permito. e me não proibo. que vivo, só, e isso é tão pouco, parece tão pouco, tão nada, agora.

eu agora só queria dormir.
fechar os olhos ao mundo, fechar os olhos à dor. dormir para além dos outros, dormir para além de mim. sonhar?... só se o mar. não quero outro sonho que não o mar de mim. tudo o resto passa, tudo o resto vai. tudo o resto é sonho. tudo o resto é só o que não é para sempre.

eu agora só queria não ser.
não existir, por um bocadinho. não ser, não precisar, não saber. queria fundir-me num grito que tocasse o imenso presente de agora, me ensurdecesse, me fizesse não saber de mim, dos outros, de nada.

eu
agora
queria
que não existisse
nunca mais
o nunca mais.




























....









(imagem: despair, de gwendalin qi aranya)

domingo, março 18, 2007

quotidiano(s).














toco o cobertor.
por debaixo a coberta, por debaixo o lençol, só depois a mão dele. mas sento-me à ponta da cama - não consigo chegar-lhe à mão. toco o cobertor, só – não consigo chegar-lhe à mão.

o tempo pára.
ali, o tempo não deixa passar a vida, não deixa sonhar o que vem. ali o tempo pára, e tudo o queremos, vivemos e damos é só nada.
é espera, só.
enlouquecemos à procura de saber o que esperamos, se isto ou, aquilo ou talvez, e não sabemos – nós não sabemos o que esperar.

há tubos por todo o lado, e o cheiro, o cheiro é tão característico, não de um sítio igual a este, mas este sítio igual a si mesmo, igual a este momento, a este nunca mais que custa a passar, esta verdade que nos faz reclamar, sem o direito, sem um sujeito que venha, saiba, diga. verbos, precisamos de verbos, acção, não é assim? ...... corrói-me por dentro tudo aquilo contra o qual nada posso – dêem-me coisas, dêem-me nadas para pontapear e castigar, como se. falta-me o ar, estou enjoada, socorro, a impotência mete-me nojo, a minha, eu que nada posso contra o sofrimento de, eu que nem sei dizer o que virá amanhã, se lhe devemos sorrir ou pedir que não chegue.


...


não largues a mão, não cedas ao medo
– ajuda o tempo a respirar

respira-o fundo, enconcha, marulha
– cala-te o frio que teima em chegar









....






(imagem: afraid of the dark?, de peter kozikowski)

segunda-feira, março 12, 2007

life's a beach...














and then you live.



















(imagem: costa da caparica, 11.03.07)

sexta-feira, março 09, 2007

30 (parte 2: aquilo que fica)

agora
já tenho
um marco
físico
para os meus 30 anos.














...


obrigada
a ti
por todo o trabalho
acarinhado
que.

porque
não sei
mesmo
dizer
o tanto
que significa
em mim.




















....



e porque já algumas vozes
falaram
pediram
uma reposição,
aqui fica,
no mais indicado dos posts,
fotografias de telemóvel,
cá e lá,
música dos killers,
e muita noite em frente ao pc,
(maldito movie maker!!!!),
a brincar com o editar,
na não tão longínqua londres.
"eu longe".



quinta-feira, março 08, 2007

hoje celebro

a coragem
o direito
a maravilha

de ser mulher.





























....









(imagem: jeanne hebuterne with the hat, de amedeo modigliani)


terça-feira, março 06, 2007


















podia dizer-te que enlouqueço.
aos poucos, aqui, assim, sinto-me enlouquecer.
quando imagino o passado, o acreditar de tanto, o equilíbrio,
para além da vida,
o tudo que nunca conheceu ninguém senão nós,
podia,
podia dizer-te que duvido tê-lo vivido realmente,
que chego a duvidar de que algum dia tenhamos mesmo existido.
ou que tenha existido
eu
em verdade
em ti.

porque o canto do teu silêncio é mais claro que as memórias, mais perfeito que nós, mais forte que eu.

e sinto só
para além de tudo
a revolta.
a revolta de me não levantar, olhar a tua ausência nos olhos, fazê-la a ela sentir o medo, o terror, o veneno que.

mas a cada dia
a cada dia
de abandono
largo-te de nós.
roubo-te às memórias –
tu que não mereces,
tu que não lembras,
tu que não amas.

cubro o meu sentir
e ergo-me
hei-de erguer-me
sozinha.
seguir em frente.

desculpa
(ou não):
tenho um compromisso
de vida
com a vida de mim.








