quinta-feira, julho 13, 2006

encontro.

"Mar

Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras. "

(sophia de mello breyner andresen)














hoje
regresso
finalmente
a mim.

quarta-feira, julho 12, 2006

self-reminder.

domingo, julho 09, 2006

a vida viva, um ano depois.














não percebi que podia ter sido eu, assim, sem aviso nem nada, quando, dentro do metro, a caminho do trabalho, ouvi o condutor dizer que havia notícia de relatórios não confirmados de duas explosões no centro de londres.

não o percebi também quando esperámos tempos sem fim dentro do metro, sem muitas notícias depois dessa, gente apertada dentro e fora a tentar saber o que era, a palavra "terrorismo" na mente de tantos, a passar-me despercebida a mim que a não entendo, que me foge mesmo à compreensão, e depois não,
esses tantos a ligarem para quem fosse que soubesse um pouco mais, o boato de um problema eléctrico estar na origem das explosões a nascer, muita gente aparentemente a sair do metro e a entrar nos autocarros, a cidade apinhada de gente num despertar confuso e incompreensível.

não percebi também nessa altura, quando depois evacuaram o metro, nos evacuaram de um dia normal e nos deram assim à cidade numa rua que não conhecíamos mas que era o nosso apeadeiro da ameaça, o nosso refúgio do que não se sabe quando e onde atacará outra vez,
quando à toa andei por essa rua à procura de um café, as pessoas confusas, a correrem, a quererem chegar ao trabalho, a insistirem na normalidade de um stress que nada é face ao terror da impotência e do improvável.

nada, nem mesmo os directos na televisão do café onde me sentei, as imagens, a confirmação oficial do ataque terrorista na cidade que ainda ontem eu vira e sentira, de perto, comemorar a alegria de ser palco desses momentos que juntam povos e raças daqui a 6 anos,
nada me fez sentir que podia ter sido eu
ainda que mo fizesse pensar.

boom.

e 52 pessoas inocentes morreram.
e muitas, muitas mais ficaram inconsoladas para sempre.
...
inconsoláveis.



















.....



...



.....


..



no dia a seguir aterrei em lisboa.

e apercebi-me.


a minha prima abraçou-me
e disse
"obrigada por estares aqui...
obrigada por estares aqui
depois do que aconteceu ontem."


...


..


e apercebi-me.

assim.


...


..


.

agora tento viver mais.

só isso:
mais.

"porque um só tempo é nosso.
e o tempo é hoje. "



...



quarta-feira, julho 05, 2006

sonho.










" Chegamos? Não chegamos?

- Partimos. Somos. Vamos. "

(Sebastião da Gama)

...

e fomos.

somos.

estamos.


...

em nós.

'BORA LÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!!!!

















"Por que não pedir o Mundo?


Cinco, quatro, três, dois, …
Pois, não passámos do dois.
Mas deixemos os relatos infelizes para depois.
Estivemos quase,
mas quase não sei se chega.
Mandámos vir champagne e deu-se a tragédia grega.
Como é que se diz? Foi por um triz
que nós não pusemos os pontos nos is.
Nabice? Preguiça? Alguém faltou à missa?
Qualquer coisa lhes deu, não sei bem o que foi.
Sei é que fizemos um grande campeonato mas na final
não jogámos um boi.

Um boi?!
Foi ou não foi?

Corremos, marcámos, merecemos,
saltámos, sofremos e fizemos sofrer.
Fizemos o possível enquanto houve combustível
e metemos o que havia para meter.
Como é que uma equipa com talento, magia
e um futuro de que tanto se disse,
está disposta a deitar fora a energia
e se conforma em estar na história como "vice"?
Nada disso!
O tuga, que até hoje só provou que consegue ser segundo,
Vai, por isso, deixar de ser chouriço
e assumir o compromisso de ser campeão do mundo.

