sexta-feira, março 02, 2007

livres.


vinha com a menina dos olhos de mel rua abaixo, passámos a praça da ALEGRIA para acabar na avenida da LIBERDADE.

(gosto muito dos nomes de algumas ruas de lisboa (acredito que os haja um pouco por todo o portugal, mas falo do que me é mais perto, do que sei assim, de coração)... há coisa mais bonita que dizer que se mora na rua da esperança, na praça da alegria, avenida da liberdade ou praça 25 de abril?.........)

pelo caminho ela falava-me do envolvimento do meu pai no PREC, que eu desconhecia, mas que me encheu assim de um orgulho bem especial.
mais um.

disse-lhe adeus e pus-me a caminho do metro.
chegada aos restauradores, dei comigo no meio da preparação de uma manifestação, marcada para hoje pela cgtp...
nem de propósito.















e foi bom de sentir,
o calor da gente minha
o burburinho das vontades
o cheiro a vida
a força sanguínea
daquela
humanidade
toda
ali junta
em revolta
mas
e
também
camaradagem.















e
de lágrimas nos olhos
respirei a liberdade.

quinta-feira, março 01, 2007














hoje apetecia-me o passado.
assim mesmo,
sem vergonha
ou pesar.
hoje queria só
não ser hoje.
por debaixo dessa cama de amor encontro
caminhos de antes
escondidos do tempo
e da dor.
cuidados.
urgências do querer.
do estar.
o pó os transformou na certeza do que não volta
não vive
não é
para sempre.
e eu não quero

não aguento
saber.
quero só fechar os olhos
e dormir
dormir
dormir durante a batalha
do que se quer
e o que se tem
e acordar só
só
quando me lembrar
me vir
sentir
quem sou.
porque por mais que me rasgue
me fira
e vire do avesso
tu não virás.
por isso
por isso
fecho as mãos
dedo a dedo
aperto os olhos
lágrima a lágrima
e deixo mesmo
mesmo
de tentar

pintar
de vida
e côr
a tua ausência.








....






(imagem: alone, de ferenc j. haraszti)

quarta-feira, fevereiro 28, 2007














tira-me do silêncio, tira-me este nada.

enleia-te em mim, cose-me por dentro, cose-nos por fora, o que for - tira-me deste silêncio de escuro que me trava o sorriso e me enuva por dentro.
vês-me? tu vês-me? não me dês o silêncio. tira-o de mim - não mo dês.

não me dês o desapego, a fuga, a falta de, falta de mim. basta-me a mim não saber onde sou - não me dês o silêncio sobre tudo o mais. sobretudo, não me tragas o vazio de palavras que não.
vê longe a minha vida, que vejo de fora - é o quê que ouves, para lá da ilusão?....
enrolo-me.
enrolo-me em mim.
não quero saber mais.
larga os meus dedos
o meu toque
o olhar que ama
tudo aquilo que rejeitas agora,
que cobres de silêncio,
cobras sem nada dizer.
vem e larga-me de mim.
e finge não saberes o frio que tenho,
que me dói e emudece assim.







....






(imagem: elena vasileva)

terça-feira, fevereiro 27, 2007

"joão"

com um sorriso de orelha a orelha
que traz o passado
o futuro
e a eterna
assim sempre
presente
protecção

com princípios de coragem
coragem para a força
e essa força sem explicação

com tudo o que te vejo ser
dar
sempre
e viver
de coração

hoje
mais do que
de sorriso nos olhos
e orgulho
de vida
no sangue
que é mão

sorrio-te
cúmplice
verdadeira
e feliz,
meu irmão.



























....









(imagem: children's embrace, de alexandra white)

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

às voltas com a(s) diferença(s)























" The Road Not Taken


Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I —
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference. "

(robert frost)


porque é
tanto
o que
empurra
puxa
e também
que eu já não sei
não sei
como a outra
se saberei
mesmo
sentir.

ou o quê
- já tanto me faz.







....






(imagem: ana nicolau)

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

obrigada.



















" Enquanto Há Força

Enquanto há força
No braço que vinga
Que venham ventos
Virar-nos as quilhas
Seremos muitos
Cantai rapazes
Dançai raparigas
E vós altivas
Cantai também

Levanta o braço
Faz dele uma barra
Que venha a brisa
Lavar-nos a cara
Seremos muitos
Seremos alguém
Cantai rapazes
Dançai raparigas
E vós altivas
Cantai também"

(josé afonso)



....


do mais fundo de mim.
mesmo.
sempre.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

desisto

de querer ser um
qualquer
deus

e saber o amanhã.



....





