....






(imagem: letting go, de annekarin glass)

segunda-feira, março 05, 2007

instante inverso


















lamento-me
peno-me
traio-me
sem que o consolo chegue
sequer
a respirar-me
em vida.

e hoje
hoje
foi um
outro dia
de instantes
inversos
em que o amor
vestido de enganos
bordados a nada
me disse
adeus.








....






(imagem: lamento da gaivota, de graça morais (detalhe) )

sábado, março 03, 2007

3 de março.


sexta-feira, março 02, 2007

livres.


vinha com a menina dos olhos de mel rua abaixo, passámos a praça da ALEGRIA para acabar na avenida da LIBERDADE.

(gosto muito dos nomes de algumas ruas de lisboa (acredito que os haja um pouco por todo o portugal, mas falo do que me é mais perto, do que sei assim, de coração)... há coisa mais bonita que dizer que se mora na rua da esperança, na praça da alegria, avenida da liberdade ou praça 25 de abril?.........)

pelo caminho ela falava-me do envolvimento do meu pai no PREC, que eu desconhecia, mas que me encheu assim de um orgulho bem especial.
mais um.

disse-lhe adeus e pus-me a caminho do metro.
chegada aos restauradores, dei comigo no meio da preparação de uma manifestação, marcada para hoje pela cgtp...
nem de propósito.















e foi bom de sentir,
o calor da gente minha
o burburinho das vontades
o cheiro a vida
a força sanguínea
daquela
humanidade
toda
ali junta
em revolta
mas
e
também
camaradagem.















e
de lágrimas nos olhos
respirei a liberdade.

quinta-feira, março 01, 2007














hoje apetecia-me o passado.
assim mesmo,
sem vergonha
ou pesar.
hoje queria só
não ser hoje.
por debaixo dessa cama de amor encontro
caminhos de antes
escondidos do tempo
e da dor.
cuidados.
urgências do querer.
do estar.
o pó os transformou na certeza do que não volta
não vive
não é
para sempre.
e eu não quero

não aguento
saber.
quero só fechar os olhos
e dormir
dormir
dormir durante a batalha
do que se quer
e o que se tem
e acordar só

quando me lembrar
me vir
sentir
quem sou.
porque por mais que me rasgue
me fira
e vire do avesso
tu não virás.
por isso
por isso
fecho as mãos
dedo a dedo
aperto os olhos
lágrima a lágrima
e deixo mesmo
mesmo
de tentar

pintar
de vida
e côr
a tua ausência.








....






(imagem: alone, de ferenc j. haraszti)

quarta-feira, fevereiro 28, 2007














tira-me do silêncio, tira-me este nada.

enleia-te em mim, cose-me por dentro, cose-nos por fora, o que for - tira-me deste silêncio de escuro que me trava o sorriso e me enuva por dentro.
vês-me? tu vês-me? não me dês o silêncio. tira-o de mim - não mo dês.

não me dês o desapego, a fuga, a falta de, falta de mim. basta-me a mim não saber onde sou - não me dês o silêncio sobre tudo o mais. sobretudo, não me tragas o vazio de palavras que não.
vê longe a minha vida, que vejo de fora - é o quê que ouves, para lá da ilusão?....
enrolo-me.
enrolo-me em mim.
não quero saber mais.
larga os meus dedos
o meu toque
o olhar que ama
tudo aquilo que rejeitas agora,
que cobres de silêncio,
cobras sem nada dizer.
vem e larga-me de mim.
e finge não saberes o frio que tenho,
que me dói e emudece assim.







....






(imagem: elena vasileva)

terça-feira, fevereiro 27, 2007

"joão"

com um sorriso de orelha a orelha
que traz o passado
o futuro
e a eterna
assim sempre
presente
protecção

com princípios de coragem
coragem para a força
e essa força sem explicação

com tudo o que te vejo ser
dar
sempre
e viver
de coração

hoje
mais do que
de sorriso nos olhos
e orgulho
de vida
no sangue
que é mão

sorrio-te
cúmplice
verdadeira
e feliz,
meu irmão.



























....