Corre mais, joga mais,
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais

Há quem diga que Portugal não está em forma,
modesto por norma, faz-lhe falta um safanão
que nos faça de uma vez acreditar
que entre os que podem ganhar está a nossa selecção.
A fasquia está alta? Não faz mal, Portugal salta
com milhões a empurrar.
Até pode parecer louco, mas para nós segundo é pouco
E um louco não se deve contrariar.
Será demais pedir o mundo?
O que pedimos, no fundo, são ainda menos ais.
Porque todos se lembram do campeão
Mas não dos que são derrotados nas finais.
Ficar nos dois primeiros não tem mal nenhum,
É preciso é que fiquemos no número um.
Vamos apagar da história essa final de má memória
e vão ver que ninguém topa.
Porque eu posso estar errado, mas que eu saiba, em qualquer lado,
o melhor do mundo é o melhor da Europa.

Corre mais, joga mais,
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais

Repete-se o refrão, a história é que não.

Marca mais, chuta mais
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais.

É o retrato de um país aplicado ao futebol.
Tem tudo o que é preciso, só perde por ser mole.
Toca a acordar, pessoal!
Queremos mais garra,
deixar de ficar felizes quando a bola vai à barra.
Vamos com tudo, meter o pé, chutar primeiro,
Que o último a chegar é calaceiro.
Ter medo deles? Isso era dantes!
Vamos embora encher de orgulho os emigrantes.
Sem esquecer que nas grandes emoções
quando grita um português, gritam logo 15 milhões.

Heróis de Berlim, nobre povo…
Não tinha graça cantar um hino novo?
Escrito pelo pé de artistas
que vão alargar as vistas à nação verde e vermelha.
Ficar em segundo? Nem morto!
Ganhar ou perder é desporto? 'Tá bem abelha!
Venha a Alemanha, o Brasil ou a Argentina
com cabelos de menina e cara de lobo mau,
se calham a apanhar-nos pela frente
e viram as costas à gente…
TAU!

Corre mais, joga mais,
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais

Repete-se o refrão, a história é que não.

Marca mais, chuta mais
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais

Seja no chão, pelo ar, de cabeça ou calcanhar,
de tabela, nas laterais ou no miolo…
Vai Ronaldo, finta um , finta dois, pode remataaaar…
Golo!!!

(É esta a vantagem da ambição,
podes não chegar à lua, mas tiraste os pés do chão.) "










...

a caminho da lua.









porque somos
mesmo
especiais.

e merecemos
esta alegria
lacrimejante
contagiante
fortificante
que nos enche
nos consome
e nos faz sonhar.

terça-feira, junho 27, 2006

um dia destes...

hei-de convencer o mundo de que a felicidade é
mesmo
um estado de espírito

que não se recebe
não se reclama
não se implora...

conquista-se.











...

souvenez-vous d'amélie...

sábado, junho 24, 2006

de assalto...

provei a escuridão da violência
perto.
soube a força guerreira, inalterável, amiga,
dentro.
como fora.
conheci mundos a que não chego.

...

e apesar de tudo
de assalto
não houve o medo.

porque a força de sermos um, ali.
















...


.


em 14 anos de bairro alto, nunca fui assaltada.
nunca tive medo.
nunca fui intimidada por ameaças.
"e se?...."...
nunca.
eu não.
nunca presenciei um assalto.
e nunca
nunca
niguém
tinha tentado fazer mal a um amigo
assim
à minha frente.


não sei se os instintos são perigosos.
para mim depende.
do ponto de vista
e da vista geral.
eu sigo os meus
porque os não penso
sequer.

e o que me magoa mais não são os (pouquíssimos) arranhões que ficaram
ou o sujo do chão da rua em mim.

o que me dói mesmo
mesmo
são os olhos que olhei,
o dentro que não soube tocar,
que se escondia num longe
tão longe
que não vi caminho até ele.

e eu perguntava
"porquê?..."
e eles davam-me só o silêncio
a violência contra quem amo como a um irmão
a força sobre mim que me impediu tudo
e o quase vazio do olhar
aquele ser-se vivo de forma tão estrangeira a mim
como resposta.

e doeu-me o ataque
estúpido
a quem é dentro em mim.

e não percebo.
e confude-me.
e sinto-me ingénua
quase criança
perante a maldade do mundo
assim presente
tão perto.


mas.
by you.
sempre.

por isso no fim
no fim
sorri
até.
de amor.
pela beleza de nós.


por maior a tristeza
o vazio
da impotência doída.
