(imagem: waiting in repose, de dale wicks)

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

?.......

que esperamos nós
de mão dada
com o irreversível?

que podemos esperar
de olhos postos nas gotas que caem
uma a uma
alimento de vida
vida de fome
prolongada?

(...)

que esperamos nós
que não sabemos
não sofremos
não sobrevivemos
como
e somos só
assim
nada
na luta
disputa
conduta
do que nos é
só
dúvida
medo
incerteza
e dor
a cada dia
a cada minuto
que passa
se arrasta
ainda
pela impotência de nós?



























....








(imagem: personal, de dale wicks)

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

limbo - III

todas as noites

as quatro crianças

abrem o escuro
nas mãos

e apertam os olhos

doídas
e doridas

do não-saber.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

a desilusao cai sobre o que sinto
como um destino que se nao pode evitar.
se nao pudesse.
se existisse.
mos.





















....





(imagem: emptiness, de martine rhyner)

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

por que SIM?

porque a pergunta é
simplesmente
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?".

e não
"É a favor do aborto?"

ou
"Acha que o aborto deve ser utilizado como método contraceptivo?"
como alguns senhores da campanha do "não" fazem questão em fazer crer ao eleitorado.

a pergunta
é
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"


...


eu concordo,
SIM.

concordo,
SIM,
com a mulher que tem de abortar, decide abortar, poder fazê-lo no seu país, em condições de segurança e higiene, entre outras, sem correr o risco de morrer, sem correr o risco (dessa forma tão acrescido) de não poder voltar a engravidar, sem correr o risco de contrair dívidas sérias para poder ir fazê-lo a espanha, sem correr o risco de acordar a meio do mesmo, como sei de casos em que, sem correr o risco de ser presa por algo que, na maioria dos casos - acredito, SIM - seria diferente se outras as condições, outro o tempo, outra a vida.

porque, SIM, acredito que mulher nenhuma aborte de bom grado.

porque, SIM, acredito que o aborto traz consequências não-discutidas à mulher que o faz, e acrescentar a isso o medo de ser descoberta, o medo de morrer, o medo de não ter dinheiro para, é escandaloso.... escandaloso.


não percebo por que não há, ainda, em portugal, como por essa europa fora, a educação sexual que ensina, previne, explica.

não percebo por que algumas pessoas enchem a boca a dizer que o aborto é um atentado à vida, mas não é da mulher que se corta por fora e por dentro que falam. assim mesmo. dentro, também. no sentir.

mas não é isso que se pergunta.
não é isso que importa agora.
agora já.
há muitas batalhas a travar
até que
e a pergunta
agora
é só uma.

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

SIM.
eu concordo.
eu digo SIM.






















....






(e o cúmulo de não poder votar porque vou estar fora de portugal?... em '98 a trabalhar na expo, este ano os baftas.... isto porque os emigrantes não têm voto na matéria no que respeita a este assunto. é como diz o outro" os emigrantes não precisam de votar - nos países em que vivem a despenalização existe".
.....
mas irrita-me
muito
não poder mesmo votar.)


quinta-feira, fevereiro 08, 2007

o agora e a vida. agora.

porque é 8 de fevereiro
sim
hoje.

abre os olhos
à volta de ti.
deixa o que.

é tempo de.















....






(imagem: rebirth, de kevin j. gross)

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

era quase inverno.
eu lembro-me.
acordaste
preparaste a vida do dia
e disseste
pensaste
não
isto não chega,
já chega de.

pediste licença à dor
à dúvida
e ao passado que

criaste um sorriso de mar
viste nascer a lua nova
e quando viste para além da chuva

soubeste

"é tempo de viver o amor
é tempo de viver o desejo
é tempo de viver a vida.
agora,
eu,
a minha vida."

falaste o amor
sentiste a força
sorriste de vida

e nós soubemos
soubemos
contigo.

soubemos que tinhas de ir.

porque o teu amor é puro
e verdadeiro
e tu.

porque a força que nele vive
a certeza que respira
esse sem-fim de acreditar.

agora vais ser feliz
ver a vida "abensonhada"
abrir a alma
e voar.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

ao jeito de "a criança e a vida"

"a doença é um bicho papão
que faz dos adultos meninos
e não espera a noite para fazer doer.
"
(nana, "5 anos")














....

terça-feira, janeiro 30, 2007

da incerteza: incapaz e impotente




















" O Hospital e a Praia


E eu caminhei no hospital
Onde o branco é desolado e sujo
Onde o branco é a cor que fica onde não há cor
E onde a luz é cinza

E eu caminhei nas praias e nos campos
O azul do mar e o roxo da distância
Enrolei-os em redor do meu pescoço
Caminhei na praia quase livre como um deus

Não perguntei por ti à pedra meu Senhor
Nem me lembrei de ti bebendo o vento
O vento era vento e a pedra pedra
E isso inteiramente me bastava

E nos espaços da manhã marinha
Quase livre como um deus eu caminhava

E todo o dia vivi como uma cega

Porém no hospital eu vi o rosto
Que não é pinheiral nem é rochedo
E vi a luz como cinza na parede
E vi a dor absurda e desmedida "


(sophia)





....