(imagem: children's embrace, de alexandra white)

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

às voltas com a(s) diferença(s)























" The Road Not Taken


Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I —
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference. "

(robert frost)


porque é
tanto
o que
empurra
puxa
e também
que eu já não sei
não sei
como a outra
se saberei
mesmo
sentir.

ou o quê
- já tanto me faz.







....






(imagem: ana nicolau)

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

obrigada.



















" Enquanto Há Força

Enquanto há força
No braço que vinga
Que venham ventos
Virar-nos as quilhas
Seremos muitos
Cantai rapazes
Dançai raparigas
E vós altivas
Cantai também

Levanta o braço
Faz dele uma barra
Que venha a brisa
Lavar-nos a cara
Seremos muitos
Seremos alguém
Cantai rapazes
Dançai raparigas
E vós altivas
Cantai também"

(josé afonso)



....


do mais fundo de mim.
mesmo.
sempre.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

desisto

de querer ser um
qualquer
deus

e saber o amanhã.



....





















(imagem: waiting in repose, de dale wicks)

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

?.......

que esperamos nós
de mão dada
com o irreversível?

que podemos esperar
de olhos postos nas gotas que caem
uma a uma
alimento de vida
vida de fome
prolongada?

(...)

que esperamos nós
que não sabemos
não sofremos
não sobrevivemos
como
e somos só
assim
nada
na luta
disputa
conduta
do que nos é

dúvida
medo
incerteza
e dor
a cada dia
a cada minuto
que passa
se arrasta
ainda
pela impotência de nós?



























....








(imagem: personal, de dale wicks)

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

limbo - III

todas as noites

as quatro crianças

abrem o escuro
nas mãos

e apertam os olhos

doídas
e doridas

do não-saber.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

a desilusao cai sobre o que sinto
como um destino que se nao pode evitar.
se nao pudesse.
se existisse.
mos.





















....





(imagem: emptiness, de martine rhyner)

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

por que SIM?

porque a pergunta é
simplesmente
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?".

e não
"É a favor do aborto?"

ou
"Acha que o aborto deve ser utilizado como método contraceptivo?"
como alguns senhores da campanha do "não" fazem questão em fazer crer ao eleitorado.

a pergunta
é
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"


...


eu concordo,
SIM.

concordo,
SIM,
com a mulher que tem de abortar, decide abortar, poder fazê-lo no seu país, em condições de segurança e higiene, entre outras, sem correr o risco de morrer, sem correr o risco (dessa forma tão acrescido) de não poder voltar a engravidar, sem correr o risco de contrair dívidas sérias para poder ir fazê-lo a espanha, sem correr o risco de acordar a meio do mesmo, como sei de casos em que, sem correr o risco de ser presa por algo que, na maioria dos casos - acredito, SIM - seria diferente se outras as condições, outro o tempo, outra a vida.

porque, SIM, acredito que mulher nenhuma aborte de bom grado.

porque, SIM, acredito que o aborto traz consequências não-discutidas à mulher que o faz, e acrescentar a isso o medo de ser descoberta, o medo de morrer, o medo de não ter dinheiro para, é escandaloso.... escandaloso.


não percebo por que não há, ainda, em portugal, como por essa europa fora, a educação sexual que ensina, previne, explica.

não percebo por que algumas pessoas enchem a boca a dizer que o aborto é um atentado à vida, mas não é da mulher que se corta por fora e por dentro que falam. assim mesmo. dentro, também. no sentir.

mas não é isso que se pergunta.
não é isso que importa agora.
agora já.
há muitas batalhas a travar
até que
e a pergunta
agora
é só uma.

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

SIM.
eu concordo.
eu digo SIM.






















....






(e o cúmulo de não poder votar porque vou estar fora de portugal?... em '98 a trabalhar na expo, este ano os baftas.... isto porque os emigrantes não têm voto na matéria no que respeita a este assunto. é como diz o outro" os emigrantes não precisam de votar - nos países em que vivem a despenalização existe".
.....
mas irrita-me
muito
não poder mesmo votar.)


quinta-feira, fevereiro 08, 2007

o agora e a vida. agora.

porque é 8 de fevereiro
sim
hoje.

abre os olhos
à volta de ti.
deixa o que.

é tempo de.















....