...

quinta-feira, junho 22, 2006

hoje(s).

sábado, junho 17, 2006

no meu planeta.


















sorrio
rio
abraço
beijo
amo

com toda a força de mim.

quarta-feira, junho 14, 2006

" querida amiga,

seguro a tua mão desde o início de tudo.
e não deixo, não largo.
mas não to fiz sentir – não me fiz sentido, também, então, mas disso te falarei à frente –, e por isso te peço desculpa. pela ausência física. das palavras que abraçam, porque nada mais posso deste longe de cá.

a verdade é que acontece, nisto de ser emigrante, nisto de estar-se vivo, ir-se, sentir que se vai, ao fundo. sem que às vezes se saiba do quê. sem que às vezes se perceba porquê. e a vontade de emergir é tanta que esperneamos, gritamos, esbracejamos, imploramos ajuda sem nunca o fazer. a cura está em nós, sabêmo-lo já, mas insistimos em esquecer-nos disso. como quem se esquece de nada. que nada. e vai ao fundo.

e é como se fôssemos tão tristes que nada pudéssemos levar a outros senão a nossa fraqueza. mais que tudo o mais, isso empurra-me, a mim, mais, para baixo. e esperneio. grito. esbracejo. como outros. sem os outros. porque sinto, sei, que não é este o meu lugar
dentro
e na vida.

e a cada dia que passa, a decepção de saber que estamos a falhar a quem precisa, a quem queremos tanto bem. a cada momento o sentir que numa qualquer palavra pode ser notada a nossa tristeza, o nosso fundo, que não deve, não pode, ser tocado por quem precisa de força.

e deixamo-nos ir, encurralados pelo que sentimos – o que conseguimos sentir... – , e o que queríamos
tanto
tanto
sentir.
abandonamos qualquer movimento:
agora não me mexo.
se é fundo é fundo, pronto, deixem-me.
agora vou ficar aqui.

mas a vida.

a vida tem esta coisa de querer ajudar-nos, e há anjos muitos (cada vez mais...) à nossa volta...
e, sem mover um músculo, ou pelo menos sem por isso fazer, damos por nós a ir ter à superfície, a boiar, a olhar o céu, ao colo do mar, e a sentir que, pelo menos, não estamos sós. por mais que. e tudo o resto.
não nos mexemos, quase, fracos ainda pelo susto e pela dor, mas somos já capazes de tentar um sorriso. por mais triste. por mais escondido, é um sorriso em paz, já.
connosco mesmos.

e há um dia, de repente, assim mesmo, de repente, mais ainda que o afundar, por uma coisa de nada, um telefonema, uma voz amiga, um jogo de futebol, um dia de calor, um sorriso desconhecido, qualquer nada que nos chega e nos faz voltar a nós, há um dia em que rimos como é nosso rir, e usamos a força que é nossa, que temos de volta, para nadar até à praia e abraçar quem precisa. para, assim, regressarmos a nós.

peço-te desculpa pela falta das palavras, do abraço.
porque sei
sei
que em alturas como tantas, qualquer sorriso, qualquer carinho, qualquer palavra, por mais triste, por mais fraca, é uma força, um pequenino consolo em nós.

peço-te que aceites esta escrita
- despida de tudo,
porque te devo a sinceridade desses momentos -
como um alongado, porque difícil, pedido de desculpas.

e um abraço, já na praia, com a força e o carinho do mar que consola.
"

terça-feira, junho 13, 2006

prontas.














eu e a casinha,
com a esperança a espreitar
e um sorriso à janela,
à portuguesa.