(imagem: the waiting line, de kyle houston cummings)

sexta-feira, janeiro 26, 2007

"stuck in the middle with"



















é durante o dia, até...

às vezes,
se não passeio pela côr desta cidade que amo,
se me fecho em casa
sem saber de mim
do que chega
ou da vida
lembro as ruas dessa outra
- que o é já ela -
cidade de mim.
lembro maneirismos
sinto-a
e ouço
em mim
todas
as línguas de si.

e tenho
tenho
saudades.
até mesmo
da própria vida.





....



(imagem: Missing You, de Raven La Fontaine)

sábado, janeiro 20, 2007

saldos















...

à venda no carrefour.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

luta de.

sem saber
que futuro
se futuro
quem futuro,
lembro-me
confirmo-me
obrigo-me
a saber:
até chegar,
ele é nada
senão
o que se.

por maior o embate.
por maior o combate.
por maior o medo.

















ainda
ainda
um dia de cada vez.










....






(imagem: Not Giving Up, de "IgaNinja")

quarta-feira, janeiro 17, 2007

"i think you better go ahead"













" Run for the hills before they burn
Listen to the sound of the world
Then watch it turn
but shake a little
Sometimes I'm nervous
when I talk
I shake a little
Sometimes I hate the line I walk

I just wanna show you what I know
And catch you when the current lets you go

Or should I just get along with myself
I never did get along with everybody else























I've been trying hard to do what's right
But you know I could stay here
All night
And watch the clouds fall from the sky "

(the killers, this river is wild)









....







(imagem: "emptiness", de lollipop)

quarta-feira, janeiro 10, 2007

esta lisboa que eu amo - I











































































































segunda-feira, janeiro 08, 2007

é tão triste

sentir
que amigos
- que escolhemos
porque.
que mantínhamos
porque. -
falaram
falam
nas costas
de.

acima de tudo
dói
o olhar
que muda:
ou julga
ou ridiculariza
por preconceito
e
ou
ignorância
pura
e dura.


e depois
depois
admiram-se
do afastamento
de quem.

















......










["Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem "
(sophia)]













......





(imagem de: Noronha da Costa)

sábado, janeiro 06, 2007

s. pedro de moel

noite -
o mar é dono de tudo.

o mar
é dono de mim.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

2007.


















" Eu, Caçador de Mim


Por tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu, caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim "

(Sérgio Magrão e Luís Carlos Sá)


.....


never
ever
ever.

domingo, dezembro 31, 2006

tempo de.

....



boas escolhas.

com TODA a
liberdade
felicidade
vida
que isso implica.
pode implicar.


"thoughts become things:
keep them good."


...



365
novos
dias
de poder
de escolha
para todos.





















...





CARPE.





(imagem: "the struggle", de jason krieger)

sábado, dezembro 30, 2006

"saddam hussein foi executado"



......



como ghandi,
proclamo:



"an eye for an eye
will make the whole world blind."














......











na morte de (mais) um opressor,
lembro o saber de um libertador.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

por mil palavras.

(venham-me cá dizer que a fotografia encenada
não isto
ou não aquilo.....)



.....



...





















.....








...







(imagem: Stanley Kubrick,
da colecção "What Teenagers Should Know About Love",
Look Magazine, 10/10/1950)

carta a um estranho.

sr. ladrão,

não são as coisas de valor
que não levou
que magoam
ou assustam.
não é isso
mesmo
que.
é o ver remexido
às vezes roubado
o que nos é querido
as memórias que nessas coisas viviam
o carinho com que as guardávamos.

com a maior das ingenuidades
talvez
espero que o tenha feito
para dar de comer aos seus filhos
mesmo se tirou comida nenhuma da cozinha
mesmo se não levou o que poderia ter vendido
também.
ou
então
que o tenha feito
para lhes oferecer prendas bonitas
que lhes façam brilhar os olhos.

porque
senão
se
não
você é uma pessoa
muito
muito
muito
feia.
e nunca lhe hei-de perdoar
o triste
que deixou
a minha mãe.

sábado, dezembro 23, 2006

natal emigrante.