(imagem: rebirth, de kevin j. gross)

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

era quase inverno.
eu lembro-me.
acordaste
preparaste a vida do dia
e disseste
pensaste
não
isto não chega,
já chega de.

pediste licença à dor
à dúvida
e ao passado que

criaste um sorriso de mar
viste nascer a lua nova
e quando viste para além da chuva

soubeste

"é tempo de viver o amor
é tempo de viver o desejo
é tempo de viver a vida.
agora,
eu,
a minha vida."

falaste o amor
sentiste a força
sorriste de vida

e nós soubemos
soubemos
contigo.

soubemos que tinhas de ir.

porque o teu amor é puro
e verdadeiro
e tu.

porque a força que nele vive
a certeza que respira
esse sem-fim de acreditar.

agora vais ser feliz
ver a vida "abensonhada"
abrir a alma
e voar.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

ao jeito de "a criança e a vida"

"a doença é um bicho papão
que faz dos adultos meninos
e não espera a noite para fazer doer.
"
(nana, "5 anos")














....

terça-feira, janeiro 30, 2007

da incerteza: incapaz e impotente




















" O Hospital e a Praia


E eu caminhei no hospital
Onde o branco é desolado e sujo
Onde o branco é a cor que fica onde não há cor
E onde a luz é cinza

E eu caminhei nas praias e nos campos
O azul do mar e o roxo da distância
Enrolei-os em redor do meu pescoço
Caminhei na praia quase livre como um deus

Não perguntei por ti à pedra meu Senhor
Nem me lembrei de ti bebendo o vento
O vento era vento e a pedra pedra
E isso inteiramente me bastava

E nos espaços da manhã marinha
Quase livre como um deus eu caminhava

E todo o dia vivi como uma cega

Porém no hospital eu vi o rosto
Que não é pinheiral nem é rochedo
E vi a luz como cinza na parede
E vi a dor absurda e desmedida "


(sophia)





....



(imagem: the waiting line, de kyle houston cummings)

sexta-feira, janeiro 26, 2007

"stuck in the middle with"



















é durante o dia, até...

às vezes,
se não passeio pela côr desta cidade que amo,
se me fecho em casa
sem saber de mim
do que chega
ou da vida
lembro as ruas dessa outra
- que o é já ela -
cidade de mim.
lembro maneirismos
sinto-a
e ouço
em mim
todas
as línguas de si.

e tenho
tenho
saudades.
até mesmo
da própria vida.





....



(imagem: Missing You, de Raven La Fontaine)

sábado, janeiro 20, 2007

saldos















...

à venda no carrefour.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

luta de.

sem saber
que futuro
se futuro
quem futuro,
lembro-me
confirmo-me
obrigo-me
a saber:
até chegar,
ele é nada
senão
o que se.

por maior o embate.
por maior o combate.
por maior o medo.

















ainda
ainda
um dia de cada vez.










....






(imagem: Not Giving Up, de "IgaNinja")

quarta-feira, janeiro 17, 2007

"i think you better go ahead"













" Run for the hills before they burn
Listen to the sound of the world
Then watch it turn
but shake a little
Sometimes I'm nervous
when I talk
I shake a little
Sometimes I hate the line I walk

I just wanna show you what I know
And catch you when the current lets you go

Or should I just get along with myself
I never did get along with everybody else























I've been trying hard to do what's right
But you know I could stay here
All night
And watch the clouds fall from the sky "

(the killers, this river is wild)









....







(imagem: "emptiness", de lollipop)

quarta-feira, janeiro 10, 2007

esta lisboa que eu amo - I











































































































segunda-feira, janeiro 08, 2007

é tão triste

sentir
que amigos
- que escolhemos
porque.
que mantínhamos
porque. -
falaram
falam
nas costas
de.

acima de tudo
dói
o olhar
que muda:
ou julga
ou ridiculariza
por preconceito
e
ou
ignorância
pura
e dura.


e depois
depois
admiram-se
do afastamento
de quem.

















......










["Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem "
(sophia)]













......





(imagem de: Noronha da Costa)

sábado, janeiro 06, 2007

s. pedro de moel

noite -
o mar é dono de tudo.

o mar
é dono de mim.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

2007.


















" Eu, Caçador de Mim


Por tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu, caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim "

(Sérgio Magrão e Luís Carlos Sá)


.....


never
ever
ever.