:o)

segunda-feira, junho 12, 2006

fuga a mim. ou regresso, tanto faz.

" Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto
Eu to voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar, muda a roupa de cama
Eu to voltando
Leva o chinelo pra sala de jantar...Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar porque eu to voltando
Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor
Que eu to voltando
Pega uma praia, aproveita, ta calor, vai pegando uma cor
Que eu to voltando
Faz um cabelo bonito pra eu notar que eu só quero mesmo é
Despentear
Quero te agarrar... pode se preparar porque eu to voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som, estréia uma camisola
Eu to voltando
Dá folga pra empregada, manda a criançada pra casa da avó
Que eu to voltando
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar... Quero lá.. lá.. lá.. ia.....porque eu to voltando!"

......

terça-feira, junho 06, 2006

friozinho ao sol.

sei-me
aceito-me
finalmente
como emigrante.

nunca antes.
nunca
nesse tempo em que me custava
custou
tanto tanto
tanto
deixar o meu país
as gentes
pessoas de mim
que achei que não ia aguentar.
achei que a vontade de voltar
ia ser sempre maior que a de ficar.

mas o trabalho.
que quando se gosta
mesmo
é mesmo a melhor terapia.
ajuda a consolar.
a lidar com o que não tem consolo.

porque há manhãs
às vezes noites
em que só queria que não me ferisse
tão afiada
a saudade
do berço de mim.

quando se está "entre-trabalhos" (the wonderful life of freelancing...)
pior um pouco.
porque o tempo.
o espaço.
a
(atrever-me-ei a dizê-lo?...)
solidão.
que é só minha
por mim causada
sei-o.
mas.

..

este ano tem-me custado muito a sombra e o frio.
mais que noutros anos.
talvez porque o estar em portugal em abril
o sentir aquele calor
todo
de tudo
me lembrou o que me falta.

aqui
com este calor arrefecido
em tantos
tantos
sentidos
aprendi a viver.
mas é
também
em mim
inconsolável.

como esta constante
vertiginosa
insuperável
desmesurável
vontade
de mar.

" ils sont fous ces anglais!!! "














...

sexta-feira, junho 02, 2006

e áfrica?........


















foi MESMO um sonho?

quarta-feira, maio 31, 2006

caracol "a la vegan"

segunda-feira, maio 22, 2006

"for a laugh"...

desculpem ser em inglês, mas há coisas que não se podem mesmo traduzir...
a verdade dói, nalguns casos, razão pela qual me recuso a dizer quantos se aplicam a mim! ;oP



" how to tell if you are a londoner...............
















1. You say "the City" and expect everyone to know which one.
2. You have never been to The Tower of London or Madame Tussauds but love Brighton
3. You can get into a four-hour argument about how to get from Shepherds Bush to Elephant & Castle at 3:30 on the Friday before a long weekend, but can't find Dorset on a map.
4. Hookers and the homeless are invisible.
5. You step over people who collapse on the Tube.
6. You believe that being able to swear at people in their own language makes you multilingual.
7. You've considered stabbing someone.
8. Your door has more than three locks.
9. You consider eye contact an act of overt aggression.
10. You call an 8' x 10' plot of patchy grass a garden.
11. You consider Kent the "countryside".
12. You think Hyde Park is "nature".
13. You're paying £1,200 a month for a studio the size of a walk-in wardrobe and you think it's a "bargain".
14. Shopping in suburban supermarkets and shopping malls gives you a severe attack of agoraphobia."
15. You pay more each month to park your car than most people in the UK pay in rent.
16. You pay £4 without blinking for a beer that cost the bar 28p.
17. You actually take fashion seriously.
18. You have 27 different take-away menus next to your telephone.
19. The UK west of Heathrow is still theoretical to you.
20. You're suspicious of strangers who are actually nice to you.
21. Your idea of personal space is no one actually physically standing on you.
22. £50 worth of groceries fit in one plastic bag.
23. You have a minimum of five "worst cab ride ever" stories.
24. You don't hear sirens anymore.
25. You've mentally blocked out all thoughts of the city's air/water quality and what it's doing to your insides.
26. You live in a building with a larger population than most towns.
27. Your cleaner is Portuguese, your grocer is Somali, your butcher is Halal, your deli man is Israeli, your landlord is Italian, your laundry guy is Philippino, your bartender is Australian, your favourite diner owner is Greek, the watch seller on your corner is Senegalese, your last cabbie was African, your newsagent is Indian and your local English chippie owner is Turkish.
28. You wouldn't want to live anywhere else until you get married.
29. You roll your eyes and say 'tsk' at the news that someone has thrown themselves under a tube train.
30. Your day is ruined if you don't get a copy of Metro on the way to work. "
