é natal na terra de mim
- eu que voltei das terras da majestade deles
onde o sol brilha mas não aquece
e o chá nunca arrefece

ando pelas ruas
passeio
olho as coisas como turista
- mas não -
maravilhada com tudo ou quase

entro nas lojas
comparo produtos sem por isso dar
compro o que fará alguém feliz
trará pelo menos um sorriso
hopefully não só por boa educação
conto os trocos nas moedas que (ainda) não reconheço
viro-as e volto a virá-las nas mãos
- isto são 5 cêntimos ou 2 pence?
- isto chega ou?
- quanto é que disse que era?...
as pessoas atrás de mim a ficarem quentinhas de tanta impaciência
(desculpem, sou emigrante...)
elas que ainda têm de ir a 60 lojas comprar 50 coisas para 40 pessoas
com direito a 7 discussões pelo meio
4 ataques de nervos
pegadinhos um com o outro
sem tempo no meio para respirar
até porque na segunda quinzena de dezembro
o tempo deixa de existir
e ainda assim há-de ficar uma "$#& de uma prenda por comprar
provavelmente a mais importante
ou a que era "certo" conseguir comprar
(as certezas também se tornam efémeras durante estes dias...)
durante a hora de almoço

eu tenho a sorte de ter uma família que não apoia o consumismo
desenfreado
disparatado
injusto
da época natalícia
e assim me escapo a stresses de maior
e momentos de pânico
porque ainda não isto
ou ainda não aquilo
para este
aquele
e o outro

entro em mais lojas
na maior parte só para ver
há até quem me chame masoquista
- ir para as lojas passear na altura do natal???? -
mas é tão bom estar no meio da minha gente
ainda que empurrada
apalpada
beliscada
e pisada
por todos
e mais algum

(vocês sabem lá a saudade
de alguém que está perto,
cantava a outra....)

páro num café para beber a bica
a falta de atenção de quem me atende
para com os clientes
é
tristemente
bem mais notória do que lá
o que me irrita
mesmo
mas
ao mesmo tempo
não me estranha
tanto
tanta gente desconhecida a quem sorrio só porque
- apesar de haver ainda os que
há muitos que retribuem o sorriso
e são momentos mágicos, bons e duradouros -
mexo o café na chávena pequenina
sabe-me melhor ainda porque tinha saudades
mas sinto já falta do meu cappuccino de soja

há muita muita gente nas lojas e nas ruas
como lá
mas é diferente
e eu nem sei dizer porquê
não sei se levo mais encontrões se menos
olho mais as pessoas
lá digo
have a nice day
aqui
tudo de bom
mas não há diferença no sentir
das diferentes palavras

saio da capital do consumismo
olho para a direita antes de atravessar a estrada
era suposto ser para a esquerda
parece
qualquer dia ainda me lixo
estranho ainda às vezes quando ouço uma conversa ao meu lado
e é em português que falam
- é a minha língua falada perto de mim! -
e sorrio.
sorrio muito.
no meio de
encontrões
birras de crianças
pais natal sem jeito ou paciência
às vezes até sem palavras
falta de lugar para estacionar
metro apinhado de gentes e sacos e prendas e cansaço,
sorrio
eu.
porque.
porque sim.
porque é
tão bom
o natal
que nos traz a casa
e a casa a nós...

sexta-feira, dezembro 15, 2006

momento.

vesti o casaco de malha
pus o colar
pus os anéis
e pus
também
o brinco de pérola
dela.

com tudo isto,
cheia dela,
fui.

....


ontem levei a minha avó a ver a festa de natal
do neto que a não conheceu.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

regresso.

tiro um a um os peluches de cima da minha cama de menina.

um a um me trazem pessoas, imagens e sentires de antes, do tal tempo de antigamente, onde tudo.

um corpo de gesso me lembra o amor quando ele era amor: único, absoluto e imutável. antes.

deito-me e, apesar do cansaço, não me leva logo, o sono.
traz-me a quem sou, primeiro.
traz-me os outros, enche-me deles, enche-me deste lugar, desta cidade, deste país de mar que me educou a ser assim,
assim mesmo,
como sou.

e mantenho os olhos abertos
como se antes
há muito.
e sinto o coração cheio de vontade de tudo
aqui
vontade dos outros
vontade de mim.

como se antes
há muito
quando eu era
só
menina.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

dentro.

o que me encanta é o sorriso.

conhecemo-nos.
para além dos anos, já.
muitos.
cada um, cada nós, vem já de longe. e que longe o nosso...

conhecemo-nos.
para além do que hoje damos, do que sabemos,
para além da idade, da distância.
para além da vida.

conhecemo-nos.
reconhecemo-nos.