...

quinta-feira, maio 18, 2006

viagem ao centro.

"the one thing the illness has convinced me of beyond all doubt - more than any experience i've had as an athlete - is that we are much better than we know."


...


..


.



acabei de ler o livro do lance armstrong, "it's not about the bike - my journey back to life".

...


ele me levou aos pirinéus, a nice, a barcelona...
e também me levou aos corredores dos hospitais, às segundas e terceiras opiniões, às salas de químio, ao medo, ao mal estar físico, ao mal estar emocional, à fragilidade do medo de ter medo.
ele me esbofeteou com a verdade numa mão, e me enforteceu a esperança com a outra.
ele me trouxe a vergonha de não ter estado ao lado de uma das pessoas mais importantes da minha vida quando por isso passou.
sem que eu perceba, consiga encaixar no tempo, e em mim, o porquê.
ele me deu o lado de lá de um aniversário em agosto.
e me fez sorrir de um orgulho muito
muito
feliz.















...



agora...

agora
passeio de bicicleta pelos caminhos da esperança
que têm a cor dos campos do alentejo
e o cheiro da terra

perto.

nas mãos.

quarta-feira, maio 17, 2006

palavras para quê?.......






















ps - as festas de fim de produção, por motivos óbvios, deviam ser proibidas em dias de semana!
tenho dito.

segunda-feira, maio 15, 2006

us mês alent'janitus














a do descanso...
















o da boina...





























e a do campo.


sexta-feira, maio 12, 2006

do meu corpo.












sempre pensei no meu corpo como algo de completamente exterior ao que sou. literalmente.
o que penso é uma coisa, o que pareço outra.
o que sou é o que fiz de mim, o que exibo o que de mim foi feito.
a cabeça e o coração são de mim, o resto foi-me simplesmente "atribuido".

sim, sempre acreditei nessa tal "insustentável leveza do ser"...
insustentável.


até mudar.


até saber que sou dona de mim
e
do meu corpo.

.


estranhamente, era nisto que pensava enquanto fazia a minha primeira sessão de fisioterapia terça de manhã (para quem não sabe, fracturei um osso do tornozelo há pouco mais de um mês).















...

neste país muita gente se queixa dos impostos serem altos.
são, é um facto.
eu não me queixo muito. por mais que me queixe.
porque as diferenças...
digo-lhes apenas "pelo menos a vossa saúde é à séria (mas acreditem que há excepções!!!) e de graça. em portugal os impostos também são (proporcionalmente... e não!) altos, mas até uma ida ao hospital se paga (normamente os bifes ficam de boca aberta com esta... saúde pública paga?... pois é, camone, "welcome to the portuguese world"... e não queiras ir ao verdadeiro espaço físico de uma ala de urgência num hospital português, ou és capaz de te passar da tola... só eu sei o quanto me choca a mim, e sou portuguesa... :o( ... )".

aqui, bom, a seguir à primeira consulta (de graça) no hospital, com uma médica, quando me enfaixaram o dito pé e me deram as belas canadianas para andar, tive outra consulta (de graça) uma semana depois, já com um fisioterapeuta, para ver como é que o gajo estava e se estava tudo bem com os tendões.

pouco tempo depois, nova consulta (guess what?... claro, de graça!!!), com o mesmo fisioterapeuta, para um "re-check" e para ver o que é que era preciso fazer para ele voltar ao normal, que tipo de fisioterapia, agora que o dito tornozelo já aguenta um bocadinho: é tempo de o re-ensinar a andar, a ter equilíbrio, a ter confiança.
como um bebé, quase...














vá de marcar fisioterapia. 6 semanas, uma vez por semana. sim, tudo, TUDO de graça.

em portugal quando rachei o polegar tive de pagar €2 e qualquer coisa da primeira consulta... e nunca tive niguém a analisar como é que o meu polegar ficou depois disso, se re-aprendeu todos os movimentos ou não. tira-se o gesso e 'tá curada. mas não sem antes pagar um bocadinho mais, pelo tirar do gesso...

...

não gosto quando chego a portugal e alguns dos emigrantes que vão no avião comigo começam a mal-dizer o meu querido país, e a dizer coisas como "bem se vê que já chegámos a portugal!". irrita-me solenemente, mesmo. dá vontade de dizer "então para que é que vieste???".....
mas o que é certo é que, em termos de saúde público, sinto-me muito mais "looked after" aqui do que aí.
e isso entristece-me.
muito.


mas adiante.

a fisioterapia.














depois de breve explicação dos exercícios e por que é que eles são necessários, 1 horinha dos ditos...
















10 minutos de bicicleta...
















equilibrar-me num pé e no outro, alternadamente.
parecia bêbeda, quando me equilibrava no pé esquerdo...
'tadinho, "got a long way to go"...




















manter o equilíbrio para não deixar a tábua tocar no chão.
er....
















mais exercícios de equilíbrio, desta vez nas escadas.
















para terminar, mais 10 minutos de bicla...














até ao fim.



...

senti-me bem.
quase como uma atleta.
quase determinada a ajudar o meu tornozelo, agora que o meu corpo é parte do que sou, de quem sou.
confesso que o facto de andar a ler o livro do lance armstrong, principalmente dado que estava no capítulo em que o rapaz andava a dar tudo por tudo para vencer a "tour de france", me fez aplicar-me ainda mais.

...


"a mind is a terrible thing to waste".
...
sempre gostei desta frase.

com os últimos acontecimentos
mais o livro do lance
e a sua atitude
e a de tantos outros
que admiro
sem que o saibam
concluo
quase 30 anos depois
do começo

"so is a body".

quinta-feira, maio 11, 2006

veganice.

segunda-feira, maio 08, 2006

lembro-me por que aqui estou

quando a minha ("ex", desde sexta) patroa me manda num email, neste que é o meu primeiro dia fora da produção "girls aloud: off the record":





"thank you for all your hard work Ana over the last three months. You've been an absolute asset to the production and I'm really impressed with your work."

...

e sinto que valeu a pena.
tudo.

sinto-me feliz
agora.

mesmo
assim.
mesmo que.
mesmo
aqui.

domingo, maio 07, 2006

a minha avó

faz hoje 90 anos.

...

não celebra connosco.
não pode.
já não pode.
ainda.