...


e é isso.
é isso que faz desta certeza
força
cada vez que volto a casa.

sábado, dezembro 09, 2006

mudança.

é enquanto encaixoto tanto de mim que me apercebo do tempo que vivi nesta casa, do se ter tornado tal. com momentos e tudo. um todo ano. e que ano...

tiro fotografias, antes de.
e guardo tudo o que tenho que guardar, sabendo que não fará diferença se nunca mais a abrir, àquela caixa, mas estas coisas, não há remédio, eu não deito mesmo fora.

as coisas que quero levar para portugal, para oferecer, mostrar, partilhar - olha, isto foi o que.. olha, isto lembrou-me de ti... FELIZ NATAL, PUTOS!!!! - amontoam-se assustadoramente a um canto do escritório.
er... quais "new laws"?..... não é natal?

quinta-feira, dezembro 07, 2006

"paráfrase"

guardei as conchas.














agora sei que vou partir.

segunda-feira, dezembro 04, 2006














("tão nítido e preciso era o vazio.")

domingo, dezembro 03, 2006

obrigadinha!

a ti, por tudo. adorei mesmo. :o)














por ti, também, a fazer isto (grrrrrr..... em cor-de-rosa e tudo - só falta mesmo a inha dos chinelos! ;o) ):

as minhas (ditas) manias

pronto, cá vão elas...

(com as regras (yuk!) antes:
"Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.")


1 - "odd socks". uso uma meia de cada côr e/ou qualidade.













desde 2002, não sei dizer o mês mas sei bem que foi esse o ano, o meu segundo cá, o primeiro a sério, que aos meus pés não faz sentido "usar igual".

com brincos, o mesmo princípio se aplica














2 - guardo tudo.













quando digo tudo é mesmo tudo: no meu quarto em lisboa tenho uma pedra da calçada que um amigo me deu para a mão à porta do liceu, 7 da tarde, mesmo ao lado da estátua do camões, à entrada, dizendo, no gozo, "toma, como prova do meu amor". eu guardei, no gozo. ainda lá está.
pedras, flores, toalhas de papel de restaurantes, guardanapos, rótulos de garrafas, conchas... you name it - i've got it.














3 - tirar fotografias a tudo o que me chama o olhar, sem ligar a onde estou.













o que quer que.
olho para o lado e... já foi. a não ser que.













benditos telemóveis com máquina fotográfica. :o)


4 - quando chego ao metro, ando sempre na plataforma até ao sítio escolhido - às vezes literalmente marcado no chão, o que ajuda bastante -, e aí espero, à beirinha da linha amarela, que o metro chegue. todas as manhãs. "in my place".













assim já sei que, quando as portas se abrirem na estação em que tenho de sair - altura pela qual já estrategicamente me coloquei à beira da porta em frente àquela por onde entrei -, vou poder entrar no buraquinho em forma de túnel na parede que vai estar mesmo à minha frente e me deixa chegar à plataforma da outra linha antes de todos, sem stresses. "it's a jungle out here!!!"... todas as manhãs.













(having said that, e daí o chamar-lhe mania, faço-o mesmo quando não é hora de ponta...)


5 - ter os cd's... e os dvd's... e os livros (estes sem tanto rigor - tem dias... e livros.)... por ordem alfabética.













no caso dos cd's tenho-os por grupos... começa com a música clássica, depois as bandas sonoras, depois a música estrangeira, depois a música portuguesa e brasileira, assim mesmo, juntinhas. a transição, obviamente, é obra de muito pensar e analisar. tipo... a transição da clássica para as bandas sonoras são os "movie adagios". dessas para a música estrangeira (todo o tipo - aqui não sou esquisita) vai o "movie songs - volume 3"... enfim, you get the picture(s).














...


o fim.



próximas vítimas:
mana
prima (o vasco é capaz de já saber umas...)
rita do mar azul dela
joão primo
pedro primo



ps - acabei de me aperceber que o million dollar baby e o million dollar hotel estão mal - vou a correr trocá-los!

sexta-feira, dezembro 01, 2006

sem.















" por aquela tão doce
e tão breve ilusão
embora nunca mais
depois de que a vi desfeita
eu volte a ser quem fui
sem ironia aceita
a minha gratidão "
(florbela espanca)


sem ironia.
só gratidão.
e até,
já que assim é.
mesmo se.
por mais que.

porque o riso
o sorriso
a vida
são meus.
mesmo.
só.
luto por eles.
só.

como tu,
pelo que,
agora.














e para sempre.