..

nós
mesmo assim
celebramos
a sua vida.

em jeito de teimosia
limpamos as lágrimas
ouvimos a voz
sorrimos com ela
damos a mão à sua memória

e
reembrulhamos
reoferecemos
reconfirmamos
daqui
aqui
a sua imortalidade.

quinta-feira, maio 04, 2006

ser emigrante é...

ouvir o "navegar navegar" pelas ruas deste país
que não sou eu
mas já vou sendo
sem nunca mesmo
e sentir uma força um orgulho um tudo
que me faz sorrir
quase até gargalhar
a vida
e o sangue
lusos
que sou
como um segredo doce
em mim.

quarta-feira, maio 03, 2006

self-warning

segunda-feira, maio 01, 2006

jet lag emocional...

quando olho para quem só fala inglês e o meu cérebro tem um pequeno curto-circuito em português.

quando não me apetecem os outros.

quando me faltam os outros.

quando me falta nada.

quando me sinto feliz porque a series producer me diz que gostou da minha filmagem
e não me sinto muito à vontade com sentir-me tão feliz.

quando me levanto sem me apetecer nada nem ninguém.

quando o cravo vermelho na mesa do trabalho me traz saudade.

quando quero o cheiro do alentejo.
o mar ao virar da esquina.

quando me falto.
e aos outros.


...


mas
depois

faço uma tarde de "cheese and biscuits" no trabalho
um obrigada
por tudo
em que o "cheese" é


os "biscuits" são pão alentejano (do "ferment'o pão", claro!!!)
e é tudo regado com vinho tinto do douro.

sábado
e domingo
estou com parte de mim em milton keynes
e derreto-me com o amor que sinto
à minha volta
e à volta em mim.

segunda estou com a natureza
ando por hyde park
e acabo a passear
à beira do tamisa
na luz do fim do dia.


...


amanhã ponho a beth orton
logo pela manhã
a cantar-me
a lembrar-me
"today is whatever i want it to be"

quinta-feira, abril 27, 2006

História de Portugal

" Tudo começou com um tal Henriques que não se dava bem com a mãe e acabou por se vingar na pandilha de mauritanos que vivia do outro lado do Tejo. Para piorar ainda mais as coisas, decidiu casar com uma espanhola qualquer e não teve muito tempo para lhe desfrutar do salero porque a tipa apanhou uma camada de peste negra e morreu. Pouco tempo depois, o fulano, que por acaso era rei, bateu também a bota e foi desta para melhor.

Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada, apareceu um tal João que, ajudado por um amigo de longa data que era afoito para a porrada, conseguiu pôr os espanhóis a enformar pão e ainda arranjou uns trocos para comprar uns barcos ao filho que era dado aos desportos náuticos. De tal maneira que decidiu pôr os barcos a render e inaugurou o primeiro cruzeiro marítimo entre Lisboa e o Japão com escalas no Funchal, Salvador, Luanda, Maputo, Ormuz, Calecut, Malaca, Timor e Macau. Quando a coisa deu para o torto, ficou nas lonas só com um pacote de pimenta para recordação e resolveu ir afogar as mágoas, provocando a malta de Alcácer-Quibir para uma cena de estalo.

Felizmente, tinha um primo, o Filipe, que não se importou de tomar conta do estaminé até chegar outro João que enriqueceu com o pilim que uma tia lhe mandava do Brasil e acabou por gastar tudo em conventos e aquedutos.

Com conventos a mais e dinheiro menos, as coisas lá se iam aguentando até começar tudo a abanar numa manhã de Novembro. Muita coisa se partiu. Mas sem gravidade porque, passado pouco tempo, já estava tudo arranjado outra vez, graças a um mânfio chamado Sebastião que tinha jeito para o bricolage e não era mau tipo apesar das perucas um bocado amaricadas.

Foi por essa altura que o Napoleão bateu à porta a perguntar se o Pedro podia vir brincar e o irmão mais novo, o Miguel, teve uma crise de ciúmes e tratou de armar confusão que só acabou quando levou um valente puxão de orelhas do mano que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios.

A malta começou a votar mas as coisas não melhoraram grande coisa e foi por isso que um Carlos anafado levou um tiro nos coiratos quando passeava de carroça pelo Terreiro do Paço. O pessoal assustou-se com o barulho e escondeu-se num buraco na Flandres onde continuaram a ouvir tiros mas apontados a eles e disparados por alemães.

Ao intervalo já perdiam por muitos, mas o desafio não chegou ao fim porque uma tipa vestida de branco apareceu a flutuar por cima de uma azinheira e três pastores deram primeiro em doidos, depois em mortos e mais tarde em beatos.

Se não fosse por um velhote das Beiras, a confusão tinha continuado mas, felizmente, não continuou e Angola continuava a ser nossa mesmo que andassem para aí a espalhar boatos.

Comunistas dum camandro! Tanto insistiram que o velhote se mandou do cadeirão abaixo e houve rebaldaria tamanha que foi preciso pôr um chaimite e um molho cravos em cima do assunto.

Depois parece que houve um Mário qualquer que assinou um papel que nos pôs na Europa e ainda teve tempo para transformar uma lixeira numa exposição mundial e mamar duas secas da Grécia na final.

E o Cavaco?

O Cavaco foi com o Pai Natal e o palhaço no combóio ao circo."

quarta-feira, abril 26, 2006

SEMPRE.

segunda-feira, abril 24, 2006

o meu tudo

são os outros.

nós.


















assim mesmo...

vocês.

em mim.

:,o)

...

quinta-feira, abril 20, 2006

a proximidade

cultiva-se

cativa-se

vive-se.


como

com

o dia

amanhã.

sábado, abril 15, 2006

you may say i'm a dreamer...

"to believe in the face of utter hopelessness, every article of evidence to the contrary, to ignore apparent catastrophe - what other choice was there? (...) to believe, when all along we humans know that nothing can cure the briefness of this life, that there is no remedy for our basic mortality, that is a form of bravery.
(...)
without belief, we would be left with nothing but an overwhelming doom, every single day. and it will beat you.
(...)
so, i believed."

(lance armstrong, it's not about the bike - my journey back to life)


...


pensei primeiro que era
podia ser
o medo que me fazia acreditar.
mas sei
sei agora
que é coragem o que sinto.
como se fosse comigo.
personifico a doença
como se pudesse falar-lhe
até.
luto.
como se fosse eu quem pudesse lutar.

sei que nem todos se salvam.
as pessoas morrem.
as pessoas morrem assim.
mas eu
acredito.
tenho medo de acreditar
mas
acredito.
com coragem, quase.
por mais que.

acredito.
porque não sei outra maneira.
porque não se desiste
à primeira
de batalhas a sério.
porque o impossível
é possível
nós é que somos
demasiado
humanos
para o saber.
porque este
amor imenso
que eu não sabia encher-me
me deu a raiva
que não maligna
para lutar
como uma leoa
luta
pela sua cria.

eu
cria.

eu
queria.
quero.
acredito.


eu
acredito
no hoje.

e sei que depois
logo depois
chega
vem
nasce
o amanhã.

e acredito.

domingo, abril 09, 2006

diário.

muito estranha, esta época da minha vida...

profissionalmente estou melhor do que alguma vez estive. os meus patrões (as minhas patroas, neste caso) confiam em mim. muito. gostam do meu trabalho. muito. gostam de mim, até. muito.
para a semana vou três dias para fora de londres, para o norte, filmar. pesquisei a informação, falei com os fãs, e agora, quase que como uma recompensa (que já tinha tido, dado que me vão dar um crédito maior do que aquele pelo qual me contrataram), sou eu quem vai filmá-los. sozinha. talvez com um "runner" da companhia, também, por razões de segurança.

traz-me paz, esta confiança.
delas. nelas.
e em mim.
:o)














...

pessoalmente...
pessoalmente sinto-me muito, muito próxima da minha família toda. sinto-os próximos de mim. em mim. sinto-me próxima deles. neles.

sei que alguns amigos deverão estar sentidos
muito
magoados
comigo. com o silêncio, a ausência.
...
porque não sabem.

e eu.
eu também
não sei.
mas acredito.
um dia de cada vez.
acredito.
porque
o futuro
é já
é só
o amanhã.